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UM DRAMATURGO NO MERCADO.

  • Carlos A. Buckmann
  • 30 de abr. de 2025
  • 3 min de leitura

UM DRAMATURGO NO MERCADO.

            "O DESCONTENTAMENTO É O PRIMEIRO PASSO NA EVOLUÇÃO DE UM HOMEM OU UMA NAÇÃO." Essa assertiva, cunhada pela mente arguta e pelo espírito irreverente de Oscar Wilde (Oscar Fingal O'Flahertie Wills Wilde) (1854-1900), escritor, poeta e dramaturgo irlandês cuja pena afiada e o intelecto brilhante o consagraram como uma das figuras mais proeminentes da literatura vitoriana, ecoa através dos tempos com uma pertinência surpreendente. Wilde, conhecido por seu humor cáustico, aforismos incisivos e obras que desafiavam as convenções sociais de sua época, como "O Retrato de Dorian Gray" e "A Importância de Ser Ernesto", legou-nos uma reflexão profunda sobre a natureza do progresso.

            Em um prisma empresarial, ousaria expandir a máxima wildiana para: "O descontentamento é o primeiro passo na evolução de uma empresa." A complacência, a aceitação irrestrita do status quo, seja individual ou corporativa, invariavelmente conduz à estagnação. É na insatisfação construtiva, naquela inquietação que nos impele a questionar, a buscar alternativas, a vislumbrar horizontes mais amplos, que reside o motor da inovação e do desenvolvimento. Uma empresa satisfeita com seus resultados presentes, que não sente o pungente desejo de aprimoramento, de superar seus próprios limites e as expectativas do mercado, corre o sério risco de ser engolida pela voracidade da concorrência e pela inexorável marcha do tempo.

            A história nos brinda com inúmeros exemplos da importância vital desse "descontentamento produtivo". Pensadores como Nicolau Maquiavel, em "O Príncipe", embora em um contexto político, já discorria sobre a necessidade de constante adaptação e da percepção aguda das mudanças para a manutenção do poder – um princípio que, “mutatis mutandis”, se aplica à sobrevivência empresarial. Friedrich Nietzsche, com sua crítica contundente à moralidade estabelecida e seu chamado à superação, também nos lembra que o progresso frequentemente emerge da ruptura com o confortável e o familiar. O ousado pensador alemão, pregava a ideia do "eterno devir", a constante superação de si mesmo.  Ralph Waldo Emerson, filósofo transcendentalista, defendia a autoconfiança e a busca constante pelo aprimoramento.  Ambos, em linhas distintas, convergem para a ideia de que a insatisfação é o berço da evolução.

            Para uma pequena empresa que se encontra no ringue implacável da competição com os grandes conglomerados, a frase de Wilde assume uma conotação ainda mais crítica. Imersas em um ambiente onde os recursos e o poder de fogo são desproporcionais, as PMEs não podem se dar ao luxo da passividade. Seu "descontentamento" deve ser catalisador de agilidade, de criatividade, de um olhar estratégico que explore nichos de mercado, personalize o atendimento, invista em inovação disruptiva e construa relacionamentos sólidos com seus clientes. A insatisfação com a mera reprodução dos modelos estabelecidos pelos gigantes é o prelúdio para a descoberta de caminhos singulares, para a exploração de suas próprias fortalezas e para a construção de uma identidade única e valiosa.

            O caminho que as PMEs devem trilhar, fundamentado nesse descontentamento fecundo, passa pela constante análise de seus processos, pela escuta atenta das necessidades de seus clientes (muitas vezes negligenciadas pelas grandes corporações), pela busca incessante por soluções inovadoras, mesmo que incrementais, e pela ousadia de desafiar as normas do mercado. É a capacidade de identificar as brechas, de antecipar as tendências e de adaptar-se com rapidez que permitirá a essas empresas não apenas sobreviver, mas também prosperar em um cenário competitivo adverso.

            Wilde, com sua frase tão impactante, parece ter antecipado o pulsar intrínseco a qualquer alma inquieta: o descontentamento, em seu âmago, não é mero pessimismo. Ao contrário, é o catalisador da mudança, o motor que nos retira da apatia e nos impele a buscar algo superior. E não seria diferente quando tal descontentamento emerge no coração de uma empresa.

            Permita-me aqui divagar sobre o descontentamento no contexto corporativo: - Imagine uma pequena empresa, jovem e batalhadora, que observa os grandes conglomerados dominando o mercado com seus recursos aparentemente ilimitados. O descontentamento, quando sentido por tal empresa, não é sinal de fraqueza, mas, sim, uma faísca. É o indicativo de que o status quo — essa confortável monotonia de manter as coisas como estão — não é suficiente.

            Acrescentaria que esse descontentamento não deve resvalar para o cinismo paralisante ou para a inveja improdutiva. Deve ser uma força motriz positiva, alimentada pela ambição sadia de crescimento e pela crença na própria capacidade de fazer a diferença. É a chama que acende a busca por conhecimento, o investimento em capacitação e a construção de uma cultura organizacional que valorize a experimentação e a aprendizagem contínua.

            Lembro-me de uma anedota sobre Wilde: Certa vez, ao desembarcar em Nova York e ser questionado por um oficial da alfândega se tinha algo a declarar, ele teria respondido com sua habitual desenvoltura: "Nada além do meu gênio." Assim também devem ser as pequenas empresas: imbuídas de uma saudável dose de "descontentamento" com o ordinário e confiantes em seu próprio "gênio" para trilhar caminhos extraordinários.

 
 
 

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