CONTOS DAS RUAS DE PORTO ALEGRE - UMA VALSA ANTIGA
- Carlos A. Buckmann
- 24 de jul.
- 1 min de leitura

UMA VALSA ANTIGA
Aos poucos, o salão do “Club de Ouro”, no bairro Menino Deus, se esvaziava. A moça de vestido azul-claro, que há instantes cintilava sob os lustres, aceitou meu convite para a valsa. Sua mão era fria, mas seus olhos, dois abismos de ternura. Ao fim da música, ofereci levá-la até a saída. Na porta, volto-me para contemplá-la; eis que o ar se adensa em névoa, o corpo se desfaz em pétalas de luz. Um velho porteiro, ao ver meu pasmo, murmura: “Morreu em 1950, apunhalada por um ciumento, ao deixar este baile.” Fiquei só, com o cheiro de rosas e o eco de uma valsa que nunca existiu.




Comentários