PEQUENAS CRÔNICAS SOBRE AS GRANDES FILOSOFIAS
- Carlos A. Buckmann
- 13 de nov. de 2024
- 4 min de leitura

Millôr Fernandes (1923-2012)
O Filósofo que nos Fez Rir e Pensar
Milton Viola Fernandes o Millôr Fernandes, o camaleão das letras, transmutou a filosofia em humor, a crítica social em arte e a complexidade da vida em frases curtas e certeiras. Em seus aforismos, crônicas e desenhos, ele desvendou a alma humana com a mesma maestria de um cirurgião e a leveza de um palhaço.
Nascido no Rio de Janeiro em 1923, Millôr foi um autodidata voraz, que absorveu a sabedoria dos clássicos e a ironia do cotidiano. Sua obra, vasta e diversa, abrange desde a literatura infantil até a tradução de clássicos da filosofia. No entanto, é na crônica humorística e no aforismo que ele encontra sua voz mais singular.
O Filósofo da Vida Cotidiana
A filosofia de Millôr Fernandes não se encontra em tratados abstratos, mas sim nas pequenas coisas da vida. Ele nos convida a refletir sobre o absurdo da existência, a hipocrisia da sociedade e a fragilidade do ser humano. Seus livros são uma espécie de manual de sobrevivência para quem busca sentido em um mundo caótico.
“Humor nos Tempos do Collor”: Com o título fazendo uma paródia ao do romance de Gabriel Garcia Marquez, “O Amor nos Tempos do Cólera”, Millôr satiriza nesse livro a política brasileira dos anos 90, revelando a farsa que se esconde por trás da máscara da democracia. Através do humor, ele denuncia a corrupção, a desigualdade e a falta de ética dos poderosos.
“O Mundo é uma Bola de Bilhar”: Millôr explora a natureza aleatória da vida, comparando-a a um jogo de bilhar onde as bolas se chocam ao acaso. Ele nos mostra que o destino é uma força imprevisível que molda nossas vidas.
“O Homem é um Animal que Faz Filosofia”: Neste livro, Millôr investiga a condição humana, questionando o que nos diferencia dos outros animais. Ele conclui que a filosofia é uma característica única da espécie humana, uma tentativa de dar sentido à existência.
"A Bíblia do Caos", é uma coletânea de aforismos que se tornou um clássico da literatura brasileira. Nessa obra, o autor reúne suas mais perspicazes observações sobre a vida, a sociedade e a condição humana, com um humor irônico e uma sagacidade que o caracterizam.
Millôr, com sua maestria em sintetizar ideias complexas em frases curtas e impactantes, nos convida a uma reflexão profunda sobre os absurdos e as contradições do mundo em que vivemos. Seus aforismos são como pequenos golpes de realidade, capazes de nos fazer rir e pensar ao mesmo tempo.
Vejam a imensa filosofia encontrada em alguns aforismos icônicos de "A Bíblia do Caos":
"A vida é uma doença sexualmente transmissível."
Essa frase chocante, mas verdadeira, resume a busca incessante do ser humano por prazer e significado.
"O homem é um animal que faz filosofia e encontra explicações para tudo, inclusive para o que não tem explicação."
Aqui, Millôr ironiza a tendência humana de buscar respostas absolutas em um mundo cheio de incertezas.
"A felicidade é uma ilusão momentânea que serve para nos fazer suportar a infelicidade."
Essa frase nos lembra que a felicidade é um estado transitório e que a busca por ela pode ser uma fonte de sofrimento.
"O pessimista é um otimista bem-informado."
Com essa frase, Millôr defende a importância de ser realista e de não se iludir com falsas promessas.
Mas, por que "A Bíblia do Caos" é tão relevante?
Primeiro pela atemporalidade: Os aforismos de Millôr transcendem as barreiras do tempo e da cultura, pois abordam temas universais como o amor, a morte, a política e a sociedade.
Depois, pelo humor inteligente: O humor de Millôr é inteligente e sofisticado, capaz de fazer rir até os mais céticos. Ele utiliza a ironia e a sátira para denunciar os absurdos do mundo.
Segue-se pela reflexão profunda: Por trás do humor, há uma profunda reflexão sobre a condição humana e sobre o sentido da vida. Millôr nos convida a questionar tudo e a não aceitar passivamente as coisas como elas são.
E ainda porque tem linguagem acessível: A linguagem de Millôr é simples e direta, o que torna seus aforismos fáceis de entender e memorizar.
"A Bíblia do Caos" é um livro que nos convida a olhar para o mundo com outros olhos. É uma obra que nos faz rir, pensar e, acima de tudo, questionar. Ao ler Millôr, nos sentimos menos sós e mais conectados com a complexidade da existência humana.
A obra de Millôr Fernandes transcende as fronteiras do tempo e do espaço. Seus aforismos, curtos e incisivos, são compartilhados nas redes sociais e citados em conversas do dia a dia. Ele nos ensinou a rir de nós mesmos e a questionar o mundo ao nosso redor.
Millôr foi um mestre da linguagem, capaz de transformar o complexo em simples e o sério em divertido. Sua obra é um convite à reflexão e à leveza, um bálsamo para as nossas almas cansadas. Em um mundo cada vez mais dividido e polarizado, as ideias de Millôr nos lembram da importância da tolerância, do humor e da capacidade de enxergar o lado positivo da vida.
A influência de Millôr Fernandes se faz sentir em diversas áreas, desde a literatura até a publicidade. Seus aforismos são utilizados em campanhas publicitárias, em discursos políticos e em artigos de opinião. Ele inspirou uma geração de humoristas e escritores, que continuam a explorar o legado deixado por esse grande mestre.
Em um mundo cada vez mais sério e urgente, a obra de Millôr Fernandes nos convida a desacelerar e a apreciar a beleza das pequenas coisas. Ele nos lembra que a vida é uma comédia, e que o riso é a melhor arma contra a tristeza e o desespero.
Millôr Fernandes foi muito mais do que um humorista, ele foi um filósofo da vida cotidiana, um observador atento da sociedade e um mestre da linguagem. Sua obra, atemporal e universal, continua a nos inspirar e a nos fazer pensar. Ao ler Millôr, nos sentimos menos sós e mais conectados com a complexidade da existência humana.
Quer saber mais sobre a sabedoria de Millôr Fernandes? Então abra “A Bíblia do Caos” e prepare-se para uma jornada hilária e repleta de reflexões. Mas cuidado, você pode acabar questionando tudo o que você já acreditava sobre a vida. Ou não. Afinal, como dizia o próprio Millôr: “A vida é uma caixa de surpresas, e a maioria delas é desagradável."
VALE A PENA.
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