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PEQUENAS CRÔNICAS SOBRE AS GRANDES FILOSOFIAS

  • Carlos A. Buckmann
  • 28 de out. de 2024
  • 3 min de leitura

NIETZSCHE – UM NIILISTA?

Nietzsche é um filósofo que nos convida a pensar de forma crítica e a questionar tudo aquilo que damos como certo. Sua obra é um convite à aventura do pensamento, uma busca incessante por novos significados e novas formas de viver.

Friedrich Nietzsche foi um pensador radical e provocativo que deixou um legado duradouro. Sua obra, marcada por uma linguagem poética e aforística, continua a desafiar e a inspirar leitores de todas as gerações. Ao analisar a obra de Nietzsche, podemos compreender melhor a complexidade do ser humano e as diversas faces da condição humana.

A relação entre Nietzsche e o existencialismo é um tema complexo e fascinante. Embora Nietzsche tenha vivido um século antes dos principais filósofos existencialistas, como Sartre e Camus, suas ideias sobre a individualidade, a liberdade e a busca por significado na vida apresentam pontos em comum com o existencialismo.

O indivíduo como ponto de partida: Tanto Nietzsche quanto os existencialistas colocam o indivíduo no centro de suas reflexões. Ambos enfatizam a importância da experiência subjetiva e a necessidade de cada um construir seu próprio sentido para a vida.

A liberdade e a responsabilidade: Nietzsche e os existencialistas concordam que a liberdade é uma característica fundamental da existência humana. No entanto, essa liberdade implica em uma grande responsabilidade: a de escolher nossos próprios valores e construir nosso próprio destino.

A angústia existencial: A angústia existencial, presente em Sartre e Camus, também pode ser encontrada em Nietzsche, especialmente em sua reflexão sobre o niilismo. A sensação de vazio e a busca por um significado para a vida são temas recorrentes em sua obra.

No entanto, existem também diferenças importantes entre Nietzsche e os existencialistas:

Deus e a religião: Enquanto os existencialistas frequentemente se opõem à religião, Nietzsche vai além, declarando a "morte de Deus" e propondo uma nova ética que não se baseia em valores transcendentes.

O super-homem: O conceito de super-homem em Nietzsche não se encaixa perfeitamente no existencialismo. Enquanto os existencialistas enfatizam a igualdade entre os homens, Nietzsche propõe a ideia de uma transcendência individual, um homem que supera os limites humanos.

A vontade de poder: A vontade de poder, um conceito central na filosofia de Nietzsche, não é um tema central para os existencialistas.

Nietzsche e a Crítica à Moral Cristã:

A crítica de Nietzsche à moral cristã é um dos pilares de seu pensamento. Ele argumenta que a moral cristã, ao enfatizar a humildade, a compaixão e a renúncia aos prazeres mundanos, enfraquece o homem e o impede de alcançar seu pleno potencial. - Nietzsche acusa a moral cristã de inverter os valores naturais. O que era considerado forte e nobre (a vida, a paixão, a força) passa a ser visto como pecaminoso, enquanto a fraqueza e a resignação são valorizadas.

A moral cristã, segundo Nietzsche, escraviza a vontade, submetendo o indivíduo a uma série de proibições e mandamentos. Isso impede o desenvolvimento da individualidade e da criatividade.

Nietzsche afirma que a moral cristã gera o ressentimento, um sentimento de inferioridade que leva os fracos a invejar e a odiar os fortes.

O niilismo é um tema central na filosofia de Nietzsche. Ele se refere à perda de sentido e propósito na vida, à sensação de que nada tem valor.

Ele vê o niilismo como um sintoma da decadência da cultura ocidental, marcada pela morte de Deus e pela perda dos valores tradicionais.

Embora o niilismo seja uma experiência dolorosa, Nietzsche o vê também como uma oportunidade para a criação de novos valores e uma nova forma de vida.

Para Nietzsche, a única saída do niilismo é a afirmação da vida em todas as suas manifestações. Isso significa criar novos valores, superar os limites da moral tradicional e viver uma vida intensa e autêntica.

E assim, meus caros, terminamos nossa breve jornada pelo universo filosófico de Nietzsche. Se você saiu daqui mais confuso do que antes, não se preocupe, você está no caminho certo. Afinal, como o próprio Nietzsche diria: “Quem não sabe o que quer, também não sabe o que diz.” Mas, se você se sentir tentado a criar sua própria filosofia após ler este texto, por favor, resista à tentação. Afinal, o mundo já tem filósofos demais e memes de menos. Crie as suas.

VALE A PENA.

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