PEQUENAS CRÔNICAS SOBRE AS GRANDES FILOSOFIAS
- Carlos A. Buckmann
- 8 de nov. de 2024
- 4 min de leitura

Søren Kierkegaard (1813-1855)
O Filósofo que Esculpiu a Angústia
Søren Kierkegaard, o dinamarquês que ousou questionar a fé e a existência humana, nasceu em Copenhague em 1813. Sua vida, marcada por uma profunda religiosidade e uma relação conturbada com a figura paterna, moldou um pensamento único e provocativo. Kierkegaard não se encaixava nos moldes acadêmicos de sua época e preferia a escrita como forma de expressar suas ideias, utilizando pseudônimos para explorar diferentes perspectivas.
Kierkegaard viveu em um período de grandes transformações sociais e intelectuais. A Revolução Industrial e o Iluminismo estavam desafiando as antigas tradições e valores. O filósofo dinamarquês, ao criticar a racionalidade excessiva e o individualismo exacerbado de sua época, antecipou muitas das questões que nos preocupam hoje.
A filosofia de Kierkegaard é marcada pela individualidade e pela subjetividade. Para ele, a verdade não é algo objetivo a ser descoberto, mas uma experiência pessoal que se constrói através das escolhas que fazemos. O filósofo dinamarquês nos convida a uma profunda reflexão sobre nossa existência, a fim de encontrarmos nosso próprio sentido e propósito.
Em obras como "O Estágio de Ser Estético", "O Estágio de Ser Ético" e "O Estágio Religioso", Kierkegaard explora os diferentes estágios da existência humana. No primeiro estágio, o indivíduo busca prazer e satisfação imediata, vivendo uma vida superficial e hedonista. No segundo estágio, a pessoa assume responsabilidades e vive de acordo com as normas sociais e morais. Por fim, no estágio religioso, o indivíduo estabelece uma relação pessoal com Deus, transcendendo as limitações da existência terrena.
Resumindo suas obras:
O Estágio de Ser Estético: Nessa obra, Kierkegaard critica a busca desenfreada por prazer e a superficialidade da vida estética, mostrando como essa forma de existência é vazia e insatisfatória.
O Estágio de Ser Ético: Aqui, o filósofo explora a importância da responsabilidade individual e da escolha moral. Kierkegaard argumenta que a vida ética exige um compromisso com os outros e com a comunidade.
O Estágio Religioso: Neste último estágio, Kierkegaard apresenta a fé como a única forma de encontrar um significado profundo para a vida. A relação com Deus é vista como uma escolha radical, que exige um salto de fé e um abandono de todas as certezas.
É perfeitamente possível e enriquecedor comparar a filosofia de Kierkegaard com a de outros filósofos, tanto de sua época quanto de períodos posteriores. Ao fazer essas comparações, podemos identificar tanto as singularidades quanto as conexões entre diferentes pensadores, aprofundando nossa compreensão de cada um deles.
A Angústia como Ponto de Partida: Tanto Kierkegaard quanto Sartre consideram a angústia como uma experiência fundamental da existência humana. Para ambos, ela surge da consciência da liberdade e da responsabilidade que acompanha nossas escolhas. No entanto, enquanto Kierkegaard vincula a angústia à relação com Deus e à finitude da existência, Sartre a associa à condição humana de ser livre e condenada à liberdade.
A Liberdade como Condenação: Para ambos, a liberdade é uma condição humana fundamental, mas também uma fonte de angústia. Sartre, em particular, enfatiza a ideia de que a liberdade é uma condenação, pois somos responsáveis por todas as nossas escolhas, mesmo as mais absurdas. Kierkegaard, por sua vez, vê a liberdade como uma oportunidade para o desenvolvimento espiritual, mas também como uma fonte de tentação e angústia.
NIETZSCHE E A Morte de Deus: Ambos os filósofos declaram a "morte de Deus" em um sentido simbólico, indicando o declínio da influência da religião tradicional na sociedade moderna. No entanto, suas interpretações e consequências dessa morte são distintas. Para Nietzsche, a morte de Deus é uma oportunidade para o surgimento de um novo tipo de homem, o Übermensch, que cria seus próprios valores. Kierkegaard, por sua vez, vê a morte de Deus como um desafio à fé individual e uma oportunidade para uma relação mais pessoal com o divino.
A Busca por Novos Valores: Ambos os filósofos se dedicam à busca por novos valores para orientar a vida humana. Nietzsche propõe uma moralidade baseada na afirmação da vida e na superação dos valores tradicionais. Kierkegaard, por sua vez, busca uma fé autêntica e uma existência autêntica, que transcende os valores mundanos.
Heidegger e A Questão do Ser: Tanto Kierkegaard quanto Heidegger se preocupam com a questão do ser, ou seja, com a natureza fundamental da existência. No entanto, suas abordagens são distintas. Heidegger busca uma ontologia fundamental, investigando a estrutura do ser a partir da experiência humana. Kierkegaard, por sua vez, está mais interessado na existência individual e na relação entre o indivíduo e o divino.
A Temporalidade: Ambos os filósofos reconhecem a importância da temporalidade para a compreensão da existência humana. Heidegger desenvolve uma complexa análise da temporalidade, mostrando como o ser humano está sempre "lançado no tempo" e como essa condição molda nossa experiência. Kierkegaard, por sua vez, enfatiza a importância do momento presente e da escolha individual no tempo.
É importante ressaltar que as comparações filosóficas devem ser feitas com cuidado e nuance. Cada filósofo possui um contexto histórico e cultural único, e suas ideias devem ser interpretadas à luz desse contexto. Além disso, é fundamental evitar simplificações excessivas e estereótipos.
O pensamento de Kierkegaard continua relevante nos dias de hoje. Seus escritos sobre angústia, escolha e fé ressoam em um mundo cada vez mais individualista e incerto. A filosofia existencialista, da qual Kierkegaard é considerado um dos precursores, continua a inspirar escritores, artistas e pensadores de diversas áreas.
Em um mundo marcado pela busca incessante por felicidade e sucesso, a obra de Kierkegaard nos convida a desacelerar, a refletir sobre nossas escolhas e a encontrar um sentido mais profundo para a vida. Ao explorar a complexidade da existência humana, Kierkegaard nos ajuda a compreender melhor a nós mesmos e o mundo que nos cerca.
Quer preparar uma boa dose de angústia existencial? Misture um pouco de Kierkegaard (para a dose de culpa), uma pitada de Sartre (para a liberdade que ninguém pediu), um toque de Nietzsche (para a morte de Deus) e finalize com um toque de Heidegger (para a questão do ser). Sirva com um bom livro de filosofia e um copo d'água, pois a reflexão pode dar sede. Aviso: esta receita pode causar insônia, crises existenciais e a urgente necessidade de encontrar um terapeuta, mas
VALE A PENA
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