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PORQUE A BELEZA EMOCIONA

  • Carlos A. Buckmann
  • 26 de jul. de 2021
  • 4 min de leitura

Imagens, sons, perfumes, poesias geram lembranças que mexem instantaneamente com nossos sentimentos. Ontem, 25/07/2021, domingo pela manhã (a partir de hoje vou datar meus textos para melhor contextualização) sentei-me no sofá da sala de meu apartamento, tomando meu chimarrão, onde a Ferrugem assistia tv no canal CURTA, um show intimista de (LA NEGRA) MERCEDES SOSA gravado em 1978. Com sua voz doce e ao mesmo tempo forte e penetrante senti que meus batimentos cardíacos aumentavam e meus olhos se encheram de lágrimas quando interpretou GRACIAS A LA VIDA, de autoria da chilena VIOLETA PARRA.

GRACIAS A LA VIDA, é um hino de louvor e agradecimento por tudo o que a vida nos dá, de bom ou de difícil de enfrentar (me nego a dizer de ruim, pois nós é que fazemos nossos momentos bons ou ruins) por isso troco, ruins por difíceis.

Como o espanhol é nossa língua irmã (latina), reproduzo aqui em seu idioma original para não perder sua força e intensidade:

Gracias a la vida que me ha dado tanto. Me dio dos luceros, que cuando los abro, Perfecto distingo lo negro del blanco Y en el alto cielo su fondo estrellado Y en las multitudes el hombre que yo amo.

Gracias a la vida que me ha dado tanto. Me ha dado el oído que en todo su ancho Graba noche y día, grillos y canarios, Martillos, turbinas, ladridos, chubascos, Y la voz tan tierna de mi bien amado.

Gracias a la vida que me ha dado tanto. Me ha dado el sonido y el abecedario; Con él las palabras que pienso y declaro: Madre, amigo, hermano, y luz alumbrando La ruta del alma del que estoy amando.

Gracias a la vida que me ha dado tanto. Me ha dado la marcha de mis pies cansados; Con ellos anduve ciudades y charcos, Playas y desiertos, montañas y llanos, Y en la casa tuya, tu calle y tu patio.

Gracias a la vida que me ha dado tanto. Me dio el corazón que agita su marco Cuando miro el fruto del cerebro humano, Cuando miro al bueno tan lejos del malo, Cuando miro al fondo de tus ojos claros.

Gracias a la vida que me ha dado tanto. Me ha dado la risa y me ha dado el llanto. Así yo distingo dicha de quebranto, Los dos materiales que forman mi canto, Y el canto de ustedes que es el mismo canto, Y el canto de todos que es mi propio canto. Gracias a la vida que me ha dado tanto.


Violeta Parra compôs essa música em 1966, após a separação de seu companheiro, o músico suíço Gilbert Favre e, mesmo em meio a essa dor da separação conseguiu achar beleza na vida.


Há de se entender também, que nas décadas de 60/70, toda a América Latina estava conflagrada sob ditaduras militares, onde as piores eram justamente as do Chile, da Argentina e do Brasil (“amigos mortos, amigos sumindo assim” cantava Gilberto Gil na sua versão da música de Bob Marley, No Woman No Cry). Eram os anos de chumbo, onde o pensamento liberto e libertador era considerado subversivo, comunista, de esquerda e outros adjetivos mais, que nem mesmo os milicos ditadores da época, entendiam seu significado (até hoje eles não entendem). Em meio a perseguição política por seu ativismo social, em profunda depressão, lamentavelmente, Violeta Parra deu fim a sua vida aos 49 anos, em 1967.


Vivíamos tempos difíceis nas décadas de 60 e 70, mas em meio as dificuldades encontrávamos beleza para continuar vivendo.

Os melhores autores (Gabriel Garcia Marques, Eduardo Galeano, Mário Vargas LLosa, João Ubaldo Ribeiro, Pablo Neruda), os melhores músicos e compositores (Chico Buarque de Holanda, Milton Nascimento, Pablo Milanés, Eduardo Venturini, Geraldo Vandré), os melhores textos de teatro (Plínio Marcos, Gian Francesco Guarnieri, Augusto Boal, Leilah Assumpção, Consuelo de Castro) as maiores lições de vida foram escritas e vivenciadas em meio a opressão e, era essa opressão que nos dava força para achar a beleza criativa.


A beleza que emociona está em saber, como disse Sêneca que: “O que realmente importa é viver bem, e não viver muito”. De que me valeriam todos estes anos que Deus me permitiu viver até aqui se não tivesse aprendido a ver a beleza também nos momentos difíceis?


F. NIETZSCHE, em seus últimos anos, quando passava da filosofia à loucura (morreu internado em um sanatório) escreveu uma das suas mais importantes obras “Ecce Homo’ (Eis o Homem), sua autobiografia. Nela transcreve um poema de seu amigo e discípulo Peter Gast (pseudônimo de Heinrich Koselitz), dizendo: “Eu não sei a diferença entre lágrimas e música – eu conheço a ventura de ser incapaz de pensar o SUL sem o arrepio do temor.

Sobre a ponte eu estava,

Há dias, na noite cinzenta.

Ao longe ouvi uma canção:

Ela pingava gotas de ouro

Pela superfície trêmula.

Gôndolas, luzes, música –

Ébria, ela nadou para a escuridão...

Minha alma, um alaúde,

cantou a si, invisível e ferida,

uma canção veneziana, e segredou,

trêmula de ventura colorida.

- Será que alguém escutou?...”


Sempre é possível e é preciso encontrar beleza nos momentos difíceis, pois quando eles tiverem passados, superados; imagens, sons, perfumes e poesias gerarão lembranças que mexem instantaneamente com nossos sentimentos. Daí, não tenha vergonha da lágrima que vai correr sobre sua face. Ela faz parte da beleza que emociona.

Pense nisso

e bons negócios prá nós.

25/07/2021

Sobrevivendo à pandemia.










 
 
 

1 comentário


Paulo Galvao
Paulo Galvao
30 de jul. de 2021

Muito lindo esse texto Beto. Emocionante.

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