VOLTANDO AO PROPÓSITO
- Carlos A. Buckmann
- 3 de dez. de 2020
- 4 min de leitura
Atualizado: 8 de fev. de 2021

Propósitos econômicos e profissionais, mudam conforme muda nossa vida profissional. Propósitos de vida, nascem do coração e eles valem mais de que todos os outros propósitos que possamos ter.
Depois de ter lido meu ensaio sobre propósito, meu amigo Tiago me enviou um recado perguntando se poderíamos falar sobre a definição de seu propósito no mercado em que atua. Além de resposta positiva, lhe recomendei a leitura do livro EM BUSCA DE SENTIDO, do psicólogo Viktor E. Frankl, uma história de como encontrar um sentido para sua vida em meio as agruras do campo de concentração de Auschwitz, durante a segunda guerra mundial.
A descoberta do propósito de negócios, de profissão, não quer dizer que tudo está resolvido, que será um caminho coberto de flores, que o mundo vai conspirar para que tudo se realize. A lei da impermanência continua existindo. As mudanças são contínuas e precisamos nos adaptar, corrigir o rumo a cada mudança e, às vezes, alterar também nossos propósitos. Mais precisamente, nossos propósitos também se adaptam de acordo com nossas necessidades.
Meus propósitos de hoje, são diferentes dos que estabeleci há trinta anos atrás.
Naquela época, voltando ao Rio Grande do Sul, depois de morar dez anos na região amazônica, apesar de toda bagagem profissional que carregava comigo, com dificuldade de me recolocar no mercado, meu propósito era de, me adaptando a mudança brusca de cultura, conseguir um trabalho para sustentar minha família.
Vindo de uma experiência de seis a sete anos em uma empresa de distribuição de petróleo, consegui um emprego de gerente de um posto de combustíveis. Morando em Guaíba, distante cerca trinta quilômetros de Porto Alegre, tinha que pegar o primeiro horário de ônibus, às cinco da madrugada, que me levava ao centro de Porto Alegre, onde tomava outro ônibus que me levava até ao referido posto para cobrir a troca de turno dos frentistas, que era às sete da manhã. Meu expediente terminava às vinte horas, quando encerrava o caixa para a nova troca de turno. Isso me levava até cerca das vinte e uma horas, para então pegar os dois ônibus de retorno que me levavam para casa.
Exausto pela longa jornada e pelas cansativas viagens, certa noite de inverno, “com frio de renguear cusco” (ditado gaúcho), envolto em um pala velho que me acompanha até hoje, adormeci no ônibus, passei do meu ponto de desembarque e fui acordado pelo cobrador no fim da linha que ficava a três quilômetros da minha casa. Precisei retornar a pé, pois não havia mais horários de retorno àquela hora. Na madrugada seguinte, tudo novamente.– Para completar, nas madrugadas quando me dirigia ao ponto do primeiro ônibus, de um portão de uma casa vizinha, saía um cusco (cachorro, para nós gaúchos) que vinha latindo e tentava me atacar e que eu repelia tentando atingi-lo com minha mochila, para diversão do dono do animal, que ficava rindo ao portão. – Uma madrugada, prevenido e disposto a não mais aturar aquela situação, saí de casa com uma pedra na mão e quando o cusco saiu latindo do portão eu o atingi com a pedrada (brutalidade em auto defesa que doeu mais em mim do que no animal). Cão e dono não ficaram nada felizes, mas a brincadeira deles acabou. Nunca mais me perturbaram. Foram dias difíceis mas que eu sabia que precisava superar, pois eu tinha um propósito, recomeçar minha vida sustentando minha família. Era o propósito do momento. E eu fazia isso, porque em casa, minha mulher acreditava que eu conseguiria, meus filhos acreditavam que eu conseguiria, eles acreditavam que eu era um vencedor, acreditavam que eu tinha forças para isso. E minha força vinha disso, dessa crença que vinha deles. Esse era meu propósito.
Antoine de Saint-Exupéry, escreveu: - “O homem se descobre quando se mede com o obstáculo”.
Essa é apenas uma lembrança de um tempo em que o propósito era a própria sobrevivência.
Hoje, os propósitos são outros. Vida estabilizada. Compromissos com minha empresa e seus associados. Um propósito de oportunizar condições para que as lojas, mais de que simplesmente sobrevivam, cresçam e sejam importantes para suas comunidades, o que me leva a outra mensagem de Saint-Exupéry: - “Trabalhando apenas pelos bens materiais, nós mesmos construímos nossa prisão... A grandeza de uma profissão talvez seja, antes de tudo, unir os homens.”
Já Fred Kofman, vice-presidente de desenvolvimento executivo do Linkedin, em seu livro LIDERANÇA E PROPÓSITO, escreveu: - “Todos nós detemos um capital precioso, a energia de nossa alma. Assim, precisamos investi-la de forma sábia ao energizar uma empresa que busca propósitos nobres, empresa de que nos orgulhamos de fazer parte junto a pessoas que partilham de nossos valores” . (o destaque em negrito é meu).
Propósitos econômicos e profissionais, mudam conforme muda nossa vida. Mas, propósito de vida, como já mencionei anteriormente, este vem do coração e este, se não for para tornar o mundo melhor, começando por quem convivemos no dia a dia, então não vale a pena ser vivido.
Pense nisso
e bons negócios prá nós.
Dezembro de 2020 (em meio a pandemia)




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