PEQUENAS CRÔNICAS SOBRE AS GRANDES FILOSOFIAS
- Carlos A. Buckmann
- 1 de nov. de 2024
- 4 min de leitura

Wittgenstein (1889-1851)
O Filósofo que Desvendou os Limites da Linguagem
Ludwig Wittgenstein, figura emblemática da filosofia do século XX, nasceu em Viena em 1889. Sua vida foi marcada por uma intensa busca pela verdade, que o levou a explorar diversos campos do conhecimento, desde a engenharia até a filosofia. Sua personalidade complexa e introspectiva o tornou uma figura enigmática, mas sua influência na filosofia da linguagem e da mente é inegável.
A vida pessoal de Wittgenstein foi marcada por grandes contrastes. Ele era um homem rico que escolheu viver uma vida simples, um gênio matemático que se dedicou à filosofia, um austríaco que passou grande parte de sua vida na Inglaterra. Essas peculiaridades podem ter influenciado seu pensamento de diversas maneiras. A experiência de Wittgenstein como engenheiro pode ter contribuído para sua busca por uma linguagem clara e precisa.
A experiência traumática da guerra pode ter levado Wittgenstein a questionar os fundamentos da linguagem e do conhecimento.
As relações familiares complexas de Wittgenstein podem ter influenciado suas reflexões sobre a natureza da comunicação e da intersubjetividade.
A obra prima de Wittgenstein, o Tractatus Logico-Philosophicus, publicado em 1921, é uma obra densa e concisa que busca estabelecer os limites da linguagem e da lógica. Nele, Wittgenstein propõe uma visão da linguagem como um espelho da realidade, onde cada proposição possui um correlato lógico no mundo. O filósofo austríaco defende a ideia de que a linguagem tem um papel fundamental na construção do nosso conhecimento do mundo, mas também reconhece seus limites. A famosa frase "O que se pode dizer, pode ser dito claramente; e sobre o que não se pode falar, deve-se calar" resume a visão do autor sobre o papel da linguagem.
Após um longo período de silêncio, Wittgenstein retornou à filosofia com as “Investigações Filosóficas”, publicadas postumamente em 1953. Nessa obra, o filósofo abandona a visão rigidamente lógica do Tractatus e propõe uma abordagem mais flexível e pragmática da linguagem. É a isso que eu denomino a “DUALIDADE DO PENSAMENTO DE WITTGENSTEIN”. Ele argumenta que a linguagem é um fenômeno complexo e variável, que se utiliza de jogos de linguagem diferentes em diferentes contextos. A noção de jogo de linguagem é fundamental para entender a filosofia posterior de Wittgenstein, pois ela permite compreender como a linguagem molda nosso pensamento e nossas ações. Essa mudança de interpretação da linguagem, fez com que Bertrand Russel deixasse de admirá-lo.
A obra de Wittgenstein se insere no contexto da filosofia analítica, um movimento que busca a clareza e a precisão na linguagem filosófica. Influenciado por autores como Gottlob Frege e Bertrand Russell, Wittgenstein contribuiu de forma decisiva para o desenvolvimento dessa corrente de pensamento.
A influência de Wittgenstein na filosofia contemporânea é vasta. Seus escritos sobre a linguagem, a mente e o conhecimento continuam a ser objeto de estudo e debate entre filósofos de diversas áreas. As ideias de Wittgenstein sobre os jogos de linguagem, por exemplo, tiveram um grande impacto em campos como a filosofia da mente, a filosofia da linguagem e a filosofia da ação.
A obra de Wittgenstein continua a ser relevante nos dias de hoje. Em um mundo cada vez mais marcado pela linguagem, a reflexão sobre os limites e as possibilidades da linguagem é mais importante do que nunca. A filosofia de Wittgenstein nos convida a questionar as nossas próprias formas de pensar e falar, e a buscar uma compreensão mais profunda da realidade que nos cerca.
A filosofia de Wittgenstein, embora inovadora, não surgiu no vácuo. Ela dialoga de forma complexa com a tradição filosófica, especialmente com a filosofia da linguagem e a filosofia da mente.
Wittgenstein, assim como Kant, buscava entender os limites do conhecimento humano. No entanto, enquanto Kant se concentrava nos limites da razão pura, Wittgenstein se voltava para os limites da linguagem.
Tanto os filósofos da linguagem quanto os críticos literários se interessam pela análise da linguagem. Wittgenstein oferece ferramentas para uma análise mais profunda dos textos literários.
A lógica matemática de Frege e Russell teve uma profunda influência sobre o jovem Wittgenstein, que buscava construir uma linguagem lógica perfeita.
Embora Wittgenstein tenha se distanciado da fenomenologia, alguns autores encontram pontos de contato entre seu pensamento e o de filósofos como Husserl, especialmente na questão da intencionalidade e do significado.
A relação entre filosofia e psicologia sempre foi complexa, e Wittgenstein não foi exceção. Seu trabalho, especialmente as Investigações Filosóficas, contém reflexões sobre a natureza da mente, da consciência e da experiência.
O filósofo argumenta que nossa linguagem molda nosso pensamento. Essa ideia tem implicações importantes para a psicologia cognitiva, que busca entender como a mente processa informações.
A noção de jogo de linguagem de Wittgenstein pode ser relacionada com a psicologia social, que estuda como as interações sociais moldam nossos comportamentos e nossas identidades. Ele contribuiu para a filosofia da mente com suas reflexões sobre a consciência, a intencionalidade e o problema mente-corpo.
Portanto, a linguagem, objeto central da filosofia de Wittgenstein, é também o material básico da literatura. Não é de surpreender, portanto, que existam conexões entre o pensamento de Wittgenstein e a teoria literária.
Dizem que ele era um grande apreciador de café. Talvez seja por isso que ele conseguiu encontrar tanta profundidade em uma simples xícara de café. Afinal, como ele mesmo diria, a filosofia não é sobre encontrar grandes respostas, mas sobre fazer as perguntas certas. E, enquanto saboreamos uma boa xícara de café, podemos refletir sobre as perguntas que Wittgenstein nos legou.
O filósofo nos convidou a jogar o jogo da filosofia. E que jogo! Um jogo de regras complexas, com nuances e reviravoltas inesperadas. Mas, acima de tudo, um jogo que nos desafia a pensar de forma mais profunda e crítica sobre o mundo que nos cerca. E quem sabe, ao final desse jogo, não descubramos que a filosofia é, afinal, a coisa mais divertida do mundo.
VALE A PENA.
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