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PEQUENAS CRÔNICAS SOBRE AS GRANDES FILOSOFIAS

  • Carlos A. Buckmann
  • 10 de set. de 2024
  • 4 min de leitura

 

Matéria,  Forma, Eficiência e a Finalidade: Os Tijolos da Realidade Segundo Aristóteles

Quero complementar a análise do pensamento aristotélico pelos seus escritos de maior profundidade em A METAFÍSICA, que aliás, no original não tinha esse nome. Ele simplesmente a chamava de FILOSOFIA PRIMEIRA. Quem deu o nome de METAFÍSICA foi um de seus discípulos peripatéticos, ANDRÔNICO DE RODES.

Aristóteles, o filósofo grego que tanto influenciou o pensamento ocidental, dedicou grande parte de sua obra a desvendar os mistérios da natureza, trazendo para a realidade. Uma das suas maiores contribuições foi a elaboração de uma metafísica que buscava compreender a natureza das coisas, a substância que as compõe e os princípios que regem o universo.

Para Aristóteles, a substância é o que faz com que algo seja o que é. É o substrato fundamental de todas as coisas, aquilo que permanece idêntico a si mesmo ao longo das mudanças. No entanto, a substância não é apenas um substrato inerte, mas sim uma união indissolível de matéria e forma.

A matéria, segundo Aristóteles, é o princípio passivo da substância, aquilo que pode receber diversas formas. É o substrato informe e indeterminado que adquire uma determinada forma para se constituir em um ser particular. A madeira, por exemplo, é a matéria de uma mesa, mas por si só não é uma mesa.

A forma, por sua vez, é o princípio ativo da substância, aquilo que determina a essência de uma coisa. É a forma que organiza a matéria e a individualiza, transformando-a em um ser específico. A forma de uma mesa, por exemplo, é o que a distingue de uma cadeira ou de qualquer outro objeto.

A relação entre matéria e forma é intrínseca e indissociável. A matéria não pode existir sem a forma, assim como a forma não pode existir sem a matéria. A substância é o resultado dessa união, um composto de matéria e forma que possui uma identidade própria e um conjunto de propriedades características.

Para Aristóteles, a forma é o elemento mais importante da substância, pois é ela que determina a essência de uma coisa. Ao conhecer a forma de um objeto, conhecemos sua natureza e podemos compreendê-lo em sua totalidade. A forma é o que faz com que um ser seja aquilo que é e não outra coisa.

Para explicar a realidade, Aristóteles propôs a teoria das quatro causas: a causa material, a causa formal, a causa eficiente e a causa final. A causa material é a matéria que compõe uma coisa, a causa formal é a forma que a organiza, a causa eficiente é aquilo que produz a coisa e a causa final é o fim para o qual a coisa existe.

A metafísica aristotélica, embora tenha sido elaborada há mais de dois mil anos, continua a exercer uma grande influência sobre o pensamento contemporâneo. Os conceitos de substância, forma e matéria são ainda hoje utilizados em diversas áreas do conhecimento, como a filosofia, a ciência e a teleologia.

Essa filosofia  nos convida a refletir sobre a natureza da realidade e sobre o nosso lugar no mundo. Ao compreender os princípios que regem a existência, podemos adquirir uma visão mais profunda e abrangente da realidade e de nós mesmos.

Ao explorarmos as ideias de Aristóteles sobre a substância, a forma e a matéria, podemos encontrar respostas para algumas das nossas maiores perguntas e, ao mesmo tempo, abrir portas para novas indagações.

A teoria das quatro causas de Aristóteles oferece um arcabouço poderoso para compreendermos a complexidade da realidade. Ao decompor os seres em seus elementos constituintes e as relações entre eles, o filósofo grego nos convida a uma investigação profunda da natureza das coisas.

Ao considerar as quatro causas - material, formal, eficiente e final - Aristóteles buscava oferecer uma explicação completa de qualquer fenômeno. Essa abordagem holística permitia compreender não apenas o "o quê" e o "como" de uma coisa, mas também o "porquê" e o "para quê" de sua existência 

A causa final, o fim para o qual uma coisa existe, introduz uma dimensão teleológica na filosofia aristotélica. A natureza, para Aristóteles, é teleológica, ou seja, orientada para um fim. Cada ser possui uma finalidade intrínseca que guia seu desenvolvimento e comportamento. Essa perspectiva teleológica influenciou profundamente o pensamento científico e filosófico até o início da modernidade.

A teoria das quatro causas também serve como um instrumento para classificar os seres. Ao analisar a forma e a matéria de um objeto, podemos determinar a sua espécie e gênero, situando-o dentro de um sistema de classificação hierárquico.

A teoria aristotélica do movimento está intimamente ligada às quatro causas. A mudança ocorre quando um ser passa de um estado de potencialidade para um estado de atualidade, e isso envolve a transformação da matéria sob a ação da forma.

Embora a teoria das quatro causas tenha sido desafiada por diversas correntes filosóficas e científicas, sua influência permanece até os dias atuais. A ideia de que as coisas possuem uma causa e um fim continua presente em diversas áreas do conhecimento, como a biologia, a psicologia e a ética.

No entanto, a teoria das quatro causas também enfrenta críticas. A noção de causa final, por exemplo, tem sido questionada pela ciência moderna, que busca explicações mecanicistas e causais para os fenômenos naturais. Além disso, a classificação aristotélica dos seres pode parecer rígida e artificial quando aplicada a realidades complexas e em constante mudança. Além disso ela oferece uma ferramenta poderosa para a compreensão da realidade, mas não é uma explicação definitiva. Ao longo da história, essa teoria tem sido adaptada, revisada e questionada, dando origem a novas teorias e abordagens. A importância da teoria aristotélica reside em sua capacidade de estimular a reflexão e o debate sobre questões fundamentais da existência.

Ao refletir sobre essas questões, podemos aprofundar nossa compreensão da filosofia de Aristóteles e de suas contribuições para o pensamento humano.

Ficou difícil de entender? Nada mais natural, por isso Andrônico de Rodes a chamou de METAFÍSICA. É filosofia, muito  além da física.

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