SERENIDADE E EQUILIBRIO
- Carlos A. Buckmann
- 6 de fev.
- 3 min de leitura

SERENIDADE E EQUILÍBRIO
Proponho avançarmos hoje para o centro da nossa biblioteca imaginária, onde o silêncio não é apenas ausência de ruído, mas uma presença densa e protetora.
Se na crônica anterior tratamos do polimento que a maturidade nos traz, hoje o tema nos convida a testar essa estrutura, o que nos obriga a perguntar: o que acontece quando a vida deixa de ser teoria e se torna tempestade?
“SE” a maturidade é o alicerce, a serenidade é o teto que nos mantém secos sob a chuva.
Hoje costuma-se confundir serenidade com passividade ou indiferença. No entanto, o "SE" da serenidade e do equilíbrio nos lança um desafio de força interior: "E 'SE' a verdadeira paz não for a calmaria do lado de fora, mas a capacidade de manter o eixo enquanto o mundo gira desgovernado?".
Vivemos sob a pressão de reagir a cada estímulo, a cada crise e a cada opinião, mas o equilíbrio é o ato subversivo de escolher a própria resposta em vez de apenas ser um reflexo do caos alheio.
A serenidade é a maturidade em movimento, o momento em que o conhecimento se transforma em pele, como descreveram os mestres que buscaram o centro no meio do turbilhão:
Marco Aurélio, em suas Meditações, falava sobre a "Cidadela Interior". Para ele, a mente pode se retirar para um lugar de quietude absoluta, mesmo cercada por guerras e traições. O seu "SE" é o da autonomia: "E 'SE' nada do que acontece externamente pudesse tocar a alma sem o meu consentimento?".
Baruch Spinoza propunha que a paz vem do entendimento das leis da necessidade. Para ele, o equilíbrio não é lutar contra as emoções, mas compreendê-las com a mesma clareza com que estudamos a geometria. O seu "SE" é o da lucidez: "E 'SE' a minha quietude fosse fruto de saber que tudo o que acontece faz parte de uma ordem maior, retirando o peso do 'eu' do centro do drama?".
O ser equilibrado não é estar imóvel, mas ser como o equilibrista que ajusta o passo a cada milímetro para não cair. É uma tensão constante e consciente.
O "SE" da serenidade nos pergunta se já somos capazes de observar as nossas próprias tempestades internas sem nos afogarmos nelas.
Vamos novamente a figura de Viktor Frankl (que volta à nossa trilha por sua inesgotável sabedoria) e a sua observação sobre o "espaço entre o estímulo e a resposta". Frankl dizia que, nesse pequeno intervalo, reside a nossa liberdade e o nosso crescimento. O "SE" que define a serenidade é:
"E 'SE' eu usar esse espaço para não ser apenas um efeito, mas uma causa?".
No campo de concentração, ele observou que os prisioneiros que mantinham a serenidade não eram os que ignoravam o horror, mas os que decidiam que o horror não lhes roubaria a dignidade de ajudar um companheiro ou dividir um pedaço de pão. Eles provaram que o equilíbrio é uma ferramenta de sobrevivência ética.
Em nosso 2026 de "positividade tóxica" e cursos rápidos de “mindfulness” que prometem paz como se fosse um produto de prateleira, corremos o risco de glamourizar o equilíbrio.
A verdadeira serenidade é suada; ela nasce do confronto com o medo e da aceitação da perda. Não é um estado de "zen" artificial, mas a quietude de quem já perdeu muito e descobriu que o que restou é indestrutível.
O entendimento do equilíbrio nos ensina que só está em paz quem aprendeu a dizer "não" ao desnecessário. O "SE" da serenidade nos permite atravessar os dias com uma economia de energia: não gastamos fogo com o que o vento pode apagar.
Nosso legado para o mundo não deve ser a vitória sobre os outros, mas a maestria sobre os nossos próprios impulsos.
A serenidade é o mastro que não quebra porque aprendeu a ver a tempestade como apenas mais um vento.
Se soubermos viver com essa consciência, perceberemos que não precisamos que o mundo se acalme para que possamos respirar; nós somos o nosso próprio fôlego.




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