PEQUENAS CRÔNICAS SOBRE AS GRANDES FILOSOFIAS
- Carlos A. Buckmann
- 18 de nov. de 2024
- 5 min de leitura

Quino e Mafalda (1932-2020)
Risadas e reflexões que ecoam através do tempo
Joaquín Salvador Lavado Tejón (1932-2020), mais conhecido como Quino, era um mestre da sátira e da observação aguda da condição humana. Através de sua personagem mais famosa, Mafalda, ele nos presenteou com uma crítica social inteligente e divertida, que transcende gerações e continua relevante até hoje. Sua obra mostra que filosofia não é só uma forma chata de entender a vida, mas pode ser uma forma divertida de nos situarmos no mundo.
Nascido na Argentina, Quino dedicou sua vida à criação de histórias em quadrinhos que abordavam temas complexos de forma leve e acessível. Mafalda, uma menina de seis anos com uma inteligência precoce e um senso de justiça aguçado, tornou-se um ícone da cultura popular latino-americana. A personagem, criada em 1964, era muito mais do que uma simples menina de quadrinhos. Ela representava a voz de uma geração que questionava o status quo e buscava um mundo mais justo e igualitário.
A obra de Quino, especialmente através de Mafalda, pode ser vista como uma verdadeira filosofia popular. Seus quadrinhos abordam temas como a política, a economia, a sociedade, a educação e as relações humanas, sempre com um olhar crítico e irônico.
Mafalda é uma crítica implacável ao consumismo, à guerra, à desigualdade social e à hipocrisia dos adultos. Através de suas tiradas ácidas, a personagem nos convida a refletir sobre o mundo em que vivemos e a questionar as normas estabelecidas.
As relações entre os amigos de Mafalda, como Felipe, Susanita e Manolito, são marcadas pela lealdade, pela cumplicidade e pelo respeito às diferenças. Quino nos mostra a importância da amizade como um dos pilares da vida humana.
Mafalda é uma otimista incondicional, que acredita na possibilidade de um mundo mais justo e igualitário. Sua esperança e seu desejo de mudança são contagiosos e nos inspiram a lutar por nossos ideais.
A obra de Quino foi reunida em diversos livros, que se tornaram verdadeiros clássicos da literatura infantil e juvenil. Em cada um deles, podemos encontrar uma reflexão profunda sobre a condição humana e a sociedade em que vivemos. Para quem se interessar, existe uma edição brasileira intitulada “Toda Mafalda”, que como o nome diz, condensou todos os livros nesse compêndio.
“O primeiro livro de Mafalda”: Nessa obra, somos apresentados à personagem e a seus amigos, e já podemos perceber sua personalidade crítica e questionadora.
“Mafalda invade a cozinha”: Neste volume, a personagem aborda temas como a alimentação, a nutrição e a importância de uma dieta saudável. E ela odeia sopa.
“Mafalda e seus amigos”: Aqui, Quino explora as relações entre os personagens e a importância da amizade na vida das crianças.
A obra de Quino continua a ser relevante nos dias atuais, pois seus temas são atemporais e universais. Mafalda tornou-se um símbolo da luta por um mundo mais justo e igualitário, e suas tiradas ácidas continuam a ecoar nas redes sociais e em diversos meios de comunicação.
A influência de Quino se estende além da literatura infantil e juvenil. Seus quadrinhos são utilizados em escolas e universidades como material didático para discutir temas como a cidadania, os direitos humanos e a ética.
Quino e Mafalda são um legado para a humanidade. Através de suas histórias, o cartunista argentino nos convidou a pensar, a questionar e a lutar por um mundo melhor. E isso é FILOSOFIA na forma mais direta. Sua obra é um exemplo de como a arte pode ser utilizada como filosofia e como ferramenta de transformação social.
A Argentina, país natal de Quino, era um dos epicentros dessas transformações. A ditadura militar, instaurada em 1966, exercia um forte controle sobre a sociedade, censurando a imprensa e perseguindo opositores. Nesse contexto, a obra de Quino se tornou uma forma de resistência e crítica social. - Quino precisava ser sutil em suas críticas para não ser censurado. A ironia e o humor se tornaram ferramentas poderosas para expressar suas ideias sem ser reprimido. Habilmente ele mostra como toda ditadura é burra. - Mafalda e seus amigos representavam a juventude argentina em busca de um futuro melhor, questionando os valores estabelecidos e a ordem social vigente.
As questões que Quino abordava em suas tirinhas, como a fome, a pobreza, a guerra e a desigualdade social, eram comuns a toda a América Latina. Mafalda se tornou um símbolo da luta por justiça e liberdade, unindo pessoas de diferentes países em torno de um ideal comum.
O conflito entre os Estados Unidos e a União Soviética também era um tema presente nas tirinhas de Quino. A personagem, com sua visão crítica, questionava a lógica da corrida armamentista e os impactos das grandes potências sobre os países em desenvolvimento.
Quino contribuiu para a construção de uma identidade latino-americana, ao abordar temas que ultrapassavam as fronteiras nacionais e unificavam os leitores em torno de uma mesma realidade.
A obra de Quino transcendeu as fronteiras da Argentina e da América Latina, conquistando leitores em diversos países do mundo. A simplicidade de suas histórias e a universalidade de seus temas fizeram de Mafalda um ícone da cultura popular.
Para alcançar um público mais amplo, as histórias de Mafalda foram adaptadas para diferentes idiomas e culturas. No entanto, a essência da personagem e suas críticas sociais foram mantidas, demonstrando a força e a atualidade de sua mensagem.
Leitores de diversos países se identificaram com Mafalda e seus amigos, encontrando em suas histórias reflexos de suas próprias vidas e de suas sociedades.
Mesmo décadas após sua criação, Mafalda continua a ser relevante, pois seus questionamentos sobre o mundo e a sociedade permanecem atuais.
A obra de Quino é um reflexo de seu tempo e de sua cultura, mas também um manifesto universal de esperança e justiça. Ao analisar a obra de Quino no contexto histórico e cultural, podemos compreender a profundidade de sua mensagem e sua importância para a sociedade.
Mafalda seguiu questionando o mundo, enquanto nós, adultos, nos contentávamos em pagar as contas e reclamar do trânsito. Moral da história: crescer é uma droga, mas a Mafalda nos lembra que nunca é tarde para manter viva a criança que existe dentro de nós. - A Mafalda nos ensinou que a vida é muito curta para sermos tão sérios. Que a gente precisa rir das nossas próprias bobagens e questionar tudo o que nos parece estranho. E que, no fundo, todos nós carregamos um pouquinho da Mafalda dentro de nós.
A vida é uma grande tirinha em quadrinhos, e nós somos os personagens. A diferença é que, ao contrário da Mafalda, nem sempre temos a chance de reescrever a história.
VALE A PENA.
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