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PEQUENAS CRÔNICAS SOBRE AS GRANDES FILOSOFIAS

  • Carlos A. Buckmann
  • 15 de out. de 2024
  • 3 min de leitura

John Stuart Mill (1806-1873)

O utilitarista que defendeu a liberdade individual.

Um jovem prodígio e sua jornada filosófica

John Stuart Mill, nascido em Londres em 1806, foi um dos mais influentes filósofos, economistas e políticos do século XIX. Submetido a uma educação rigorosa desde a infância, sob a tutela de seu pai, o também filósofo James Mill, John Stuart foi introduzido precocemente aos clássicos da filosofia e da economia. Aos 11 anos, já dominava o latim e o grego e, aos 20, havia publicado seus primeiros trabalhos sobre economia.

A filosofia de Mill está profundamente enraizada no utilitarismo, corrente ética que defende que a ação correta é aquela que maximiza a felicidade para o maior número de pessoas. Influenciado por Jeremy Bentham, Mill refinou a teoria utilitarista, argumentando que a qualidade do prazer também deve ser considerada, além da quantidade. Para ele, prazeres intelectuais e morais são superiores aos prazeres sensuais.

Uma das obras mais importantes de Mill, "Sobre a Liberdade", publicada em 1859, é uma defesa apaixonada da liberdade individual. Nela, ele argumenta que a sociedade deve garantir a máxima liberdade aos indivíduos, desde que suas ações não causem danos a terceiros. O filósofo temia a "tirania da maioria", ou seja, a possibilidade de uma sociedade conformista e opressora, onde as ideias e comportamentos divergentes fossem reprimidos.

As ideias de Mill continuam a ser relevantes nos dias de hoje. Seu defesa da liberdade de expressão, da tolerância e da importância da individualidade são pilares do pensamento liberal contemporâneo. A noção de que o Estado deve ter um papel limitado na vida das pessoas, permitindo a máxima autonomia individual, é uma herança direta de Mill.

Além disso, as preocupações de Mill com a justiça social e a igualdade de oportunidades influenciaram o desenvolvimento do pensamento socialista e das teorias feministas. Mill foi um defensor ferrenho dos direitos das mulheres e um dos primeiros homens políticos a defender o sufrágio feminino.

John Stuart Mill deixou um legado duradouro para a filosofia, a política e a sociedade como um todo. Sua defesa da liberdade individual, combinada com sua preocupação com o bem-estar coletivo, continua a inspirar pensadores e ativistas em todo o mundo. Em um tempo marcado por polarização e intolerância, as ideias de Mill sobre a importância do debate, da tolerância e da busca pela verdade são mais relevantes do que nunca.

A aparente contradição entre o utilitarismo e os direitos individuais reside no fato de que, em algumas situações, a maximização da felicidade geral pode exigir a imposição de custos sobre uma minoria. Por exemplo, uma política que beneficia a maioria economicamente pode prejudicar um grupo minoritário específico.

Mill, em sua obra "Sobre a Liberdade", defende veementemente a liberdade individual e a importância de proteger os direitos das minorias. Ele argumenta que a sociedade deve garantir a máxima liberdade aos indivíduos, desde que suas ações não causem danos a terceiros. Essa perspectiva, embora utilitarista em sua base, reconhece o valor intrínseco da individualidade e a necessidade de proteger as liberdades civis.

Para conciliar o princípio da maior felicidade com os direitos das minorias, é preciso considerar os seguintes aspectos: - a) Alguns direitos são considerados fundamentais e inalienáveis, como o direito à vida, à liberdade e à segurança. Esses direitos devem ser protegidos, mesmo que isso implique em custos para a maioria. -  b) A maximização da felicidade deve ser considerada não apenas no curto prazo, mas também no longo prazo. A proteção dos direitos das minorias pode contribuir para uma sociedade mais justa e equitativa, beneficiando a todos a longo prazo. -  c) A diversidade é um valor em si mesma e contribui para o enriquecimento da sociedade. A proteção das minorias garante a preservação dessa diversidade. - d) O Estado tem um papel fundamental na proteção dos direitos das minorias e na promoção da justiça social. Ele deve garantir que as leis e as políticas públicas não discriminem nenhum grupo.

Para superar esse dilema, é fundamental cultivar a empatia e a compreensão entre os diferentes grupos sociais. A educação desempenha um papel crucial nesse processo, promovendo a tolerância, o respeito às diferenças e o conhecimento sobre as diversas culturas e identidades.

O utilitarismo de Mill, quando aplicado de forma sensata e equilibrada, pode ser um instrumento valioso para a construção de uma sociedade mais justa e equitativa. Ao reconhecer o valor intrínseco de cada indivíduo e a importância da proteção dos direitos das minorias, podemos conciliar a busca pela felicidade geral com os princípios da justiça e da igualdade.

Moral da história: o utilitarismo é como uma receita de bolo. Você precisa dos ingredientes certos (direitos, justiça, felicidade) e dos temperos adequados (empatia, tolerância, respeito) para obter um resultado saboroso e que satisfaça a todos. Ou quase todos, afinal, sempre haverá alguém, como eu,  que prefira pudim.

VALE A PENA.

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