UMA QUESTÃO DE GESTÃO
- Carlos A. Buckmann
- 24 de set. de 2019
- 3 min de leitura
Atualizado: 27 de set. de 2019

Tenho recebido diversas solicitações de proprietários de lojas sobre como proceder em gestão de pessoal, especialmente por suas dificuldades, quase chegando à incapacidade em alguns casos, de comandar suas equipes, seus funcionários. Normalmente, minhas orientações seguem a norma de primeiro entender o “porquê” da situação chegar a determinado ponto em que o proprietário se julga impotente para tomar as decisões necessárias. Depois, oriento a agirem de maneira clara, com diálogo, mas nunca esquecendo que a decisão final é dele, proprietário e patrão. A partir do momento em que a voz do grupo fica maior do que a voz do dono, algo se perdeu pelo caminho.
Nesse ponto, é que no lugar de gestão de pessoal, está faltando GESTÃO PESSOAL. Ou seja, antes de tomar decisões sobre a equipe, é preciso uma reflexão introspectiva (redundância necessária) de onde o gestor não está gerindo a própria vida, ou pelo menos, em que aspectos está falhando, onde começou a errar, em que momento lhe “faltou a mão” para dirigir seu negócio.
Poderia aqui apontar diversos motivos, como funcionários antigos, que se acomodam e passam a mandar mais que o dono, ou filhos de proprietários, que por serem mais jovens (isso é defeito dos jovens) pensam saber mais que os pais, sem nenhum embasamento lógico, ou por pequenas experiências pessoais, que o tempo lhes cobrará o justo preço.
Mas o ponto em que pretendo chegar, não é esse. O ponto é GESTÃO PESSOAL e não gestão de pessoal.
Gestão pessoal é muito mais difícil do que gestão de pessoal. Gestão pessoal é onde tudo começa. É uma questão de disciplina. A palavra disciplina, como já escrevi em outro ensaio, mas não custa repetir, vem do latim “discipulum”, que significa “aquele que quer aprender”. E se a pessoa quer aprender, primeiro é preciso se livrar de velhos hábitos, substituindo por novos e bons hábitos. Se você quer aprender como se faz isso, aconselho a ler “O PODER DO HÁBITO”, do jornalista americano Charles Duhigg.
O que então se impõe, é saber quais são os maus hábitos, e quais os bons. Onde estou agindo certo e onde estou errando. O que fazer, o que não fazer e o que deixar de fazer, norma básica de gestão empresarial, defendida por Drucker e Welch.
Como conseguir isso? Difícil, mas volto a insistir, é apenas uma questão de disciplina.
Vamos a receita: Uma regra dos “soldados” da Companhia de Jesus, os jesuítas: auto reflexão quatro vezes por dia.
Logo que levanto, todos os dias às quatro da manhã (madrugada para alguns), direto ao banho, aproveito para fazer a avaliação do dia anterior: o que fiz, o que não fiz, o que poderia ter deixado de fazer, onde acertei e, principalmente onde errei (a gente erra todos os dias, somos humanos). E aí, tomar algumas decisões para o novo dia, antes do chimarrão e de algum bom livro para ler. – Depois, no meio da manhã, mais cinco ou dez minutos para avaliação do que foi feito até então, e tomar decisões do que que corrigir e como agir. Ao meio dia e na meia tarde, a repetição deste hábito. - Isso tem feito uma diferença muito grande em meu modo de ser e de agir. É assim que se começa a GESTÃO PESSOAL, que nos faz ser uma pessoa melhor a cada dia (pessoalmente ainda tenho muito a melhorar) e se consegue fazer gestão de pessoal e gestão da própria empresa.
Pense nisso
e bons negócios prá nós.




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