PEQUENAS CRÔNICAS SOBRE AS GRANDES FILOSOFIAS. - AUGUSTE COMTE.
- Carlos A. Buckmann
- 12 de mar. de 2025
- 4 min de leitura

“A liberdade é o direito de fazer o próprio dever"
A Revolução Positiva de Auguste Comte (1798-1857).
Auguste Comte, nascido em Montpellier, França, em 1798, foi um filósofo que revolucionou a forma como entendemos a sociedade e a ciência. Sua vida, marcada por altos e baixos, refletiu a intensidade de seu pensamento. Desde cedo, demonstrou uma mente brilhante e uma paixão pela ordem e pelo progresso. Cedo se rebelou contra os valores tradicionais e buscou uma nova ordem para a sociedade. Aos 16 anos, ingressou na Escola Politécnica de Paris, onde teve contato com grandes nomes da ciência e da filosofia. Embora não tenha completado o curso, sua passagem por essa instituição foi determinante para o desenvolvimento de suas ideias.
Comte é conhecido como o pai do positivismo, uma filosofia que buscava aplicar os métodos científicos ao estudo da sociedade. Suas principais obras, como o "Curso de Filosofia Positiva" e o "Sistema de Política Positiva", detalham sua visão de uma sociedade organizada e guiada pela razão e pela ciência. Comte propunha uma sociedade governada por cientistas e técnicos, onde a razão e a ciência substituiriam a fé e a tradição como guias da vida humana.
O positivismo de Comte se baseava na "lei dos três estados", que descreve a evolução da mente humana e da sociedade. Segundo essa lei, a humanidade passa por três estágios:
- Teológico: onde os fenômenos são explicados por forças sobrenaturais;
- Metafísico: onde as explicações são abstratas e filosóficas;
- Positivo: onde a ciência e a observação empírica são a base do conhecimento.
Comte acreditava que a sociedade havia alcançado o estágio positivo, onde a ciência poderia resolver os problemas sociais e guiar o progresso. Ele defendia a criação de uma "física social", que mais tarde seria chamada de sociologia, para estudar a sociedade de forma científica.
Na época de Comte, a Europa estava passando por grandes transformações sociais e intelectuais. O romantismo, com sua ênfase na emoção e na subjetividade, contrastava com o racionalismo de Comte. Enquanto pensadores como Hegel buscavam compreender a história através de uma dialética abstrata, Comte buscava uma abordagem mais concreta e científica.
Comparar o pensamento de Comte com outros filósofos de sua época revela tanto suas influências quanto suas divergências. Enquanto Karl Marx, seu contemporâneo, via a luta de classes como motor da história e pregava a revolução proletária, Comte acreditava na evolução gradual e pacífica da sociedade através do progresso científico. John Stuart Mill, por sua vez, valorizava o empirismo e a liberdade individual, aspectos que ressoam com o positivismo de Comte, embora Mill fosse mais cético quanto à centralização do poder nas mãos de uma elite científica.
Perto de Hegel, que via a história como um processo dialético de contradições e superações, Comte mantinha uma visão mais linear e otimista do progresso. Enquanto Hegel via a razão como um processo dialético que se realiza na história, Comte acreditava que a ciência e o conhecimento objetivo poderiam direcionar a sociedade a um futuro melhor e mais ordenado.
Ele também se diferenciava de outros pensadores de sua época por sua ênfase na ordem e na hierarquia social. Ele acreditava que a sociedade precisava de uma liderança forte e de uma estrutura social bem definida para alcançar o progresso.
O positivismo de Auguste Comte, embora tenha surgido no século XIX, ainda exerce influência significativa na sociedade atual, principalmente em áreas como a ciência, a política e a educação. Vamos dar uma olhada mais de perto em como essa corrente filosófica deixou sua marca.
1. Ciência e Tecnologia: O positivismo enfatiza a importância do conhecimento científico e da observação empírica. Isso ressoa fortemente na forma como a sociedade moderna valoriza a ciência e a tecnologia como motores do progresso. Instituições acadêmicas, centros de pesquisa e políticas públicas baseadas em dados refletem essa influência positivista.
2. Educação: Comte acreditava que a educação era fundamental para o desenvolvimento da sociedade. Hoje, vemos sistemas educacionais que valorizam a ciência, a matemática e o pensamento crítico, promovendo uma abordagem baseada em evidências para o aprendizado.
3. Governança e Política: A ideia de governança racional e científica também tem raízes no positivismo. Muitos governos e organizações internacionais buscam tomar decisões informadas por dados e análises, promovendo políticas públicas baseadas em evidências. No Brasil, a bandeira nacional ainda carrega o lema positivista "Ordem e Progresso", refletindo a esperança de que a racionalidade e a ordem possam levar ao desenvolvimento.
4. Sociologia: Comte é considerado um dos fundadores da sociologia. Suas ideias sobre a importância de estudar a sociedade de maneira científica continuam a influenciar a pesquisa sociológica moderna, que utiliza métodos quantitativos e qualitativos para entender fenômenos sociais.
Com sua visão de mundo tão organizada, provavelmente teria dificuldade em lidar com a era da informação e a complexidade da sociedade contemporânea. Ele, que buscava a ordem e a previsibilidade, se veria diante de um mundo caótico e imprevisível. Mas, mesmo assim, ele provavelmente insistiria em aplicar seus métodos científicos para tentar entender e organizar essa bagunça.
Fica a lição de que, mesmo nos meandros da filosofia, o importante é não perder de vista a razão. Ou, como diria o próprio Comte, "saber para prever, prever para prover". Afinal, se algum dia você se pegar discutindo filosofia no boteco, lembre-se de brindar à saúde do nosso amigo Comte. Com ciência e humor, a vida fica sempre mais leve!
VALE A PENA




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