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RANKING, MARGEM E ALGORITMO.

  • Carlos A. Buckmann
  • 17 de jan.
  • 3 min de leitura

RANKING, MARGEM E ALGORITMO.

O retrato objetivo da farmácia em 2025.

            Em 2025, o varejo farmacêutico deixou de ser interpretado por percepções e passou a ser definido por números.

            Não por opinião, nem por tradição, mas por dados consolidados de sell-out, ticket médio, giro e margem. O ranking dos produtos mais vendidos não conta uma história emocional, ele descreve, com precisão, como o mercado funciona.

            No topo do faturamento estão poucos produtos. Wegovy, Ozempic, Mounjaro e Forxiga concentram bilhões de reais em vendas anuais. Não lideram em unidades, mas dominam em receita. São medicamentos de alta tecnologia, alto valor unitário e forte influência de prescrição especializada. Representam uma mudança estrutural: a farmácia passou a capturar valor em terapias contínuas, caras e dependentes de adesão prolongada.

            Esses produtos não escalam sozinhos. Escalam porque há tecnologia por trás. Protocolos médicos baseados em dados, prontuários eletrônicos, prescrição digital, programas de adesão monitorados por aplicativos e acompanhamento remoto do paciente.

            O consumo deixou de ser episódico; tornou-se previsível. Para o varejo, isso significa recorrência, mas também dependência de sistemas integrados, controle de estoque preciso e negociação rigorosa com a indústria.

            Ao olhar o ranking por unidades, o cenário muda completamente.

            Losartana, dipirona, hidroclorotiazida, sinvastatina. Dezenas de milhões de caixas por ano. Margens comprimidas, concorrência intensa, preço como principal fator de decisão. Aqui, a tecnologia não cria valor percebido pelo consumidor, ela cria eficiência operacional. Quem não automatizou compras, reposição e precificação simplesmente perde margem.

            Esses produtos sustentam fluxo de caixa, não crescimento.

            São previsíveis, estáveis e pouco diferenciáveis. O diferencial não está no balcão, está no backoffice: sistemas de previsão de demanda, integração com distribuidores, leitura de giro em tempo real, gestão de ruptura próxima de zero.

            E há ainda o terceiro bloco do ranking: não medicamentos.

            Fraldas, desodorantes, produtos infantis e de higiene pessoal. Altíssimo giro, dependência direta de dados de comportamento e fidelização. Aqui, a tecnologia atua no CRM, nos programas de desconto personalizados, na análise de cesta e na comunicação direcionada. Não se vende fralda por conveniência, vende-se por recorrência bem gerida.

            O mercado farmacêutico de 2025 foi orientado por algoritmos, não por intuição. Quem define o sortimento não é mais o “feeling” do gestor, mas o cruzamento entre curva ABC, elasticidade de preço e margem líquida.

            Quem define promoções não é o calendário, mas o comportamento histórico do cliente.

            A farmácia que cresce é a que entende que tecnologia não é vitrine digital nem aplicativo bonito. É integração de dados. É leitura fria do ranking. É decisão baseada em evidência.

            Os números mostram isso sem rodeios:

a)    Poucos SKUs concentram a maior parte da receita.

b)    Muitos SKUs garantem volume, mas corroem margem.

c)    Não medicamentos sustentam relacionamento, mas exigem inteligência comercial.

            Nesse ambiente, o papel do gestor mudou. Não é mais “acompanhar vendas”. É interpretar indicadores. Não é “negociar desconto”. É proteger margem. Não é “atender bem”. É operar bem.

            A farmácia deixou de ser um espaço de narrativa e passou a ser um sistema. Um sistema onde dados entram, decisões saem e resultados aparecem, ou não.

            Em 2025, o ranking dos produtos mais vendidos não foi apenas uma lista.

            É um diagnóstico.

            E a tecnologia é o instrumento que separa quem lê esse diagnóstico de quem apenas o recebe.

            O que você vai fazer em 2026?

 

 
 
 

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