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Propósito: De Dostoiévski ao Mundo dos Negócios

  • Carlos A. Buckmann
  • 4 de mai. de 2025
  • 3 min de leitura

Propósito: De Dostoievski ao Mundo dos Negócios        

            Eis-nos novamente a perscrutar a magna questão do “télos”, da finalidade intrínseca que deve imantar cada átomo de nossa existência. Como um farol em meio à névoa da trivialidade, o propósito eleva nossas ações da mera subsistência à esfera da significância.

            Para iluminar nossa reflexão, evoco a figura ímpar de Fiodor Mikhailovitch Dostoievski, gigante da literatura russa cujas palavras marcam através dos séculos com uma pungência atemporal. Nascido em Moscou, em 1821, e traspassado por uma vida de adversidades – desde a condenação à Sibéria por atividades subversivas até as convulsões da epilepsia e as agruras financeiras – Dostoievski transformou o crisol de suas experiências em ouro literário. Imortalizou-se com obras-primas como "Crime e Castigo" (1866), a visceral exploração da culpa e da redenção; "O Idiota" (1869), um comovente retrato da inocência em um mundo cínico; "Demônios" (1872), uma análise profética do niilismo e do extremismo político; e, culminando sua genialidade, "Os Irmãos Karamázov" (1880), um épico filosófico e psicológico que mergulha nas profundezas da fé, da dúvida, da moralidade e da complexa teia das relações familiares.

            A influência de Dostoievski transcende as fronteiras da literatura, irrigando os férteis campos da psicanálise. Sua perspicácia na sondagem das motivações inconscientes, na dissecação das neuroses e na representação da ambivalência humana pavimentou o caminho para as teorias de Sigmund Freud e de outros luminares da mente. Sua capacidade de dar voz aos recônditos mais obscuros da alma humana o consagrou como um mestre da introspecção psicológica.

            É neste contexto que ressoa com particular intensidade a epifania contida em "Os Irmãos Karamázov":

“O mistério da existência humana não está apenas em permanecer vivo, mas em encontrar algo pelo qual viver.”

             Essa assertiva, longe de ser um mero floreio retórico, atinge o âmago da condição humana. Cada indivíduo, em sua jornada única e irrepetível, anseia por um sentido que transcenda a mera funcionalidade biológica. A busca por um propósito confere substância aos nossos dias, impulsiona nossas escolhas e colore nossas experiências com a vibrante tonalidade da paixão.

            No intrincado labirinto do mundo dos negócios, a máxima dostoievskiana adquire uma relevância surpreendente. Empresas que se limitam à busca incessante pelo lucro, desprovidas de um propósito maior que as guie, tendem a navegar sem rumo, à mercê das ondas turbulentas do mercado. Em contrapartida, organizações que cultivam um propósito claro – seja ele a inovação disruptiva, a sustentabilidade ambiental, o impacto social positivo ou a excelência no atendimento ao cliente – não apenas prosperam economicamente, mas também inspiram lealdade em seus colaboradores e consumidores, construindo um legado duradouro.

            Testemunhamos inúmeros exemplos desta verdade. Indivíduos como Marie Curie, cuja paixão pela ciência a levou a desbravar os mistérios da radioatividade, ou Nelson Mandela, cuja luta incansável pela justiça e igualdade transformou uma nação, personificam a força motriz de um propósito bem definido. No âmbito empresarial, empresas como a Patagonia, com seu compromisso inabalável com a preservação ambiental, ou a Tesla, com sua visão audaciosa de um futuro energético sustentável, demonstram como um propósito genuíno pode impulsionar o sucesso e gerar um impacto positivo no mundo.

            O próprio Dostoievski, com sua vida marcada por sofrimento e resiliência, encarna a busca incessante por significado. Apesar das adversidades, ele encontrou em sua escrita não apenas um meio de subsistência, mas um veículo para explorar as complexidades da alma humana, para confrontar as grandes questões da existência e para legar à posteridade um tesouro de sabedoria e beleza. Seus contos e romances são testemunhos eloquentes de um homem que, imerso nas profundezas da experiência humana, encontrou um propósito que transcendeu suas dores e o elevou à imortalidade literária.

            Portanto, imbuídos da sabedoria dostoievskiana, lancemos um olhar atento sobre nossas vidas e indaguemos: qual é o nosso propósito? E lembrem-se, mesmo que a busca pareça árdua, como diria o próprio Dostoievski, a vida, por mais complexa que seja, sempre nos reserva alguma "beleza terrível" a ser desvendada.

            Se o propósito é a chave da existência… espero que o meu seja ajudar você a encontrar o seu!

 

 

 
 
 

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