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PONTO DE EQILÍBRIO

  • Carlos A. Buckmann
  • 15 de jan. de 2025
  • 5 min de leitura

Ponto de Equilíbrio: A Dança entre Custos e Receitas

"O sucesso de um negócio não se mede apenas pelo lucro, mas pela capacidade de manter um equilíbrio entre os recursos e as ambições." - Uma máxima que ecoa nos corredores da administração, mas que nem sempre é compreendida em sua totalidade.

O ponto de equilíbrio em um negócio é como a linha tênue que separa o lucro do prejuízo, a prosperidade da ruína. É aquele momento exato em que as receitas igualam-se aos custos, indicando o volume mínimo de vendas necessário para que a empresa opere sem gerar prejuízos.

A importância do equilíbrio:

Imagine uma balança. De um lado, os custos fixos (aluguel, salários, contas) e os variáveis (matéria-prima, comissões). Do outro, as receitas. Quando a balança está em equilíbrio, a empresa respira aliviada. Mas quando um lado pesa mais que o outro, a instabilidade se instala.

Empresas como a Amazon, por exemplo, são mestres no jogo do ponto de equilíbrio. A gigante do e-commerce investe pesado em logística e tecnologia, mas consegue manter seus custos sob controle graças a um eficiente modelo de negócio. Já empresas menores, muitas vezes, lutam para encontrar esse ponto ideal, sucumbindo diante da concorrência e da falta de planejamento.

O ponto de equilíbrio mental:

A analogia com a vida pessoal é inevitável. Assim como uma empresa precisa encontrar seu ponto de equilíbrio financeiro, cada um de nós busca um equilíbrio mental e emocional. É como encontrar o meio termo entre o trabalho e o lazer, a ambição e a paz interior. Quando esse equilíbrio é rompido, as consequências podem ser sérias, tanto para o indivíduo quanto para a organização.

Calculando o ponto de equilíbrio:

Mas como calcular esse tal ponto de equilíbrio? A fórmula é simples:

  • Ponto de equilíbrio = Custos fixos ÷ Margem de contribuição

A margem de contribuição é a diferença entre o preço de venda e os custos variáveis por unidade. A margem de contribuição é um indicador financeiro crucial que revela a saúde de um negócio, indicando a capacidade da empresa de gerar recursos para cobrir seus custos fixos e gerar lucro. Em outras palavras, ela representa a porcentagem das vendas que "sobra" após deduzir os custos variáveis diretamente ligados à produção ou venda de um produto ou serviço.

Existem duas formas principais de calcular a margem de contribuição:

  1. Margem de Contribuição Unitária:

Fórmula: Margem de Contribuição Unitária = Preço de Venda Unitário - Custo Variável Unitário

Exemplo: Se um produto é vendido por R$ 100,00 e o custo variável por unidade é de R$ 60,00, a margem de contribuição unitária será de R$ 40,00.

  1. Taxa de Margem de Contribuição:

Fórmula: Taxa de Margem de Contribuição = Margem de Contribuição Unitária / Preço de Venda Unitário

Exemplo: Utilizando os dados do exemplo anterior, a taxa de margem de contribuição seria de 40% (R$ 40,00 / R$ 100,00).

Interpretação da Margem de Contribuição

Margem de Contribuição Unitária: Indica o valor que cada unidade vendida contribui para cobrir os custos fixos e gerar lucro.

Taxa de Margem de Contribuição: Representa a porcentagem das vendas que é destinada a cobrir os custos fixos e gerar lucro. Quanto maior a taxa, maior a capacidade da empresa de gerar lucro.

Vamos para um exemplo prático:

Imagine uma empresa que produz camisetas. Cada camiseta é vendida por R$ 50,00 e o custo variável por unidade é de R$ 25,00. Os custos fixos mensais da empresa são de R$ 10.000,00.

  • Margem de Contribuição Unitária: R$ 50,00 - R$ 25,00 = R$ 25,00

  • Taxa de Margem de Contribuição: R$ 25,00 / R$ 50,00 = 50%

Para calcular o ponto de equilíbrio, basta dividir os custos fixos pela margem de contribuição unitária:

  • Ponto de Equilíbrio: R$ 10.000,00 / R$ 25,00 = 400 unidades

Ou seja, a empresa precisa vender 400 camisetas por mês para cobrir todos os seus custos.

Mas no varejo o assunto precisa ser mais bem avaliado, pois não existe produção, mas sim uma gama de produtos diferentes, comprados de fornecedores diferentes, com diferentes preços de custos e despesas variáveis.

A margem de contribuição no varejo é um indicador fundamental para entender a saúde financeira de uma loja e tomar decisões estratégicas sobre preços, mix de produtos e promoções. Ela representa a parcela da receita de cada produto que sobra após deduzir os custos variáveis diretamente ligados à venda daquele item.

A fórmula básica para calcular a margem de contribuição unitária é:

  • Margem de Contribuição Unitária = Preço de Venda Unitário - Custo Variável Unitário

Exemplo:

Imagine uma loja de roupas que vende uma camiseta por R$ 50,00. O custo variável por camiseta (incluindo a compra da peça do fornecedor e outros custos diretos da venda, como taxas e comissões) é de R$ 30,00.

Margem de Contribuição Unitária = R$ 50,00 - R$ 30,00 = R$ 20,00

Duas considerações específicas do varejo:

Custos Variáveis: No varejo, os custos variáveis podem incluir, além do custo de compra do produto, taxas de cartão de crédito, embalagens, fretes e comissões de vendedores.

Mix de Produtos: É importante analisar a margem de contribuição de cada produto ou categoria de produtos para entender qual contribui mais para o lucro da loja.

Precisamos considerar a sazonalidade: A margem de contribuição pode variar ao longo do ano, devido a fatores como sazonalidade e promoções.

Mas onde entra o CMV?

Precisamos destacar que a taxa de contribuição e o Custo das Mercadorias Vendidas (CMV) são dois conceitos cruciais na gestão financeira de uma empresa, e embora sejam distintos, estão intrinsecamente ligados.

O que é cada um?

Taxa de Contribuição: Como já vimos nas explicações anteriores, é a porcentagem das vendas que sobra após deduzir os custos variáveis diretamente ligados à produção ou venda de um produto ou serviço. Em outras palavras, é a parte da receita que contribui para cobrir os custos fixos e gerar lucro.

CMV: Representa o custo total dos produtos vendidos em um determinado período. Inclui os custos diretos de produção, como matéria-prima, mão de obra direta e custos indiretos de fabricação.

O que nos leva a seguinte pergunta: Qual a relação entre eles?

A relação entre a taxa de contribuição e o CMV é inversa. Quanto maior o CMV em relação à receita, menor será a taxa de contribuição. Isso ocorre porque o CMV "come" uma fatia maior da receita, deixando menos recursos disponíveis para cobrir os custos fixos e gerar lucro.

Para entender melhor, imagine uma fábrica de sapatos:

CMV alto: Se o custo da matéria-prima, mão de obra e outros insumos para produzir cada par de sapato for muito alto, o CMV será elevado. Consequentemente, a taxa de contribuição será baixa, pois uma grande parte da receita será utilizada para cobrir os custos diretos de produção.

CMV baixo: Se a empresa conseguir reduzir os custos de produção, o CMV diminuirá. Com isso, a taxa de contribuição aumentará, pois haverá mais recursos disponíveis para cobrir os custos fixos e gerar lucro.

Então, quando uma empresa alcança seu ponto de equilíbrio, ela garante sua sobrevivência e abre caminho para o crescimento. A empresa tem mais segurança para investir em novas tecnologias, expandir seus negócios e aumentar sua participação de mercado. Por outro lado, quando o ponto de equilíbrio não é alcançado, a empresa entra em uma espiral descendente, com dificuldades para honrar seus compromissos e, em casos extremos, à beira da falência.

O ponto de equilíbrio é como uma dieta: todos sabemos que é importante, mas poucos conseguem manter. É como tentar equilibrar uma bola em uma vara de bambu: um pequeno deslize e tudo vai por água abaixo. Mas, como diz o ditado, "quem não arrisca, não petisca". E encontrar o ponto de equilíbrio é, sem dúvida, um risco que vale a pena correr. Afinal, quem não quer ter uma empresa saudável e feliz, assim como uma vida pessoal equilibrada?

Ao entender e calcular esse indicador, as empresas podem tomar decisões mais estratégicas e aumentar suas chances de sucesso. E quem sabe, ao dominar o ponto de equilíbrio nos negócios, não aprendemos também a encontrar o equilíbrio em nossas próprias vidas?

Como podemos constatar, GESTÃO DE EMPRESAS NÃO É NEGÓCIO PARA AMADORES.

 

 
 
 

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