SABEDORIA E MATURIDADE
- Carlos A. Buckmann
- 5 de fev.
- 3 min de leitura

SABEDORIA E MATURIDADE
“SE” até aqui navegamos pelas águas do autoconhecimento, dos encontros e do tempo, agora o horizonte começa a se revelar por inteiro.
O tema nos convida a observar o que sobra quando as urgências da juventude silenciam.
Precisamos entender que, se a juventude é a potência do fogo, a maturidade é a clareza da luz.
Nossa sociedade costuma confundir envelhecer com apenas acumular anos, tratando a maturidade como um declínio. No entanto, o "SE" da sabedoria e da maturidade nos lança um desafio de perspectiva: "E 'SE' o tempo não estivesse nos diminuindo, mas nos polindo, retirando o excesso de mármore para que a nossa verdadeira forma finalmente apareça?".
Vivemos sob a pressão de "ser alguém" no futuro, mas a maturidade é o momento em que percebemos que a vida não é um ensaio, mas a própria estreia constante.
Acredito firmemente, já chegado aos 80 anos, que a maturidade é a transição da busca pela quantidade para a busca pela qualidade, baseando-me não só nessa longa vivência, mas também em pensadores que viram na "tarde da vida" o momento de maior brilho.
Aristóteles, em sua Ética a Nicômaco, falava da Phronesis (sabedoria prática). Para ele, a virtude não é uma regra abstrata, mas a capacidade de encontrar o "justo meio" em cada situação. O seu "SE" é o da moderação: "E 'SE' a maturidade fosse a arte de saber quando acelerar e quando silenciar, transformando a nossa vontade em harmonia?".
Já Michel de Montaigne, o inventor do ensaio, escreveu grande parte de sua obra enquanto se retirava para sua torre. Ele descobriu que a maturidade é o reconhecimento da nossa própria imperfeição. O seu "SE" é o da aceitação: "E 'SE' a sabedoria consistisse apenas em aprender a habitar a própria pele, com todas as suas marcas e contradições?".
Ouso afirmar que ser maduro é deixar de brigar com a realidade para começar a dialogar com ela. É o ato de perceber que não precisamos vencer todas as batalhas para ganhar a guerra contra o vazio.
O "SE" da sabedoria nos pergunta se já somos capazes de olhar para o nosso passado não com arrependimento, mas com o reconhecimento de que cada erro foi um degrau necessário.
Isto posto, vemos que o "SE" da maturidade pode ajustar o nosso presente para viver uma realidade irrevogável.
Pensemos na frase atribuída a Michelangelo aos 87 anos: "Ancora imparo" (Ainda aprendo). No fim de sua vida, o homem que esculpiu a Pietà e pintou o teto da Capela Sistina não se via como um mestre acabado, mas como um eterno aprendiz.
O "SE" que regia sua velhice era o da curiosidade renovada: "E 'SE' o conhecimento não tiver um teto, mas for um horizonte que se expande quanto mais caminhamos?". Ele provou que a sabedoria não é o acúmulo de respostas, mas o refinamento das perguntas. A maturidade de Michelangelo não o tornou rígido; tornou-o mais fluido e sensível à beleza que ainda estava por ser descoberta.
Preciso deixar uma provocação necessária: - Em nossos dias de obsessão pela juventude eterna e procedimentos que tentam apagar as marcas do tempo, corremos o risco de nos tornarmos adolescentes perpétuos.
Quando negamos a maturidade, negamos a colheita. Uma vida que tenta ser apenas primavera é uma vida sem frutos. A sabedoria exige que aceitemos o nosso outono com a mesma elegância com que recebemos o sol de verão.
A dialética da maturidade nos ensina que a paz não é a ausência de conflitos, mas a presença de um centro firme. O "SE" da sabedoria nos permite ver o quadro completo: as sombras não estragam a pintura; elas dão profundidade.
A nossa maior obra de arte não é o que realizamos na pressa da afirmação, mas a serenidade que conquistamos na paciência da compreensão.
A maturidade é o momento em que a nossa bússola deixa de apontar para o "ter" e passa a indicar o "ser".
Se soubermos viver com essa consciência, aprenderemos que a vida fica mais leve quando deixamos de carregar o que não nos pertence.




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