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PEQUENAS CRÔNICAS SOBRE AS GRANDES FILOSOFIAS

  • Carlos A. Buckmann
  • 14 de out. de 2024
  • 5 min de leitura

Immanuel Kant (1724-1804)

O Arquiteto da Razão Pura

Immanuel Kant, nascido em Königsberg, na Prússia (atual Kaliningrado, Rússia), em 1724, era um homem de hábitos tão rígidos que seus vizinhos ajustavam seus relógios por seus passeios diários. Sua vida, marcada pela disciplina e pelo rigor intelectual, contrastava com a revolução que ele promovia no pensamento filosófico. Kant não viajava, nunca se casou e dedicou sua vida à universidade, onde lecionou por quase quarenta anos. Se você, como eu, pensa que está preso à rotinas, estudando Kant verá que somos até muito “light” em nosso processo diário.

A obra de Kant representa um marco na história da filosofia, marcando (desculpa a redundância, mas se faz necessária) a transição do pensamento moderno para o pensamento contemporâneo. Em suas principais obras, "Crítica da Razão Pura", "Crítica da Razão Prática" e "Crítica do Juízo", Kant busca investigar os limites e as possibilidades da razão humana.

Na "Crítica da Razão Pura", Kant se propõe a responder à seguinte questão: o que podemos conhecer? Ele defende que nosso conhecimento não é uma cópia fiel da realidade, mas sim o resultado da interação entre nossos sentidos e nossas categorias mentais. Assim, o mundo que conhecemos não é o mundo "em si", mas sim o mundo "fenomênico", moldado pelas estruturas de nossa mente.

Kant distingue entre o mundo noumênico (o termo é estranho, mas Kant é assim), o mundo como ele é em si mesmo, e o mundo fenomênico, o mundo como ele nos aparece. A razão pura, segundo Kant, não pode alcançar o mundo noumênico, mas é capaz de conhecer o mundo fenomênico através de suas categorias.

Na "Crítica da Razão Prática", Kant se volta para a questão da moralidade. Para ele, a ação moral é aquela que é realizada por dever, e não por inclinação. A lei moral, o imperativo categórico, é universal e incondicional, ou seja, vale para todos os seres racionais, em todos os tempos e em todas as circunstâncias.

O imperativo categórico pode ser formulado de diversas maneiras, mas a formulação mais conhecida é a seguinte: "Age apenas segundo aquela máxima pela qual possas querer ao mesmo tempo que ela se torne lei universal." Essa fórmula nos obriga a agir de modo que nossa ação possa ser universalizada, sem cair em contradições.

A filosofia de Kant exerceu uma profunda influência sobre o pensamento filosófico posterior. Seus conceitos de fenômeno e noumeno, de juízo sintético a priori e de imperativo categórico são fundamentais para a compreensão da filosofia moderna e contemporânea.

Kant também teve um impacto significativo em outras áreas do conhecimento, como a ética, a estética, a ciência e a religião. Sua obra continua a ser objeto de estudo e debate entre filósofos e estudiosos de diversas áreas.

A filosofia de Kant continua relevante nos dias de hoje. Suas reflexões sobre a natureza do conhecimento, a moralidade e a liberdade humana são questões que continuam a nos desafiar. Em um mundo cada vez mais complexo e globalizado, as ideias de Kant nos ajudam a pensar criticamente sobre nossos valores,

Com sua escrita rigorosa e seu vocabulário técnico, Kant construiu um labirinto filosófico que desafia e fascina leitores há séculos. A complexidade de sua obra reside em diversos fatores que precisamos entender: a) Kant desenvolveu uma terminologia própria para expressar suas ideias, utilizando conceitos como "fenômeno", "noumeno", "juízo sintético a priori", "imperativo categórico" e muitos outros. Essa linguagem, embora precisa, exige um esforço considerável de aprendizado por parte do leitor. – b) A filosofia kantiana é construída sobre uma base lógica extremamente rigorosa. Ele buscava estabelecer um sistema filosófico completo e coerente, o que o levou a desenvolver uma estrutura argumentativa complexa e sofisticada. C)  Kant se posicionou de forma crítica em relação às tradições filosóficas anteriores, tanto o racionalismo quanto o empirismo. Essa ruptura exigiu que ele desenvolvesse uma nova abordagem para questões fundamentais da filosofia, como o conhecimento, a moralidade e a metafísica. d) Kant buscava abarcar todas as áreas do conhecimento humano em sua filosofia. Essa ambição o levou a tratar de temas complexos e interconectados, como a epistemologia, a ética, a estética e a metafísica.

Mas por que é tão difícil entender Kant?

Vamos tentar explicar:  A filosofia de Kant é altamente abstrata, lidando com conceitos que não são facilmente observáveis na experiência cotidiana. A exigência de rigor lógico na argumentação kantiana torna a leitura de suas obras desafiadora, especialmente para aqueles que não estão familiarizados com a lógica formal. Kant abordou questões fundamentais da filosofia, como a natureza da realidade, os limites do conhecimento e a fundamentação da moralidade. A complexidade desses temas contribui para a dificuldade de compreensão de sua obra.

Mas por que se esforçar para entender Kant?

Apesar da dificuldade, a obra de Kant continua a ser relevante e fascinante. Sua filosofia oferece insights profundos sobre a natureza da razão humana, os limites do conhecimento e a fundamentação da moralidade. Além disso, Kant influenciou profundamente o pensamento filosófico posterior, e compreender sua obra é essencial para entender a filosofia moderna e contemporânea.

Algumas orientações que se fazem necessárias para entender Kant: Antes de se aprofundar nas suas  obras, é importante ter uma boa compreensão dos conceitos básicos da filosofia, como epistemologia, metafísica e ética. A filosofia de Kant exige uma leitura lenta e cuidadosa. É fundamental prestar atenção aos detalhes e reler passagens difíceis. A leitura de comentários e interpretações de outros autores pode ajudar a esclarecer os pontos mais difíceis da obra de Kant.

Em resumo, a obra de Kant é complexa e desafiadora, mas oferece recompensas significativas para aqueles que se dedicam a estudá-la. Ao compreender a filosofia de Kant, podemos obter insights valiosos sobre a natureza da razão humana e nosso lugar no mundo.

Para nos aprofundar um pouco mais no pensamento desse filósofo tão hermético, amos explorar como o idealismo transcendental e a ética kantiana se entrelaçam. É uma conexão fundamental em sua filosofia e nos permite entender como Kant constrói uma ética baseada na razão pura, independente da experiência.

A ideia central é que a nossa capacidade de agir moralmente está intrinsecamente ligada à nossa estrutura cognitiva, moldada pelas categorias a priori. Ou seja, a moralidade não é algo que aprendemos com a experiência, mas sim uma exigência da própria razão.

Se nosso conhecimento do mundo é moldado pelas categorias a priori, nossa vontade também é influenciada por essas estruturas mentais. Isso significa que somos capazes de agir de forma autônoma, estabelecendo nossas próprias leis morai.

O imperativo categórico é a expressão máxima da razão prática. Ao agir de acordo com ele, estamos agindo de forma universalizável, ou seja, de acordo com uma lei que vale para todos os seres racionais. Essa universalidade está enraizada nas categorias a priori da razão.

No mundo fenomênico, somos influenciados por nossas inclinações e desejos. No entanto, a moralidade nos exige que ultrapassemos essas inclinações e ajamos de acordo com o dever. O mundo noumênico, como reino da liberdade, é onde reside a verdadeira moralidade.

Se nosso conhecimento do mundo é limitado ao fenomênico, como podemos ter certeza da existência de uma lei moral que vale para todos os seres racionais?

Para ilustrar essa conexão, podemos pensar em um exemplo:

Imagine a seguinte situação: você encontra uma carteira na rua com uma quantia considerável de dinheiro. A inclinação natural seria ficar com o dinheiro. No entanto, a razão prática, guiada pelo imperativo categórico, nos impulsiona a devolver a carteira ao seu dono. Essa decisão não é baseada em consequências práticas (como evitar ser pego), mas sim na compreensão de que a honestidade é um valor universal e incondicional.

Em resumo, Kant nos ensinou que devemos ser bons, mesmo quando ninguém está olhando. Após horas debruçado sobre os escritos de Kant, você pode se sentir como um personagem de um filme “noir”, perdido em um labirinto de ideias. Mas não se preocupe, a recompensa é grande: você finalmente entenderá por que sua mãe sempre te disse para fazer a cama.

VALE A PENA.

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