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PEQUENAS CRÔNICAS SOBRE AS GRANDES FILOSOFIAS

  • Carlos A. Buckmann
  • 13 de nov. de 2024
  • 5 min de leitura

Paulo Freire (1921-1997)

O Educador Filósofo que Libertou a Palavra

Paulo Freire, o patrono da educação brasileira, nasceu em Recife em 1921. Sua trajetória, marcada pela paixão pela educação e pela luta por uma sociedade mais justa, o transformou em um dos mais importantes pensadores da pedagogia mundial e, desculpem-me, o mais odiado pelos analfabetos funcionais.

Freire ficou mundialmente conhecido por seu método de alfabetização de adultos, que ia muito além do simples ensino da leitura e da escrita. Para ele, a educação era um ato político, um caminho para a conscientização e a transformação social. Seu método, baseado na cultura popular e na experiência dos alunos, permitia que eles decodificassem o mundo ao seu redor e criassem um diálogo crítico com a realidade.

Paulo Freire, um dos mais influentes educadores do século XX, foi forçado ao exílio durante a ditadura militar brasileira. Essa experiência, embora dolorosa, foi fundamental para a ampliação de suas ideias e para a consolidação de sua reputação internacional.

Durante seus anos de exílio, Freire passou por diversos países, como Chile, Estados Unidos e África, onde ministrou cursos, palestras e consultorias. Em cada um desses lugares, ele encontrou um público receptivo às suas ideias sobre a educação como um ato político e libertador.

Em suas viagens, Freire teve a oportunidade de interagir com intelectuais e educadores de diversas partes do mundo. Sua passagem por universidades renomadas, como Harvard e Cambridge, o colocou em contato com as mais recentes pesquisas e debates sobre educação.

Algumas das principais contribuições de Freire durante o exílio foram: - Consolidação de sua teoria: O exílio proporcionou a Freire o tempo e o espaço necessários para aprofundar suas ideias e sistematizar sua teoria da educação. - Disseminação de suas ideias: Através de suas palestras e cursos, Freire levou sua pedagogia para diversos países, inspirando gerações de educadores. - Articulação com movimentos sociais: Freire estabeleceu contato com movimentos sociais de diversos países, fortalecendo a dimensão política de sua pedagogia. - Produção de novas obras: Durante o exílio, Freire escreveu algumas de suas obras mais importantes, como "Pedagogia do Oprimido".

Após o fim da ditadura militar, Freire retornou ao Brasil e continuou sua luta pela educação popular. Seu legado transcende as fronteiras nacionais e continua inspirando educadores em todo o mundo.

Sua filosofia pedagógica foi elaborada em sua vasta produção literária, da qual  vamos fazer uma análise possível.

"Pedagogia do Oprimido" Este é, sem dúvida, o livro mais conhecido de Freire. Nele, o educador brasileiro apresenta uma crítica contundente à educação tradicional, que ele denomina "bancária". Essa pedagogia, segundo Freire, transforma os alunos em recipientes a serem preenchidos com o conhecimento do professor. Em contraposição, ele propõe uma pedagogia libertadora, na qual educador e educando se encontram como sujeitos do processo de conhecimento e transformação social. A obra destaca a importância da conscientização dos oprimidos sobre sua condição e a necessidade de uma educação que promova a autonomia e a emancipação.

Em "Ação Cultural para a Libertação", Freire aprofundou a discussão sobre a relação entre educação e cultura. Para ele, a cultura popular era um rico manancial de conhecimentos e experiências que deveriam ser valorizados na escola. Ao analisar o contexto histórico e social em que os alunos estavam inseridos, a educação poderia contribuir para a construção de uma sociedade mais justa e democrática.

“Pedagogia da Autonomia”: Saberes Necessários à Prática Educativa: Nesta obra, Freire aprofunda a discussão sobre a prática educativa, destacando a importância da autonomia do professor. Para ele, o professor não é apenas um transmissor de conhecimento, mas um profissional reflexivo que busca constantemente aperfeiçoar sua prática. A obra apresenta uma série de saberes que são essenciais para o exercício da docência, como o saber fazer, o saber ser e o saber interagir.

Em "Educação como Prática da Liberdade", Freire retoma a discussão sobre a relação entre educação e política. Para ele, a educação não é neutra, mas sim um instrumento de transformação social. A obra apresenta uma análise crítica das diferentes concepções de educação e defende a ideia de que a educação deve ser um processo de libertação, que permita aos indivíduos compreenderem o mundo em que vivem e atuarem para transformá-lo.

“Educação e Mudança”: Nessa obra, Freire aborda a questão da mudança social e o papel da educação nesse processo. Ele argumenta que a educação é um instrumento fundamental para a transformação da sociedade, mas que essa transformação não ocorre de forma linear e progressiva. A obra destaca a importância da luta pela justiça social e da construção de uma sociedade mais humana.

“A Importância do Ato de Ler”: Aqui, Freire discute a importância da leitura para a formação do indivíduo. Para ele, a leitura não é apenas uma habilidade, mas um ato político que nos permite compreender o mundo e nos posicionar criticamente diante da realidade. A obra apresenta uma reflexão sobre o papel da leitura na construção do conhecimento e na formação da cidadania.

Freire viveu em um período de grandes transformações sociais e políticas no Brasil. A ditadura militar, que governou o país por mais de duas décadas, reprimiu as liberdades individuais e cerceou o direito à educação. Nesse contexto, as ideias de Freire foram consideradas subversivas e ele foi exilado. Como escreveu Melanie Klein - Quem come do fruto do conhecimento, é sempre expulso de algum paraíso."

A pedagogia de Paulo Freire teve um impacto profundo na educação latino-americana, especialmente em países que, assim como o Brasil, vivenciaram regimes autoritários e desigualdades sociais acentuadas. Suas ideias sobre educação como um processo de libertação e conscientização encontraram um terreno fértil nesses contextos.

Freire desafiou os modelos educacionais importados, propondo uma pedagogia que valorizasse a cultura e a experiência dos estudantes. Sua abordagem pedagógica visava a emancipação dos grupos marginalizados, incentivando a participação ativa e crítica na construção do conhecimento. O método de Freire estimulava o diálogo entre educadores e educandos, a partir da problematização da realidade social. A alfabetização era compreendida não apenas como o domínio da leitura e da escrita, mas como um processo de transformação social.

A obra de Paulo Freire está intrinsecamente ligada aos movimentos sociais. Ele entendia que a educação era um instrumento fundamental para a transformação social e que os educadores deveriam estar engajados nas lutas por justiça e igualdade.

O exílio foi um período fundamental para a produção intelectual de Paulo Freire. Longe do Brasil, ele teve a oportunidade de aprofundar seus estudos, dialogar com outros intelectuais e refletir sobre sua experiência. O contato com diferentes culturas e realidades permitiu a Freire ampliar seus horizontes e enriquecer sua teoria. O exílio proporcionou a Freire o tempo e o espaço necessários para sistematizar suas ideias e escrever obras como "Pedagogia do Oprimido". - Freire estabeleceu contato com intelectuais de diversos países, consolidando sua reputação internacional, o que  permitiu-lhe aprofundar sua análise crítica das desigualdades sociais e da opressão.

O exílio foi um período crucial para a formação de Paulo Freire como pensador/filósofo. Foi durante esse período que ele desenvolveu uma das pedagogias mais influentes do século XX, deixando um legado que continua inspirando gerações de educadores e ativistas sociais em todo o mundo.

A obra de Paulo Freire, o filósofo da educação,  continua extremamente relevante nos dias atuais. Seus conceitos sobre educação, cultura e conscientização são fundamentais para enfrentar os desafios do século XXI. Em um mundo cada vez mais globalizado e desigual, a pedagogia libertadora de Freire oferece ferramentas para promover a inclusão, a diversidade e a cidadania.

E você,  já parou para pensar como as ideias de Paulo Freire se aplicam à sua vida? Ou será que você prefere continuar acreditando que a educação é só mais uma matéria a ser estudada e esquecida? Afinal, como dizia o próprio Freire: “A educação não muda o mundo. A educação muda as pessoas que vão transformar o mundo.”

VALE A PENA.

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