PEQUENAS CRÔNICAS SOBRE AS GRANDES FILOSOFIAS
- Carlos A. Buckmann
- 15 de set. de 2024
- 3 min de leitura

A Morte de Sócrates em Tempos de Vida Eterna
A sala de espera do hospital era um labirinto de emoções, um microcosmo do que significa ser humano. A cada batida do relógio, a vida de alguém se transformava, um lembrete constante da finitude que permeia nossa existência. E foi nesse ambiente que me peguei pensando em Sócrates, em sua última noite, como retratada no “Fédon” de Platão.
Confesso que tudo o que sei sobre Sócrates, aprendi com Platão, seu discípulo. O filósofo ateniense, condenado à morte por questionar a ordem estabelecida, encarou seu fim com uma serenidade que ainda hoje nos fascina. Em seus últimos momentos, rodeado por amigos e discípulos, Sócrates não se desesperou, mas sim, aprofundou a discussão sobre a alma, a morte e a imortalidade.
Nos dias de hoje, a morte parece algo distante, um tabu a ser evitado (não é meu caso, esclareço logo, pois para mim a morte sempre foi um acontecimento natural, apenas sem data certa, mas impossível de ser evitada. Então, relaxa e goza). A cultura do consumo e a busca pela juventude eterna nos levam a negar a finitude, a buscar em tecnologias e tratamentos a promessa de uma vida sem fim. No entanto, a pandemia nos trouxe de volta à realidade, nos confrontando com a fragilidade da vida e a inevitabilidade da morte.
Mas será que a morte é realmente o fim? Sócrates, em seus argumentos, defendia a imortalidade da alma, sugerindo que após a morte, a alma se liberta do corpo e retorna ao mundo das ideias. Essa visão, embora metafísica, nos convida a refletir sobre a natureza da nossa existência.
Em um mundo cada vez mais conectado, a morte também se tornou um evento público. As redes sociais transformaram o luto em um espetáculo, onde a dor é compartilhada e comentada em tempo real. No entanto, essa exposição nem sempre é saudável, muitas vezes superficializando o processo de luto e impedindo que as pessoas vivenciem sua dor de forma autêntica.
Ao contrário de Sócrates, que teve a oportunidade de se despedir de seus amigos e familiares, muitos de nós vivenciamos perdas abruptas, sem tempo para nos preparar. A dor da perda é universal, mas a forma como cada um a vivencia é única.
A filosofia, como nos mostra o “Fédon”, pode nos oferecer ferramentas para lidar com a morte e com o luto. Ao refletir sobre a natureza da alma, sobre o significado da vida e sobre o nosso lugar no universo, podemos encontrar um sentido mais profundo para a nossa existência.
Em um mundo que busca a imortalidade, a morte nos convida a valorizar cada momento, a celebrar a vida e a construir relacionamentos significativos. Afinal, como disse Sócrates, “uma vida sem exame não vale a pena ser vivida”.
Então, examinemos: - Em um mundo frenético e repleto de estímulos, encontrar um propósito pode parecer uma tarefa desafiadora. A filosofia nos convida a desacelerar e a olhar para dentro de nós mesmos. Através da reflexão, podemos identificar nossos valores, nossas paixões e nossos talentos.
A filosofia nos incita a fazer perguntas fundamentais sobre a vida: Quem sou eu? Qual é o meu lugar no mundo? Qual é o sentido da vida? Ao buscar respostas para essas perguntas, podemos construir uma narrativa pessoal que nos dê um senso de direção e propósito.
Filósofos como Aristóteles, Nietzsche e Sartre nos oferecem diferentes perspectivas sobre a vida e a busca por um significado. Ao estudar suas ideias, podemos ampliar nossa compreensão do mundo e encontrar novas formas de pensar sobre nós mesmos.
A filosofia ética nos ajuda a distinguir entre o certo e o errado, a tomar decisões justas e a construir relacionamentos significativos. Ao viver de acordo com nossos valores, podemos experimentar um senso de propósito e realização.
Em resumo:
A filosofia é uma ferramenta poderosa para construir uma vida significativa. Ao nos ajudar a encontrar um propósito, a lidar com a finitude e a desenvolver nossas capacidades intelectuais e emocionais, a filosofia nos oferece um guia para navegarmos pelas complexidades da existência humana. Fédon, a obra de Platão, nos transmite tudo isso.
Lembrando um quadrinho de Schultz em que Charlie Braun fala para Snoopy: - “Só se vive uma vez, Snoopy” – ao que Snoopy responde: - “Errado! Só se morre uma vez. Vivemos todos os outros dias.”
Não sei se você concorda ou não, mas
VALE A PENA
#Fica a dica: Siga meu Blog




Comentários