top of page

PEQUENAS CRÔNICAS SOBRE AS GRANDES FILOSOFIAS

  • Carlos A. Buckmann
  • 27 de out. de 2024
  • 5 min de leitura

John Stuart Mill (1806-1873)

O Utilitarista que Defendeu a Liberdade

Um homem de muitas facetas

John Stuart Mill, nascido em Londres em 1806, foi um pensador que transcendeu as fronteiras da filosofia. Economista, político e lógico, Mill deixou um legado indelével na história do pensamento. Sua educação, marcada por um rigoroso programa de estudos desde a infância, moldou um intelecto inquieto e crítico. Aos 20 anos, sofreu uma crise existencial profunda, questionando o sentido da vida e o valor das ideias que havia absorvido. Desse período de angústia, emergiu um Mill mais maduro e humanista.

Mill era um utilitarista convicto, ou seja, acreditava que a ação correta é aquela que produz a maior felicidade para o maior número de pessoas. No entanto, sua visão do utilitarismo transcendia a mera soma de prazeres individuais. Para Mill, a qualidade dos prazeres também era importante, e alguns prazeres, como os intelectuais e morais, eram superiores aos prazeres puramente sensoriais.

Em "Utilitarismo", sua obra mais conhecida sobre o tema, Mill defende que a felicidade não é apenas um estado de prazer, mas também a ausência de dor e a capacidade de desenvolver nossas faculdades e realizar nossos potenciais. A felicidade, segundo ele, não é um fim em si mesmo, mas um meio para alcançar um estado de bem-estar mais elevado.

Outra grande preocupação de Mill era a defesa da liberdade individual. Em "Sobre a Liberdade", ele argumenta que a sociedade deve garantir a máxima liberdade aos indivíduos, desde que não prejudiquem os outros. A liberdade, para Mill, não é um fim em si mesmo, mas um meio para o desenvolvimento pessoal e social.

Mill temia a "tirania da maioria", ou seja, a possibilidade de uma sociedade democrática suprimir as liberdades individuais em nome do bem comum. Para ele, a diversidade de opiniões e a liberdade de expressão são essenciais para o progresso da sociedade.

A obra de Mill se insere no contexto do século XIX, marcado por grandes transformações sociais e políticas. A Revolução Industrial, o crescimento das cidades e o surgimento de novas classes sociais exigiam novas formas de organização social e política. Mill, como muitos de seus contemporâneos, buscava conciliar os ideais de liberdade individual com a necessidade de uma sociedade mais justa e igualitária.

John Stuart Mill foi um pensador complexo e multifacetado, cuja obra continua a inspirar e desafiar as novas gerações. Sua defesa da liberdade individual, sua visão humanista do utilitarismo e sua preocupação com a justiça social fazem dele um dos filósofos mais importantes do século XIX e um dos pensadores mais influentes da história da filosofia.

John Stuart Mill foi um dos primeiros filósofos a defender abertamente a igualdade de direitos entre homens e mulheres. Em uma época em que as mulheres eram consideradas cidadãs de segunda classe, Mill argumentava que a submissão feminina era um produto cultural e social, e não uma determinação natural.

Em sua obra "A Subjugação das Mulheres", Mill expõe de forma contundente os argumentos a favor da emancipação feminina. Ele questiona as bases biológicas e sociais utilizadas para justificar a desigualdade de gênero, e defende que as mulheres possuem as mesmas capacidades intelectuais e morais que os homens.

Vejamos, com mais calma os principais argumentos de Mill em defesa da igualdade de gênero:

Capacidades intelectuais: Mill argumentava que não havia nenhuma evidência empírica que sugerisse que as mulheres eram intelectualmente inferiores aos homens.

Desenvolvimento social: A submissão das mulheres impedia o desenvolvimento pleno da sociedade, pois impedia que metade da população contribuísse com seu potencial para o progresso social.

Felicidade: A desigualdade de gênero reduzia a felicidade tanto das mulheres quanto dos homens, pois impedia que ambos realizassem seus desejos e aspirações.

A influência de Mill no feminismo foi significativa. Suas ideias ajudaram a dar um embasamento filosófico ao movimento feminista e inspiraram diversas gerações de ativistas. Embora as conquistas do feminismo tenham sido graduais e ainda haja muito por fazer, a obra de Mill continua sendo uma referência importante para aqueles que lutam pela igualdade de gênero.

 

 

 

 

O pensamento de John Stuart Mill continua a ser relevante nos dias atuais. Suas ideias sobre liberdade, tolerância e igualdade influenciaram movimentos sociais e políticos em todo o mundo. O utilitarismo, embora tenha sido objeto de críticas, continua a ser uma das principais teorias éticas utilizadas para avaliar políticas públicas e tomar decisões morais.

Acho importante analisar o Utilitarismo de Mill vs. Outras Teorias Éticas. O utilitarismo de Mill, que busca maximizar a felicidade para o maior número de pessoas, difere de outras teorias éticas em diversos aspectos.

Deontologia: Teorias deontológicas, como a de Immanuel Kant, enfatizam o dever e a obrigação moral, independentemente das consequências. Para Kant, algumas ações são intrinsecamente erradas, mesmo que produzam um bem maior.

Virtude: Teorias da virtude, como a de Aristóteles, focam no desenvolvimento das virtudes morais, como a justiça, a coragem e a temperança. A ação correta é aquela que é praticada por uma pessoa virtuosa.

Ética do cuidado: Essa teoria, desenvolvida principalmente por filósofas feministas, enfatiza as relações interpessoais e a importância do cuidado para a vida moral.

Comparando o utilitarismo de Mill com essas outras teorias, podemos destacar os seguintes pontos: a) O utilitarismo se distingue por sua ênfase nas consequências das ações. Enquanto outras teorias se concentram em princípios abstratos ou em características do agente moral, o utilitarismo busca avaliar as ações em termos de seus resultados. b) Uma das críticas ao utilitarismo é a dificuldade de medir e comparar a felicidade de diferentes pessoas. Como podemos saber qual ação produzirá a maior quantidade de felicidade para o maior número de pessoas? c) O utilitarismo é frequentemente acusado de ser individualista, pois se concentra na soma da felicidade individual. No entanto, Mill argumenta que a felicidade individual está intrinsecamente ligada ao bem-estar da comunidade.

Resumindo: O utilitarismo de Mill oferece uma perspectiva útil (desculpe a redundância) para pensar sobre questões morais e políticas. No entanto, como toda teoria ética, ele possui suas limitações e desafios. A comparação com outras teorias éticas nos ajuda a entender melhor a natureza e o alcance do utilitarismo, bem como suas implicações para a vida moral.

É interessante notar que John Stuart Mill e Jeremy Bentham são considerados os principais fundadores do utilitarismo, uma teoria ética que defende que a ação correta é aquela que maximiza a felicidade para o maior número de pessoas. Embora ambos compartilhem a premissa básica do utilitarismo, suas perspectivas apresentam algumas nuances importantes.

Bentham propôs uma abordagem mais quantitativa do utilitarismo. Para ele, a felicidade poderia ser medida e comparada, e a ação correta era aquela que produzia a maior quantidade de prazer e a menor quantidade de dor.

Também Bentham tinha uma visão mais simples do prazer, considerando-o como uma experiência sensorial básica. Para Bentham, todos os prazeres eram iguais em valor, independentemente de sua natureza.

Mill introduziu uma dimensão qualitativa ao utilitarismo. Ele argumentava que nem todos os prazeres são iguais, e que alguns prazeres, como os intelectuais e morais, são superiores aos prazeres puramente sensoriais. Mill defendia que a qualidade do prazer era mais importante do que a quantidade. Por exemplo, o prazer de aprender algo novo era considerado superior ao prazer de comer um bom prato.  Mill enfatizava a importância da dignidade humana e da liberdade individual, argumentando que essas eram essenciais para a felicidade a longo prazo.

Tanto Bentham quanto Mill fizeram contribuições importantes para o desenvolvimento do utilitarismo. As diferentes nuances em suas perspectivas refletem as complexidades da vida moral e as diversas formas de conceber o bem e o mal. A discussão entre essas duas figuras continua a ser relevante para a filosofia moral contemporânea.

Assim, a discussão sobre o utilitarismo continua. Mill e Bentham deixaram um legado que ecoa até hoje, inspirando filósofos, economistas e políticos a repensar a natureza da felicidade e o papel do Estado. Mas uma pergunta ainda paira no ar: será que, em um futuro distante, os robôs utilitaristas conseguirão finalmente resolver essa questão? Aguardamos ansiosos por essa resposta, enquanto saboreamos mais um pedaço desse delicioso bolo filosófico.

VALE A PENA.

# Fica a dica: Siga meu Blog.

 

 
 
 

Comentários


CONTATO

Porto Alegre, RS 

​​

Tel: (51) 9 9259-6364

Skype: betobuckmann​

betobuckmann@yahoo.com.br

Nós recebemos a sua mensagem, aguarde contato.

  • LinkedIn - Círculo Branco
  • Facebook - Círculo Branco
  • Instagram - White Circle
  • YouTube - Círculo Branco

© 2023 por Hugin. Criado orgulhosamente com Wix.com

bottom of page