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PEQUENAS CRÔNICAS SOBRE AS GRANDES FILOSOFIAS

  • Carlos A. Buckmann
  • 23 de out. de 2024
  • 3 min de leitura

Erasmo de Roterdã (1466-1536)

O Príncipe do Humanismo.

Erasmo de Roterdã, nascido Gerrit Gerritszoon em 1466, na cidade holandesa que o imortalizaria em seu nome, foi um dos maiores intelectuais do Renascimento. Monge agostiniano por um período, logo abandonou a vida monástica para se dedicar aos estudos e à escrita, viajando por toda a Europa e estabelecendo contato com os mais importantes pensadores de sua época.

Sua obra, marcada por um estilo elegante e irônico, aborda temas como a religião, a educação, a política e a sociedade. Erasmo é considerado o principal representante do humanismo cristão, movimento que buscava conciliar a fé cristã com os valores da cultura clássica greco-romana.

Uma de suas obras mais famosas, e que é uma de minhas preferidas,  “Elogio da Loucura", é uma sátira mordaz que critica os costumes e as instituições de sua época. Sob a persona da Loucura, Erasmo ataca a Igreja, os teólogos, os filósofos escolásticos, os médicos e os políticos, revelando a hipocrisia e a corrupção que permeavam a sociedade e que a meu ver, permeiam até hoje. A Loucura, em sua loucura, revela a verdade sobre o mundo, expondo as falhas humanas e a futilidade de muitas das instituições e práticas sociais.

Erasmo era um defensor da educação e acreditava que o conhecimento era a chave para a construção de uma sociedade mais justa e pacífica. (Mais tarde vamos ver a coincidência com o pensamento de Paulo Freire).  Em "O Ensaio sobre a Civilização das Crianças", ele defende um modelo de educação humanista, baseado no estudo dos clássicos e no desenvolvimento das virtudes morais. Para Erasmo, a educação deveria formar cidadãos críticos e responsáveis, capazes de viver em harmonia com os outros.

O pensador holandês também era um pacifista convicto e defendia o diálogo como meio para resolver os conflitos. Em "A Queixa da Paz", ele critica a guerra e a violência, defendendo a importância da tolerância e da compreensão mútua entre os povos

Erasmo foi contemporâneo de Martinho Lutero e, embora compartilhassem de algumas críticas à Igreja Católica, suas visões sobre a reforma religiosa divergiam. Enquanto Lutero defendia uma ruptura radical com a tradição, Erasmo propunha uma reforma gradual e interna da Igreja. Ele acreditava que era possível conciliar a fé cristã com a razão e os valores humanistas, sem a necessidade de uma nova doutrina.

A obra de Erasmo continua a ser relevante nos dias atuais. Seus escritos sobre a importância da educação, da tolerância e do diálogo são mais atuais do que nunca. A crítica à hipocrisia e à corrupção, presente em "Elogio da Loucura", ecoa em nossos tempos, mostrando que os problemas humanos são atemporais. Ao ler suas obras, somos convidados a refletir sobre a condição humana e a buscar um mundo mais justo e fraterno.

O Ensaio sobre a Civilização das Crianças:

Nesta obra, Erasmo defende um modelo de educação humanista, baseado no estudo dos clássicos e no desenvolvimento das virtudes morais. Para ele, a educação não se limita à transmissão de conhecimentos, mas deve formar cidadãos críticos, responsáveis e capazes de viver em sociedade. A educação, segundo Erasmo, é a chave para a construção de um mundo mais justo e pacífico.

A Queixa da Paz

Um manifesto pacifista, onde Erasmo critica a guerra e a violência, defendendo o diálogo como a melhor forma de resolver conflitos. Ele argumenta que a guerra causa sofrimento e destruição, e que a paz é um bem supremo a ser perseguido por todos os povos. Através de uma linguagem poética e emotiva, ele conclama os líderes mundiais a buscarem a paz e a harmonia entre as nações.

Erasmo de Roterdã foi um dos maiores pensadores do Renascimento. Sua obra, marcada por um estilo irônico e crítico, aborda temas que continuam relevantes até os dias atuais, como a educação, a paz, a tolerância e a crítica social.

Erasmo de Roterdã, com seu 'Elogio da Loucura', provou que a humanidade não evoluiu muito desde a Renascença. Afinal, quem nunca se pegou pensando: 'Será que a Loucura não está no comando?'? Talvez a solução seja fundarmos um sindicato dos sábios, mas duvido que alguém se candidate a presidente.

Erasmo defendia que a educação era a chave para um mundo melhor. Se ele vivesse hoje, com certeza estaria criando memes educativos e viralizando no TikTok. Afinal, quem disse que filosofia não pode ser divertida?

Em tempos de 'fake news' e 'cancel culture', a Loucura de Erasmo parece mais sábia do que nunca. Talvez ele estivesse certo: a loucura é a única coisa que nos une de verdade.

Dizem que a história se repete. Se Erasmo voltasse hoje, provavelmente seria chamado de 'influencer' e teria um canal no YouTube com milhões de inscritos. Afinal, quem não ama um bom filósofo sarcástico e bem-humorado?

VALE A PENA.

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