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PEQUENAS CRÔNICAS SOBRE AS GRANDES FILOSOFIAS

  • Carlos A. Buckmann
  • 30 de out. de 2024
  • 6 min de leitura

Schopenhauer (1788-1860)

O Pessimista Iluminado

Arthur Schopenhauer, o filósofo alemão que transformou o mundo em um palco de uma vontade cega e insaciável, merece um lugar de destaque em nossas Pequenas Crônicas. Nascido em Danzig, em 1788, Schopenhauer viveu uma vida marcada por conflitos familiares e uma busca incessante por reconhecimento intelectual. Sua obra, impregnada de um profundo pessimismo, continua a ecoar nos nossos dias, desafiando nossas concepções sobre a existência.

A obra-prima de Schopenhauer, "O Mundo como Vontade e Representação", é uma verdadeira jornada pelas profundezas do ser humano. Nela, o filósofo alemão apresenta sua visão da realidade como sendo movida por uma força irrefreável e inconsciente: a vontade. Essa vontade, presente em todos os seres, é a raiz de todo sofrimento, pois nos impulsiona a desejar incessantemente, gerando assim um ciclo interminável de insatisfação.

Em "A Dialética Erística", Schopenhauer nos oferece um guia para as armadilhas da argumentação, revelando as estratégias que as pessoas utilizam para manipular e convencer os outros. Já em "Sobre as Mulheres", o filósofo apresenta um olhar bastante controverso sobre o sexo feminino, o que, embora seja criticado por muitos, continua a gerar debates até os dias de hoje.

O pessimismo de Schopenhauer pode parecer desalentador, mas ele nos convida a uma reflexão profunda sobre a condição humana. Ao reconhecer o sofrimento como parte integrante da vida, podemos desenvolver mecanismos para lidar com ele de forma mais saudável. Além disso, a filosofia schopenhaueriana nos incentiva a buscar a transcendência da vontade, através da arte, da compaixão e da contemplação da natureza.

A obra de Schopenhauer teve uma grande influência em diversos pensadores, como Nietzsche, Freud e Wittgenstein. Seus conceitos sobre a vontade, o sofrimento e a natureza humana continuam a ser explorados em diversas áreas do conhecimento, como a psicologia, a psiquiatria e a filosofia.

Schopenhauer viveu em um período de grandes transformações, marcado pelo romantismo, pelo idealismo alemão e pelas revoluções industriais. Sua filosofia pode ser vista como uma reação a essas mudanças, uma tentativa de encontrar um sentido para a existência em um mundo cada vez mais complexo e alienante.

Arthur Schopenhauer nos legou um pensamento profundo e provocativo, que nos convida a questionar nossas crenças mais arraigadas e a buscar um significado mais profundo para a vida. Embora seu pessimismo possa parecer extremo, sua filosofia nos oferece ferramentas valiosas para lidar com as dificuldades da existência e para encontrar um caminho para a felicidade.

Ao explorar a vida e a obra de Schopenhauer, podemos perceber que suas ideias, apesar de terem sido formuladas há mais de um século, continuam a ressoar em nossos corações e mentes.

Ao comparar Schopenhauer com outros filósofos pessimistas, podemos traçar um mapa das diferentes nuances do pessimismo filosófico.

Schopenhauer vs. Nietzsche: Enquanto Schopenhauer vê a vontade como a raiz de todo sofrimento, Nietzsche, embora também reconheça a existência do sofrimento, celebra a afirmação da vida, mesmo em suas manifestações mais cruéis. A diferença entre os dois reside na forma como lidam com o niilismo: Schopenhauer busca uma fuga do sofrimento, enquanto Nietzsche propõe uma reavaliação dos valores.

Schopenhauer e o Budismo: Ambos compartilham a crença na natureza ilusória do mundo e na importância da renúncia aos desejos para alcançar a libertação do sofrimento. No entanto, enquanto o Budismo oferece um caminho prático para a iluminação através da meditação e da ética, Schopenhauer tende a uma visão mais pessimista da condição humana.

A influência de Schopenhauer na cultura pode ser percebida em diversas manifestações artísticas.

Escritores como Thomas Mann, Hermann Hesse e Leon Tolstói foram profundamente influenciados pelo pessimismo schopenhaueriano. Em suas obras, encontramos personagens atormentados pela vontade e pela busca por um sentido para a vida.

Compositores como Richard Wagner e Gustav Mahler encontraram na filosofia de Schopenhauer uma inspiração para suas obras, explorando temas como a vontade, o destino e o sofrimento.

 A arte expressionista, com seus temas sombrios e introspectivos, também revela a influência de Schopenhauer, que valorizava a representação das emoções mais profundas.

A noção de vontade em Schopenhauer antecipa em muitos aspectos o conceito de inconsciente freudiano. Tanto Schopenhauer quanto Freud postulam a existência de forças inconscientes que moldam o comportamento humano. A vontade schopenhaueriana e o id freudiano são ambos representações de desejos primitivos e impulsivos.

Mas, enquanto Schopenhauer enfatiza a natureza universal e atemporal da vontade, Freud se concentra nos conflitos psíquicos individuais.

Para Schopenhauer, a arte oferece um escape temporário da tirania da vontade. - Ao contemplar uma obra de arte, o indivíduo se desliga momentaneamente de seus desejos e se conecta com um mundo ideal, livre do sofrimento. - A música, segundo Schopenhauer, é a arte que mais se aproxima da essência da vontade, expressando-a de forma direta e emotiva.

Claro que o pensamento de Schopenhauer não está isento de críticas. -  Muitos acusam Schopenhauer de apresentar uma visão demasiado negativa da vida, negligenciando os aspectos positivos da existência. - A ideia de que a vontade controla tudo pode ser vista como uma forma de determinismo, que nega a liberdade humana. - As opiniões de Schopenhauer sobre as mulheres são frequentemente criticadas por serem machistas e generalizantes. Mesmo compreendendo a época em que ele viveu, não tem como negar que era um misógino e, além de tudo um racista que entendia que os negros eram seres inferiores.

Schopenhauer, com seu olhar pessimista sobre a existência, antecipou de certa forma a angústia e o desespero que marcam a experiência contemporânea.

A vontade, como força motriz do mundo em Schopenhauer, encontra um paralelo na sociedade de consumo, onde somos constantemente estimulados a desejar mais, gerando um ciclo interminável de insatisfação.

 A sensação de vazio e de falta de propósito, tão comum em nossa época, ecoa o sentimento de náusea diante da vida que Schopenhauer descreve em sua filosofia.

A valorização exacerbada do individualismo e a fragilidade das relações sociais contemporâneas também encontram um eco no pensamento de Schopenhauer, que enfatiza a natureza solitária da existência humana.

O pessimismo schopenhaueriano transcendeu os limites da filosofia acadêmica e se tornou uma espécie de "cultura”.

A busca por significado, a angústia existencial e a crítica à sociedade de consumo são temas recorrentes em obras literárias e cinematográficas contemporâneas, como as de autores como Camus, Sartre e muitos outros.

A melancolia e a introspecção presentes na obra de Schopenhauer encontram um paralelo na música gótica, darkwave e em muitos gêneros do rock.

Conceitos como a vontade, o sofrimento e a busca por significado são explorados em diversas correntes da psicologia e em livros de autoajuda.

A ascensão das tecnologias digitais e a criação de um mundo cada vez mais virtual também podem ser analisadas à luz do pensamento schopenhaueriano.

As redes sociais, por um lado, conectam as pessoas, mas por outro, podem intensificar sentimentos de solidão e isolamento.

A rápida obsolescência dos produtos tecnológicos e a busca incessante por novidades alimentam a vontade e a insatisfação, conceitos centrais na filosofia de Schopenhauer.

A crescente presença da inteligência artificial levanta questões sobre a natureza da consciência e da vontade, temas que estão no cerne do pensamento schopenhaueriano.

A filosofia de Schopenhauer, apesar de ter sido formulada em um contexto histórico diferente, continua a ser relevante para a compreensão da nossa época. Ao analisar a cultura contemporânea através das lentes do pessimismo schopenhaueriano, podemos obter insights valiosos sobre os desafios e as possibilidades do nosso tempo.

Em resumo, Schopenhauer nos ensinou que a vida é uma piada cruel, contada por um comediante com péssimo senso de humor. Mas, como diz o ditado, “o riso é o melhor remédio”. Então, vamos todos rir do absurdo da existência, como se não houvesse amanhã... porque, segundo Schopenhauer, talvez não haja mesmo!

Se você está se sentindo para baixo, deprimido e sem esperança, não se preocupe! Você está apenas pensando como um filósofo alemão do século XIX. Mas se, mesmo assim, quiser aprofundar seu sofrimento existencial, a obra de Schopenhauer é leitura obrigatória. Afinal, quem não gosta de uma boa dose de pessimismo para alegrar o dia?

E Schopenhauer pode ter nos dito que a vida é sofrimento, mas não nos disse que devemos nos resignar a ele. Então, vamos usar a filosofia como um guia para navegar pelas águas turbulentas da existência. Afinal, se o mundo é um palco, que tal escrevermos nosso próprio roteiro?

VALE A PENA.

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