VESTIR A CAMISA. – MAS QUE CAMISA?
- Carlos A. Buckmann
- 30 de mai. de 2025
- 3 min de leitura

VESTIR A CAMISA. – MAS QUE CAMISA?
Ah, essa história de "vestir a camiseta"... Lá vem de novo! É batata: basta a gente sentar numa mesa de bar com uns donos de empresa que rapidinho o assunto surge. "Ah, porque fulano não veste a camiseta", "sicrano não tá nem aí pra firma", "esse povo só pensa no salário no fim do mês". A gente ouve, balança a cabeça, até concorda um pouco, afinal, quem nunca viu um colega de trabalho meio desligadão?
Toda vez que ouço um empresário reclamar que seus funcionários "não vestem a camiseta da empresa", fico imaginando: será que ele já olhou para a etiqueta dessa camisa? Será que ela é confortável, bem costurada, feita de um tecido que aquece o coração dos colaboradores? Ou será que é uma peça dura, mal ajustada, que pinica a pele e dá vontade de arrancar no primeiro instante?
Mas aí a chavinha da gente vira, né? A pergunta que não quer calar é: e o dono, a dona, o chefão, o que é que eles fazem pra essa tal camiseta ser, de fato, desejada? Porque, convenhamos, ninguém acorda de manhã pensando: "Nossa, hoje eu tô MORRENDO de vontade de vestir a camiseta dessa empresa aqui!". A coisa não funciona assim, sô.
Quando a gente, pobre mortal, chega pra labutar todo santo dia, qual é a moral da história? Tem um "bom dia" aguardando na entrada com um abraço ou aperto de mão sincero e que ecoa pelo ambiente? Alguém, que seja o dono ou o gerente, para pra perguntar como a gente tá de verdade? Um "e aí, tudo certo em casa?" que não seja só da boca pra fora? Um abraço então... ah, isso parece filme de ficção científica em muita firma por aí.
E durante o dia, como é o nosso "habitat" profissional? É um lugar acolhedor, onde a gente se sente à vontade pra dar o nosso melhor, ou é um caos, um ambiente pesado que suga nossa energia antes do almoço? A gente se sente parte de um time ou cada um por si, correndo atrás do próprio rabo? Como é que o "seu" dono ou o "seu" gestor acompanham essa integração da equipe? Batem ponto e tchau?
E o que mais a empresa oferece além do básico, do "toma aqui seu salário e não reclama"? Tem um reconhecimento pelas metas batidas? Um "parabéns, galera, vocês foram demais!" que vá além do e-mail impessoal? Tem um espaço pra gente dar ideias, pra se sentir ouvido? Um plano de carreira que mostre que a gente pode crescer ali dentro? Um cafezinho decente já seria um começo, viu?
É que nem diz o ditado, né? "Quem não dá assistência, incentiva a concorrência". Como é que a gente vai exigir mais comprometimento, mais garra, mais "vestir a camiseta" se a gente, do lado de cá, não sente que a empresa também tá investindo na gente? É uma via de mão dupla, patrão!
Pra mudar essa situação, a receita não é segredo de estado. Começa com o básico: um acolhimento genuíno. Que tal um "bom dia”, com um abraço fraterno e com sorriso no rosto? Uma escuta ativa quando a gente tem algo a dizer? Um ambiente de trabalho limpo, organizado e, se possível, até agradável? Pequenos gestos fazem uma diferença ENORME.
Tem empresas por aí que já sacaram essa parada. A gente ouve falar de lugares onde o pessoal se sente valorizado, onde tem espaço pra crescer, onde o clima é leve. O resultado? Funcionário feliz trabalha melhor, produz mais e, olha só que surpresa, veste a camiseta com orgulho!
Tem uns caras que manjam muito dessa história de engajamento. Daniel Pink, com o "Drive", fala sobre a importância da autonomia, do propósito e da maestria para motivar as pessoas. Simon Sinek, com o "Comece pelo Porquê", mostra como um propósito claro e inspirador atrai e engaja talentos. Há recomendações valiosas em obras como O Desafio da Liderança, de Kouzes e Posner, que enfatizam a importância de inspirar equipes pelo exemplo. São leituras que valem a pena pra quem quer virar essa página.
No fim das contas, essa história de "vestir a camiseta" não se compra na loja da esquina. Ela se conquista no dia a dia, com respeito, com cuidado e com a genuína preocupação com quem faz a empresa acontecer. E se o funcionário não veste a camiseta? Talvez seja porque ela esteja com a modelagem errada para o corpo dele. Porque, convenhamos, até uniforme desconfortável a gente evita usar!




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