UM PUCO DE FILOSOFIA
- Carlos A. Buckmann
- 3 de ago. de 2019
- 3 min de leitura

Conheci meu amigo Neto, José Abud, há cerca de nove anos em um evento na serra gaúcha e onde ao final deste evento o destino me proporcionou a oportunidade de, junto com nossas esposas, lhes dar uma carona até ao aeroporto de Porto Alegre, onde no trajeto, iniciamos a descobrir nossas afinidades. Depois disso, nossa amizade foi se estreitando a cada encontro em eventos em São Paulo ou no Rio Grande do Sul, de três a quatro vezes por ano, ininterruptamente. Ambos apreciamos bons vinhos, acordar às quatro horas da manhã, um gosto acentuado pela leitura, um respeito profundo pelo ser humano e uma amizade desprendida de qualquer egoísmo.
Em maio deste ano da graça de 2019, em nosso encontro em São Paulo, Neto me presenteou com o livro de Adam Grant – DAR E RECEBER.
Tanto pelo respeito que tenho pelo Neto, tanto quanto eu já conhecia o autor por ter lido outra obra sua – ORIGINAIS e, tanto pelo meu vício da leitura, literalmente “devorei” o texto em uma semana. Excelente tema que recomendo.
Toda a leitura sempre me leva a comparações com outros temas escritos ou vivenciados e este me levou a comparação dos textos iniciais de A REPÚBLICA, de Platão, onde, na casa de Céfalo, o filósofo grego descreve os diálogos entre Sócrates, Trasímaco, Clitofonte e mais alguns convivas, discutindo os conceitos e vantagens entre a justiça e a injustiça, entre o justo e o injusto. Aliás, isso me leva também a pensar que, muitos séculos depois, Niccolò di Bernardo dei Machiavelli, NICOLAU MAQUIAVEL, se inspirou nas vantagens da injustiça defendidas por Trasímaco, para escrever o seu “O PRÍNCIPE”, que é o livro de cabeceira de nossos políticos.
Parece que estou divagando, perdoem-me, no título anunciei que seria um pouco de filosofia.
Voltando ao livro que ganhei do meu amigo Neto, DAR E RECEBER de Adam Grant, onde resumindo o pensamento do autor, somos levados às comparações entre o egoísmo e o desprendimento, entre a bondade e maldade, entre tirar vantagens e receber benefícios.
Quando agradeci ao Neto, com nosso sempre afetuoso abraço, pelo presente e após ter lido (devorado) todo o livro, ressaltei que a parte mais importante que ali estava escrito, foi a dedicatória que ele escreveu na primeira página: “Amigo Beto, esse livro despertou em mim algo que sempre esteve arraigado em minha personalidade. Você também tem essas características. Aproveite a leitura, seu eterno amigo Neto”.
Muita bondade do Neto, encontrar em mim as características de sua personalidade, marcada pelo desprendimento, a bondade e o amor pelo trabalho e pelos seus semelhantes, dedicação exclusiva em “melhorar a vida das pessoas” (lema da FEBRAFAR).
Trazendo esse pouco de filosofia para nossos negócios, constato que as empresas e empresários, tem momentos de “dar e receber”, de egoísmo e de bondades.
Nossa história recente, mostra que aquelas que cresceram seguindo os pensamentos de Maquiavel, vide o que acontece com as grandes empreiteiras, mais cedo ou mais tarde, são alcançadas pela justiça. Aqueles diretores buscam se locupletar, com ganhos especulativos, “olhando apenas para seus umbigos”, terminam em algum momento sendo descobertos e destronados de seus postos, antes disso tendo uma vida com constantes abalos de saúde e estresse extremo pela consciência pesada.
Claro que nossos negócios são movidos pelo lucro, mas todos os empreendimentos sérios devem buscar além disso, uma contribuição para a sociedade, pois só assim teremos um mundo melhor e mais justo. – Como escreve a professora de administração e estratégia em Harvard, Cynthia A. Montegomery em seu livro O ESTRATEGISTA (pag.68): “Se a sua empresa desaparecesse hoje, o mundo ficaria diferente amanhã?... Fazer a diferença em um setor significa o seguinte: se você desaparecer, haverá um buraco no mundo e lágrimas no universo daqueles a quem você serve... Mas se você não possui esse diferencial, ninguém vai lamentar quando você tiver partido”.
Pense nisso
E bons negócios prá nós.




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