PEQUENAS CRÔNICAS SOBRE AS GRANDES FILOSOFIAS
- Carlos A. Buckmann
- 17 de out. de 2024
- 5 min de leitura

Voltaire (1694-1778)
O Espírito Indomável da Razão
François-Marie Arouet, mais conhecido como Voltaire, foi um intelectual francês que deixou uma marca indelével na história do pensamento. Nascido em Paris em 1694, Voltaire foi um verdadeiro camaleão da cultura: filósofo, historiador, dramaturgo, poeta e ensaísta. Sua vida foi marcada por uma intensa atividade intelectual e por uma série de peripécias, que incluíram prisões e exílios.
Voltaire foi um dos principais expoentes do Iluminismo, um movimento intelectual que defendia a razão, a tolerância e o progresso. Suas ideias eram frequentemente expressas de forma irônica e mordaz, o que lhe rendeu muitos inimigos, mas também um grande número de admiradores.
Em suas obras, ele atacava a intolerância religiosa, a censura e o absolutismo. Defendia a liberdade de expressão, a liberdade de culto e a separação entre Igreja e Estado.
Seus pensamentos estão registrados em obras memoráveis:
Cartas Filosóficas (1734): Nessa obra, Voltaire critica a sociedade inglesa, mas, na verdade, faz uma crítica velada à sociedade francesa. Ele elogia a liberdade religiosa e a tolerância da Inglaterra, em contraste com a intolerância e a opressão que reinavam na França.
Cândido (1759): Essa famosa sátira ataca o otimismo ingênuo e a ideia de que tudo acontece para o melhor. Voltaire mostra que o mundo está cheio de sofrimento e injustiças.
Dicionário Filosófico (1764): Nessa obra monumental, Voltaire aborda uma grande variedade de temas, desde a religião à política. Ele critica a Igreja Católica, a superstição e a intolerância.
E finalmente, o "Tratado sobre a Tolerância", publicado em 1763, é uma obra que transcende seu tempo, ecoando com força nos debates contemporâneos sobre religião, justiça e direitos humanos. A inspiração para essa obra surgiu de um caso real e trágico: a injusta condenação e execução de Jean Calas, acusado de assassinar o próprio filho por ter se convertido ao catolicismo.
Indignado com essa injustiça, Voltaire empreendeu uma campanha para reabilitar a memória de Calas e, ao mesmo tempo, denunciar a intolerância religiosa que havia motivado a condenação. O "Tratado" surge como o fruto desse combate, um manifesto em defesa da liberdade de consciência e da tolerância religiosa.
No "Tratado sobre a Tolerância", Voltaire ataca os fundamentos da intolerância religiosa, expondo a hipocrisia e a violência que frequentemente acompanham as disputas religiosas. Seus argumentos principais podem ser resumidos da seguinte forma:
a) A diversidade de crenças é natural: Voltaire reconhece que a diversidade de crenças é inerente à natureza humana e que tentar impor uma única religião é uma tarefa impossível e, sobretudo, injusta.
b) A intolerância religiosa leva à violência: O filósofo demonstra como a intolerância religiosa tem sido a causa de inúmeros conflitos e atrocidades ao longo da história.
c) A religião não deve ser imposta pelo Estado: Voltaire defende a separação entre Igreja e Estado, argumentando que a fé é uma questão pessoal e não deve ser imposta por leis ou pela força.
d) A justiça deve ser imparcial: O caso de Jean Calas serve como um exemplo flagrante da falha da justiça quando influenciada por preconceitos religiosos. Voltaire exige que a justiça seja imparcial e baseada em provas, não em crenças.
Apesar de ter sido escrito há mais de dois séculos, o "Tratado sobre a Tolerância" continua extremamente relevante nos dias de hoje. As questões abordadas por Voltaire – intolerância religiosa, fanatismo, justiça e direitos humanos – permanecem como desafios urgentes para a sociedade contemporânea.
Em um mundo cada vez mais globalizado e multicultural, a necessidade de promover a tolerância e o respeito às diferenças é fundamental para construir sociedades mais justas e pacíficas. O "Tratado" de Voltaire nos lembra que a intolerância não é apenas um problema histórico, mas uma ameaça constante que deve ser combatida em todos os níveis.
Ao denunciar os perigos da intolerância e defender a justiça, Voltaire nos legou um legado que continua inspirando geraçõ
O pensamento de Voltaire continua a ser relevante nos dias de hoje. Suas ideias sobre liberdade, tolerância e razão são mais necessárias do que nunca em um mundo marcado por conflitos religiosos, intolerância e polarização política.
As críticas de Voltaire à Igreja e à religião organizada ainda ressoam em um mundo secularizado. Sua defesa da liberdade de expressão é fundamental em uma era em que a censura e a manipulação da informação são cada vez mais comuns
Voltaire foi um pensador visionário que antecipou muitos dos desafios que enfrentamos hoje. Sua obra é um convite à reflexão e à crítica. Ao ler Voltaire, somos desafiados a questionar nossas crenças, a defender nossos valores e a lutar por um mundo mais justo e tolerante.
Voltaire foi um dos principais expoentes do Iluminismo, um movimento intelectual que defendia a razão como a principal ferramenta para compreender o mundo e guiar a sociedade. Ao lado de outros pensadores como Montesquieu e Rousseau, Voltaire contribuiu para a construção de um novo ideal de sociedade, baseado nos seguintes princípios:
Razão: A razão era vista como a única fonte de conhecimento válido, capaz de superar a superstição e o dogmatismo.
Progresso: A crença no progresso da humanidade era um dos pilares do Iluminismo. Os iluministas acreditavam que a razão poderia levar à melhoria contínua das condições de vida.
Tolerância: A tolerância religiosa e intelectual era defendida como um valor fundamental. Voltaire, em particular, foi um ferrenho defensor da liberdade de expressão e da tolerância religiosa.
Liberdade individual: Os iluministas defendiam a liberdade individual como um direito natural, oposto ao absolutismo monárquico.
As ideias iluministas, em geral, e as de Voltaire em particular, tiveram um papel fundamental na eclosão da Revolução Francesa. Os revolucionários franceses inspiraram-se nos princípios iluministas de liberdade, igualdade e fraternidade para derrubar o Antigo Regime.
As ideias de Voltaire sobre tolerância, liberdade de expressão e crítica à Igreja contribuíram para a deslegitimação do poder absoluto do rei Luís XVI e da Igreja Católica. A defesa da razão e do progresso também alimentou o desejo de mudança e a busca por uma sociedade mais justa e igualitária.
Voltaire, como um dos principais filósofos do Iluminismo, plantou as sementes das ideias que culminaram na “Declaração dos Direitos do Homem”. Suas críticas à intolerância religiosa, ao absolutismo monárquico e à censura, assim como sua defesa da liberdade de expressão e da igualdade perante a lei, encontram eco direto nos princípios estabelecidos na Declaração.
Voltaire foi um ferrenho defensor da liberdade de pensamento e expressão. Esse princípio fundamental encontra-se expresso no artigo 11 da Declaração, que garante a livre comunicação de ideias e opiniões. Ele dedicou grande parte de sua obra a combater a intolerância religiosa. A Declaração, ao garantir a liberdade de culto, reflete essa preocupação.
Embora Voltaire não tenha usado o termo "igualdade" com a mesma frequência que outros filósofos, suas críticas às desigualdades sociais e políticas implicitamente defendem a ideia de que todos os homens são iguais perante a lei.
Ele era um crítico do absolutismo monárquico e defendia a limitação do poder do Estado. A Declaração, ao estabelecer direitos inalienáveis do indivíduo, limita o poder do Estado e o submete à lei.
A “Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão” não foi uma criação isolada, mas o resultado de um longo processo de debate e reflexão que marcou o século XVIII. Filósofos como Voltaire, Montesquieu e Rousseau contribuíram para a construção de um novo ideal de sociedade, baseado na razão, na liberdade e na igualdade.
A Declaração representou uma ruptura com o Antigo Regime e um marco na história do pensamento político. Seus princípios inspiraram revoluções em todo o mundo e continuam a influenciar as lutas por direitos e liberdades até os dias de hoje.
"Voltaire, se vivo fosse, provavelmente diria: 'A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão é um belo documento, mas a humanidade ainda tem muito o que aprender sobre a prática da tolerância'. E, infelizmente, ele não estaria tão errado, não é mesmo?" – Pense!
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