PEQUENAS CRÔNICAS SOBRE AS GRANDES FILOSOFIAS
- Carlos A. Buckmann
- 2 de nov. de 2024
- 4 min de leitura

Martin Heidegger (1889-1976)
O Pensador da Floresta Negra
Uma Crônica sobre o Ser e o Nada
Nascido em Messkirch, na Floresta Negra, em 1889, Martin Heidegger dedicou sua vida a desvendar os mistérios do ser. Sua figura, com seu casaco longo e olhar penetrante, tornou-se icônica da filosofia existencialista. Mas Heidegger não se limitava a essa etiqueta. Sua obra é um convite profundo à reflexão sobre a condição humana, sobre o sentido da existência e sobre o próprio ato de pensar.
Heidegger viveu em um período marcado pelas guerras mundiais e pelo avanço da tecnologia. Sua filosofia, com sua ênfase na finitude e na autenticidade, encontra eco nas angústias e incertezas de seu tempo. A ascensão do nazismo na Alemanha, no entanto, lançou uma sombra sobre sua obra. Heidegger foi membro do partido nazista e, embora tenha se distanciado do regime após a guerra, suas posições políticas continuam sendo objeto de debate.
A obra de Heidegger é marcada por uma crítica radical à metafísica tradicional. Para ele, a filosofia ocidental havia se distanciado da questão fundamental: o que significa ser? Em "Ser e Tempo", Heidegger propõe uma nova ontologia, centrada no Dasein, “o ser-aí”, o ser humano lançado no mundo.
O Dasein não é um sujeito que observa o mundo de fora, mas está intrinsecamente ligado a ele. A existência é marcada pela temporalidade, pela finitude e pela angústia diante do nada. A morte, para Heidegger, não é apenas um evento futuro, mas uma possibilidade constante que condiciona todas as nossas escolhas.
“Ser e Tempo” é a obra-prima de Martin Heidegger e um marco na filosofia existencialista. Nela, o filósofo alemão busca resgatar a questão fundamental da filosofia: o ser.
O Dasein não é um sujeito isolado que observa o mundo, mas um ser-no-mundo, lançado em um tempo que é finito e marcado pela morte. A existência humana é caracterizada pela angústia, pela temporalidade e pela possibilidade de autenticidade ou inautenticidade. A autenticidade consiste em assumir a própria finitude e fazer escolhas significativas, enquanto a inautenticidade é marcada pela fuga da própria existência e pela conformidade com as normas sociais.
Heidegger analisa diversos aspectos da existência humana, como a compreensão, a preocupação, a culpa e a liberdade. A compreensão é a capacidade do Dasein de se relacionar com o mundo e com os outros, a preocupação é a abertura para o futuro e a possibilidade de mudança, a culpa é a experiência da não-autenticidade e a liberdade é a possibilidade de escolher o próprio modo de ser.
Além de "Ser e Tempo", Heidegger escreveu outras obras importantes, como "Ser e Tempo" (a segunda parte, inacabada),
No livro “A Questão da Técnica”, Heidegger realiza uma profunda reflexão sobre a técnica e suas implicações para a existência humana. O filósofo alemão critica a visão instrumental da técnica, que reduz tudo a um meio para um fim, esquecendo o ser. Para ele, a técnica moderna não é apenas um conjunto de ferramentas, mas uma forma de revelar o mundo, moldando nossa percepção e nosso modo de ser.
A técnica, segundo Heidegger, coloca o ser humano em uma posição de domínio sobre a natureza, mas ao mesmo tempo o aliena da própria essência. A técnica moderna, ao transformar tudo em objeto de cálculo e controle, obscurece a experiência do mundo e impede que o ser humano se relacione autenticamente com ele.
Heidegger defende a necessidade de uma nova relação com a técnica, uma relação que não se limite ao domínio e à instrumentalização, mas que permita uma experiência mais profunda e autêntica do mundo.
“Os Caminhos da Floresta Negra” é uma obra mais poética e reflexiva de Heidegger, na qual o filósofo explora a relação entre a linguagem, a poesia e a natureza. A floresta negra, um lugar de origem para Heidegger, serve como metáfora para a busca pela verdade e pelo sentido da existência.
A linguagem, para Heidegger, não é apenas um instrumento de comunicação, mas um modo de revelar o mundo. A poesia, em particular, é capaz de expressar o que não pode ser dito de forma racional, revelando a dimensão mais profunda da experiência humana.
A natureza, por sua vez, é vista como um lugar de encontro com o ser, um espaço onde o ser humano pode se conectar com algo maior do que si mesmo. A floresta negra, com sua beleza e mistério, representa a possibilidade de uma experiência autêntica do mundo, livre das ilusões e das construções artificiais da cultura.
Em resumo, as três obras analisadas apresentam diferentes aspectos do pensamento de Heidegger. “Ser e Tempo” é a fundação de sua filosofia, onde ele desenvolve uma nova ontologia centrada na existência humana. “A Questão da Técnica” é uma crítica à modernidade e à técnica, propondo uma nova relação com o mundo. “Os Caminhos da Floresta Negra” é uma obra mais poética e reflexiva, que explora a relação entre a linguagem, a poesia e a natureza.
A obra de Heidegger continua a ser relevante nos dias de hoje. Seus conceitos de autenticidade, de cuidado com o ser e de crítica à técnica ecoam em diversas áreas do conhecimento, da filosofia à ecologia. A questão do sentido da vida, da finitude e da relação entre o homem e a natureza são temas que continuam a nos desafiar.
Martin Heidegger foi um pensador que nos convida a olhar para nós mesmos e para o mundo de uma maneira nova. Sua filosofia, profunda e complexa, nos desafia a questionar nossas certezas e a buscar um sentido mais autêntico para a existência. Ao ler Heidegger, somos convidados a uma jornada de autodescoberta, uma busca incansável pela verdade sobre o ser.
Após desvendar os mistérios do ser com Heidegger, só nos resta um questionamento existencial: afinal, qual o sentido de tudo isso? Talvez a resposta esteja em uma boa cerveja, um amigo e uma conversa profunda sobre a finitude humana. Afinal, como dizia o filósofo existencialista num bar qualquer, “A vida é curta, a cerveja é gelada e o Heidegger é difícil de entender.”
Depois de todas essas reflexões sobre o ser, o nada e a autenticidade, talvez você esteja se perguntando: “E agora, o que eu faço com essa informação?” . A resposta é simples: faça sua lista de tarefas, pague as contas e tente não se desesperar com a finitude da existência. Afinal, “A filosofia é ótima, mas ninguém paga as contas com ela." Mas,
VALE A PENA.
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