ESCRAVIDÃO
- Carlos A. Buckmann
- 20 de out. de 2019
- 3 min de leitura

Em uma de suas cartas a seu amigo Lucílio, o filósofo romano Lúcio Aneu Sêneca escreveu: “Nenhuma escravidão é mais vergonhosa do que a voluntária.” - Referia-se a escravidão da mente, da maneira de pensar. E encerra a carta com esta frase; “A malícia é inconstante, muda frequentemente, e não para melhor, mas para outra coisa.”
De acordo com Sêneca, “a sabedoria e a virtude são a meta da vida moral – único bem imortal que possuem os mortais”.
Trago essas reflexões ante certas atitudes que parecem que se agravam ao passar dos dias na mente dos de nosso tempo, tanto no Brasil como no resto do mundo.
Não sei se por falta de estudo, se por ignorância, ou por pura malícia, algumas pessoas interpretam e distorcem fatos, palavras e pensamentos, de acordo com a maldade ou a miséria que alimenta suas almas, escravas permanentes destas mesmas maldades e misérias.
Tempos atrás, eu desempenhava um cargo de gerência de área em uma empresa de grande porte, onde uma de suas regras básicas era o cuidado com a saúde de seus funcionários. Para isso, mantinha em cada cidade de atuação, convênio com uma clínica médica para avaliação anual de toda a sua equipe, do porteiro até ao diretor geral. – Lá pelo meu quarto ou quinto ano de empresa, um médico novo assumiu a “triagem” inicial de avaliação, para então indicar o médico ou psicólogo, conforme o caso específico de cada uma de suas avaliações.
Estranhamente e diferente dos avaliadores dos anos anteriores, a primeira pergunta deste médico foi de como era minha relação com bebidas alcoólicas. – Sincero como sempre, lembro de ter dito que às vezes, chegando em casa estressado pelo dia de trabalho, tomava uma dose de whisky antes do jantar. Eventualmente, conforme a ocasião e o prato servido, apreciava um bom vinho (faço isso até hoje). No mais, no fim de semana, “como ninguém é de ferro”, uma que outra cervejinha. Fora isso, muita água e sucos de laranja ou de frutas da época. – Notei que ele fazia anotações rápidas na ficha médica. – Ao passar para a avaliação do clínico geral, médico já conhecido dos anos anteriores dessa rotina e com quem já mantinha laços de amizade, com jantares periódicos e convívio familiar, ele me recebeu rindo e me mostrando a referida “ficha de avaliação” da triagem inicial. – “E daí, então agora viraste borracho?” – Admirado, perguntei do que se tratava. – Na ficha estava escrito: “Dependente de álcool”. Nenhuma menção sobre água e sucos. – Meu amigo rapidamente riscou da ficha esta frase, pois me conhecia muito bem e mais ainda, conhecia seu colega. Me explicou que o problema era esse colega que tinha histórico familiar dessa doença (vício) e ele mesmo (o colega) era alcoólatra e, noventa por cento de suas avaliações vinham com essa observação. Soube algum tempo depois que o avaliador foi despedido da clínica.
Conto esta história para mostrar o quanto as pessoas se tornam escravas de seus próprios problemas e, comodamente, logo terceirizam suas culpas para se justificarem e aliviarem suas consciências.
O escritor James Allen, afirmou: “Um homem é literalmente o que pensa, sendo seu caráter a soma total de seus pensamentos.”
Emanuel James "Jim" Rohn (1930-2009), empresário e palestrante norte-americano, disse que “...a dor da disciplina pesa quilos, a do arrependimento, toneladas.”
Por isso, cuidado para não nos tornarmos escravos de nossas “misérias” mentais, distorcendo o que outras pessoas, colegas, clientes, fornecedores, pessoas de nosso convívio, nos dizem ou pensam. – Como diz antigo provérbio “a flecha lançada e a palavra dita, nunca voltam atrás.” – Terceirizar a culpa é uma forma de tentar aliviar as “toneladas” de arrependimentos por nossa falta de disciplina.
Para sair deste tipo de escravidão, lembro de um texto de John C. Maxwel:
“Há uma diferença muito pequena entre as pessoas, mas essa pequena diferença é que faz a grande diferença. A pequena diferença é a atitude. A grande diferença é se essa atitude é positiva ou negativa”.
Voltando a Sêneca: “O que importa é viver bem, e não viver muito”.
Pense nisso
e bons negócios prá nós.




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