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QUANDO O DIREITO À VIDA É REVOGADO

  • Carlos A. Buckmann
  • 30 de mai. de 2022
  • 2 min de leitura


George Clemenceau (1841/1929), em defesa do caso Dreyfus, escreveu: “...quando se infringem os direitos de um, infringem-se os direitos de todos”.

Normalmente eu não costumo escrever sobre política e polícia, ou sobre Crime e Castigo (isso é lá com Dostoievski). Mas tem certas coisas, certos assuntos, que se a gente se calar, se omitir, passa a ser, por omissão, cúmplice de tais acontecimentos.

Mas afinal, de que é que estou falando, ou escrevendo? como queiram.

Estou me referindo aos acontecimentos amplamente divulgados pela imprensa: a chacina efetuada pela polícia do Rio de Janeiro, com o apoio da Polícia Rodoviária Federal, na Vila Cruzeiro, onde 16 dos 23 mortos não tinham mandado de prisão e pelo menos quatro das vítimas eram inocentes, como a cabelereira Gabriele, sem nenhum vínculo com o crime organizado ou sequer passagens pela polícia e, do mais bárbaro ainda, assassinato de Genivaldo de Jesus em uma câmara de gás improvisada numa viatura, outra vez da PRF.

Quando uma sociedade passa a temer a força descontrolada daqueles que são pagos para protegê-la, algo está muito errado, Quando a medida da força usada pelas forças de segurança tira vida de um único inocente, pois quem é morto sem prova de culpa transitada em julgado, constitucionalmente é um inocente, os limites da civilidade foram ultrapassados.

Então é de se perguntar, onde parou nossa evolução e começamos a involuir.

Dos seres vivos da natureza animal, o ser humano é o único que mata por prazer. Um prazer bestial e não animal, pois os animais assim não procedem. Nós, humanos, somos os únicos seres que quando nascemos, temos uma história evolutiva que ordinariamente nos é passada, ou seja, não partimos do zero, da ignorância total como os outros animais. No entanto, estes, se não evoluem com base histórica, também não involuem em sua ferocidade, nem matam por prazer.

O que torna esses crimes mais graves ainda, é quando descobrimos que na escola para a formação dessas forças, que conforme vídeos trazidos a público pelas redes sociais, se ministram formas te torturas, entre risos de instrutor e alunos, e que, mais tarde são tornadas práticas exatas do que foi ensinado.

Não dá para compactuar com essas práticas. Calar é aceitar a sua perpetuação e, se hoje o crime é cometido contra pessoas que não são de nossas relações, quem nos garante que amanhã não ocorrerão com pessoas ligadas a nós, ou mesmo com nós próprios?

Não dá para aceitar o “bandido bom é bandido morto”, assim como nos tempos da ditadura militar instalada pelo golpe de 64, não se podia aceitar o lema do CCC (Comando de Caça aos Comunistas) que “comunista bom era comunista morto”.

Hoje como ontem, criam os pavores ao comunismo, como arma para incentivar a barbárie. Quem baixou o “decreto” que se pode matar um outro ser humano através de chacinas ou torturas?

Até quando vamos continuar na involução ao barbarismo? Até quando vamos continuar aceitando que se infrinjam os direitos de um antes de infringir os direitos de todos? A afirmação de Clemenceau se faz mais autêntica e gritante do que nunca. Se antes foi em defesa de Dreyfus, hoje é em defesa dos Jesuses e Gabrieles que são torturados e mortos em nossas comunidades.

(a foto ilustrativa foi retirada do Google imagens, sem o devido crédito do autor)


 
 
 

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