PEQUENAS CRÔNICAS SOBRE AS GRANDES FILOSOFIAS
- Carlos A. Buckmann
- 17 de nov. de 2024
- 4 min de leitura

Gilles Deleuze (1925-1995)
Um Rizoma de Pensamentos
Gilles Deleuze, (1925/1995) um dos maiores filósofos do século XX, nos convida a pensar para além dos limites, a desconstruir as estruturas e a celebrar a multiplicidade. Sua filosofia, rica e complexa, é como um rizoma: um sistema de raízes que se ramifica em todas as direções, sem um centro fixo.
Nascido em Paris em 1925, Deleuze dedicou sua vida a explorar os meandros do pensamento, desafiando as noções tradicionais de sujeito, identidade e realidade. Sua obra, em colaboração com Félix Guattari, revolucionou a filosofia continental, influenciando diversas áreas do conhecimento, da literatura à política.
A vida de Deleuze, embora marcada por uma profunda reflexão filosófica, foi relativamente tranquila. Após concluir seus estudos, dedicou-se à docência e à pesquisa, publicando suas primeiras obras na década de 1950. Foi com a parceria com Guattari, a partir dos anos 1960, que sua obra ganhou maior visibilidade e impacto.
A filosofia de Deleuze é marcada por conceitos-chave como:
Rizoma: Em oposição à árvore, o rizoma representa uma estrutura horizontal, sem centro, que se ramifica em todas as direções. É a metáfora perfeita para pensar a multiplicidade, a diferença e a conexão entre os elementos.
Desterritorialização: Processo de fuga dos códigos e normas estabelecidos, abrindo caminho para a criação de novas formas de vida e pensamento.
Devir: Movimento contínuo de transformação e criação, que desafia a ideia de identidade fixa. O que há por vir.
Corpo sem órgãos: Um estado de potencialidade pura, livre de qualquer organização fixa, que permite a emergência de novas formas de vida.
Como ele é um pensador do século XX, suas obras são facilmente encontradas para estudo. Assim vamos fazer um pequeno resumo sobre elas e suas análises
“Diferença e Repetição”: Nesta obra, Deleuze investiga a natureza da diferença, mostrando como ela é o motor da criação e da mudança. A repetição, por sua vez, não é uma mera cópia, mas um processo de criação de novos sentidos.
“O Anti-Édipo”: Capitalismo e Esquizofrenia: Em parceria com Guattari, Deleuze faz uma crítica radical ao psicanálise freudiana e ao capitalismo, propondo uma nova concepção de desejo e de subjetividade.
“Mil Platôs”: Capitalismo e Esquizofrenia: Continuação do "Anti-Édipo", esta obra explora a multiplicidade de formas de vida, a desterritorialização e a criação de novos mundos.
“O que é a Filosofia?”: Nesta obra, Deleuze e Guattari oferecem uma reflexão sobre a natureza da filosofia, propondo uma nova maneira de pensar a criação e o conhecimento.
Em todas suas obras, vemos o conceito de rizoma como pensamento central do filósofo. Então, vamos particionar a ideia para entendermos melhor.
Rizoma: Uma Metáfora Subversiva.
Como descrevemos acima e ampliando a ideia, em oposição à metáfora da árvore, com suas raízes, tronco e galhos, o rizoma representa um sistema de raízes que se estende horizontalmente, sem um centro definido. Ele se ramifica em todas as direções, conectando-se a outros rizomas e formando uma rede complexa e em constante mutação. Alguns exemplos na natureza:
Bambus: Conhecidos por seus caules longos e flexíveis, os bambus se espalham rapidamente através de seus rizomas.
Gengibre: O gengibre que consumimos é um rizoma, e é a partir dele que novas plantas podem crescer.
Capim: A grama comum forma um denso tapete de rizomas, o que a torna difícil de erradicar.
O rizoma não possui um único ponto de origem, mas sim múltiplos pontos de partida e de chegada. Ele celebra a diversidade e a heterogeneidade.
Os rizomas se conectam de forma não hierárquica, estabelecendo relações complexas e multifacetadas.
O rizoma está em constante crescimento e transformação, adaptando-se a novas condições e gerando novas conexões.
Ao contrário da árvore, que possui um centro definido, o rizoma não tem um ponto focal. Ele é descentralizado e distribuído.
Na Prática Filosófica: - O rizoma questiona as estruturas de poder baseadas em hierarquias e centralizações, propondo modelos mais horizontais e participativos. - O rizoma incentiva um pensamento que se afasta das lógicas lineares e causais, valorizando a intuição, a associação livre e a criação de conexões inesperadas. - O rizoma reconhece a existência de múltiplos saberes e formas de conhecimento, valorizando a diversidade cultural e as experiências individuais.
O rizoma é utilizado para analisar redes sociais, movimentos sociais e processos de comunicação, que se caracterizam por sua complexidade e dinamismo. A literatura e as artes visuais exploram o rizoma para criar narrativas não lineares, obras abertas e experiências estéticas mais imersivas. - O conceito de rizoma inspira novas formas de organização política, mais democráticas e participativas, que valorizam a autonomia e a autogestão.
O conceito de rizoma continua a ser relevante para pensar o mundo contemporâneo, cada vez mais complexo e interconectado. Ele nos convida a repensar nossas instituições, nossas relações e nossas formas de conhecimento, buscando modelos mais flexíveis, dinâmicos e abertos à mudança.
A filosofia de Deleuze surge em um contexto marcado pelas grandes transformações do século XX, como a Segunda Guerra Mundial, a Guerra Fria e as revoluções culturais. Sua obra é uma resposta a esse contexto, oferecendo ferramentas para pensar a complexidade do mundo contemporâneo e as novas formas de subjetividade.
A obra de Deleuze continua a exercer uma grande influência em diversas áreas do conhecimento, como a filosofia, a literatura, as artes visuais, a política e os estudos culturais. Seus conceitos são utilizados para pensar temas como globalização, novas tecnologias, ecologia e questões de gênero.
Gilles Deleuze nos convida a pensar de forma criativa e a questionar tudo aquilo que damos como certo. Sua filosofia é uma verdadeira aventura intelectual, que nos desafia a explorar os limites do pensamento e a construir novos mundos. Ao ler Deleuze, somos convidados a desterritorializar nossas mentes e a criar novas conexões entre ideias e conceitos.
Enfim, quem já se viu perdido em um emaranhado de fios de fone de ouvido ou tentando desvendar a lógica de um novelo de lã, sabe bem o que é lidar com um rizoma. A filosofia de Deleuze nos ensina que, às vezes, a vida é mais como um novelo de lã do que uma árvore genealógica.
Quer entender de verdade o mundo? Jogue fora seus mapas mentais e abrace a complexidade! Deleuze nos convida a pensar como um jardineiro, cultivando um jardim de ideias sem fronteiras e sem medo da desordem. E quem sabe, no meio desse jardim, você não encontra uma nova forma de pensar sobre a vida, o amor e até mesmo o imposto de renda.
VALE A PENA.
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