VOAR É PRECISO
- Carlos A. Buckmann
- 28 de jun. de 2022
- 3 min de leitura

Hoje vamos falar de voar.
Quanto mais alto voamos, mais se alargam nossos horizontes.
Um fato que me chamou atenção, é a coincidência de alguns bons e até grandes escritores tenham tido a carreira de pilotos de aviões: Richard Bach, autor de grandes obras como Fernão Capelo Gaivota, Longe é um lugar que não existe, A Ponte para o Sempre e Ilusões, foi piloto da Força Aérea Americana; Antoine de Saint Exupéry, francês nascido na virada do século XIX, em 1900, autor do bestseller O Pequeno Príncipe, escreveu também outras grandes obras como: Correio Sul, A Cidadela, Voo Noturno e Terra dos Homens, foi a partir de 1926, piloto da AÈROPOSTALE, empresa aérea que fazia o serviço postal entre Toulouse, Casablanca e Dacar; David Rohlander, palestrante e mestre em gestão de empresas e que foi aluno de Peter Drucker, escreveu a obra O Código CEO, também foi piloto de caça da Força Aérea Americana.
Essas coincidências me fizeram pensar que não existem coincidências. Por que pilotos escrevem com tanta maestria sobre assuntos tão diversos? Onde estaria o fato ligando literatura e pilotar avião?
Então, literalmente voei no tempo e me vi fazendo meu primeiro voo solo a bordo de um “Paulistinha”, pequeno avião de treinamento de pilotos fabricado no Brasil, em Botucatu, São Paulo, pela indústria de aviação Neiva e que, em 2006 foi absorvida pela Embraer. Só quem teve esta experiência de pela primeira vez voar solo, no comando de um pequeno avião (todos os pilotos começam assim, voando em pequenos e seguros aviões) pode saber o que é pela primeira vez se sentir poderoso. Ali, naquele meu primeiro voo solo a sensação ficou impregnada na minha mente para todo o sempre: Aeronave alinhada na pista. Autorização para decolar. Manche firme pela mão direita, mas com leveza, mão esquerda na manete do acelerador, firme e progressivamente levanta as rotações do motor até as 2.300 RPM. A peque nave deslisa na pista e quase por instinto a um leve puxar do manche, ela alça voo como uma bela águia, ganhando altitude rapidamente: 300 pés... e a linha do horizonte fica maior; 500 pés... o céu não tem limite; 1000 pés...é só você, a aeronave e a imensidão. Deus por certo estará em algum lugar olhando para esse “manicaca” (piloto inexperiente) que se aventura a fazer suas primeiras manobras e acrobacias que havia aprendido com seu instrutor. Aí é que você sente a sensação de poder. Tudo está em suas mãos: vida e morte. Você decide.
Acrobacias feitas, voo tranquilo e você consegue enxergar a distância que nunca tinha imaginado. O horizonte não tem limite. Não adianta buscá-lo, ele é como a utopia, sempre mais longe, mas que insistimos em encontrar.
Então entendi porque pilotos conseguem escrever bem (o que não é o meu caso). Mas é quando se alargam os horizontes, que se consegue enxergar mais longe, quando temos uma outra visão do mundo.
Faz muitos anos que parei de pilotar. Como me apelidou um piloto de helicóptero amigo meu, virei “Comandante Sênior”. Mas o gosto de voar nunca morreu. Mesmo antes de me tornar piloto, eu já voava alto. Só agora entendi isso. Nos livros a gente sempre alarga os horizontes. Nos livros a gente voa mais rápido do que qualquer aeronave, conhece países que nem imaginava, convive com personagens de todos os tempos, passado ou futuro. Como disse Castro Alves (Navio Negreiro): “...oh! bendito aquele que semeia livros a mão cheia e faz o povo pensar...”
É nos livros que vamos deixar de rastejar pelo solo, que vamos deixar de ser dogmáticos, que aprenderemos a “pensar fora da caixa” e ver que nem sempre temos razão. (Embora algumas vezes até tenhamos).
Mais do que nunca, vocês, a nossa nação precisa de escolas, de faculdades, de cultura, de muita leitura, pois sem educação, não tem solução.
Agora sim caiu a ficha: tudo a ver piloto e escritor.
Quanto mais alto voamos, mais se alargam nossos horizontes.
(Palestra para minha equipe da administração da Vida Farmácias em 27 de junho de 2022.)




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