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PEQUENAS CRÔNICAS SOBRE AS GRANDES FILOSOFIAS

  • Carlos A. Buckmann
  • 11 de out. de 2024
  • 6 min de leitura

Blaise Pascal - O Pensador da Aposta e da Razão do Coração

Blaise Pascal, um gênio precoce nascido em Clermont-Ferrand, França, em 1623, deixou sua marca indelével na história da filosofia, matemática e física. Órfão de mãe aos três anos, foi educado pelo pai, um homem culto e devoto. Sua inteligência excepcional floresceu cedo, e aos 16 anos já havia escrito um tratado sobre seções cônicas, que impressionou os matemáticos da época.

A mente inquieta de Pascal não se limitou à matemática. Ele também se dedicou à física, realizando experimentos sobre a pressão atmosférica e inventando a primeira calculadora mecânica, a pascalina. No entanto, foi na filosofia que Pascal deixou suas contribuições mais originais e profundas.

Sua obra filosófica, embora extensa, está dispersa em diversos escritos, como as Pensées, Les Provinciales e as Cartas a um Provincial. Nesses textos, Pascal explora temas como a condição humana, a natureza de Deus, a razão e a fé, a felicidade e o sofrimento.

Uma das ideias mais conhecidas de Pascal é a chamada "aposta de Pascal", um argumento probabilístico a favor da crença em Deus. Segundo Pascal, a existência de Deus é uma aposta que vale a pena fazer, pois os ganhos em caso de vitória (a vida eterna) são infinitamente maiores do que as perdas em caso de derrota (nada).

Outra ideia central na filosofia de Pascal é a dualidade da natureza humana, expressa na famosa frase: "O coração tem razões que a própria razão desconhece". Para Pascal, a razão não é suficiente para compreender a totalidade da experiência humana. Ele escreve que existem dimensões da realidade que só podem ser acessadas pela intuição e pela fé.

Pascal, como se vê,  era um pensador profundamente religioso, influenciado pelo jansenismo, uma corrente rigorista do catolicismo. No entanto, sua fé não era dogmática, mas sim fruto de uma busca sincera pela verdade. Ele valorizava a experiência pessoal e a introspecção como caminhos para o conhecimento de Deus.

Em suas Pensées (Pensamentos), um conjunto de milhares de aforismos e ideias  expostas, Pascal faz uma profunda análise da condição humana, destacando a miséria e a grandeza do homem. Ele explora temas como a finitude da vida, a angústia diante do desconhecido e a busca por um sentido para a existência.

A obra de Pascal continua a ser relevante nos dias de hoje, pois aborda questões que são universais e atemporais. Sua reflexão sobre a razão e a fé, a ciência e a religião, a felicidade e o sofrimento, continua a desafiar e a inspirar os leitores.

Mas vamos ver um pouco mais sobre a “Aposta de Pascal”: Uma Análise Mais Profunda

Com certeza, está mais para “Um Jogo de Azar Cósmico”.

A "aposta de Pascal" é, sem dúvida, um dos conceitos mais intrigantes e debatidos de sua filosofia. À primeira vista, parece um cálculo racional para determinar se vale a pena acreditar em Deus. Pascal propõe um jogo de azar cósmico, onde as apostas são nossas crenças e os prêmios são a vida eterna ou a nada.

As Regras do Jogo: - Acreditar em Deus e estar certo: Ganho infinito (vida eterna). - Acreditar em Deus e estar errado: Perda finita (tempo e esforço dedicados à fé). - Não acreditar em Deus e estar certo: Ganho finito (prazeres mundanos). - Não acreditar em Deus e estar errado: Perda infinita (condenação eterna).

Apesar da aparente simplicidade, a aposta de Pascal tem sido alvo de diversas críticas: - Alguns argumentam que a fé não pode ser fruto de um cálculo racional, mas sim de uma experiência pessoal e profunda.

A aposta pode parecer uma forma de manipular Deus, como se a crença fosse uma espécie de seguro para garantir a salvação. - Um Deus justo e onisciente puniria alguém por acreditar em sua existência apenas por cálculo? - A aposta pressupõe um Deus específico, o Deus cristão. E se outros deuses existirem?

É importante notar que a aposta de Pascal não se resume a um mero cálculo probabilístico. Ela revela uma profunda angústia existencial e uma busca por significado. Pascal percebe que a vida humana é marcada pela finitude, pela incerteza e pela busca por algo além de si mesma. A crença em Deus, nesse contexto, é uma resposta a essa angústia, uma tentativa de encontrar um sentido para a existência.

A aposta de Pascal pode ser vista como um ponto de partida para uma reflexão mais profunda sobre a natureza da fé, da razão e da condição humana. Ela nos convida a questionar nossas próprias crenças e a buscar respostas para as grandes perguntas da vida.

Acredito que a aposta de Pascal é um convite à reflexão, mas não necessariamente uma prova irrefutável da existência de Deus. A ideia de um "cálculo" para a fé pode parecer atraente à primeira vista, mas levanta questões importantes sobre a natureza da crença religiosa, que muitas vezes está enraizada em experiências pessoais, tradições e valores.

A relação entre razão e fé é um tema complexo e que tem sido debatido por séculos. Historicamente, muitos filósofos e teólogos tentaram conciliar essas duas esferas, enquanto outros as viam como irreconciliavelmente opostas. Isso coincide com meu pensamento, mas é só meu e não vem ao caso, pois continuamos estudando a filosofia de Pascal. A ciência, em sua busca por explicações para o mundo natural, baseia-se na razão e na evidência empírica. A fé, por outro lado, muitas vezes se baseia em crenças que transcendem a evidência empírica.

No entanto, acredito que a oposição entre razão e fé não é tão clara quanto parece: - Muitas pessoas encontram fé e razão como complementares. A ciência pode nos ajudar a entender o "como" do universo, enquanto a fé pode nos ajudar a entender o "porquê". - A própria ciência reconhece seus limites. Existem questões que a razão não pode responder, como o significado da vida ou a natureza da consciência.

Em vez de ver a aposta de Pascal como uma resposta definitiva, podemos enxergá-la como um ponto de partida para uma conversa mais profunda sobre a natureza da crença e da razão. Afinal, a busca pelo significado da vida é uma jornada individual e pessoal, e cada um de nós deve encontrar suas próprias respostas.

A aposta de Pascal, como você bem pode observar, é um tema riquíssimo que se beneficia de uma análise contextualizada e crítica.

Pascal viveu em um período de grandes transformações intelectuais e religiosas. A Reforma Protestante havia abalado os alicerces da Igreja Católica, e a ascensão da ciência moderna, com nomes como Galileu e Descartes, desafiava as explicações tradicionais sobre o mundo.

A fragmentação religiosa e o surgimento de novas ideias filosóficas criaram um clima de incerteza e questionamento. A aposta de Pascal pode ser vista como uma resposta a essa crise, uma tentativa de oferecer uma justificativa racional para a fé em um momento de grande dúvida.

A influência do jansenismo, uma corrente rigorista dentro do catolicismo, é fundamental para entender o pensamento de Pascal. Os jansenistas enfatizavam a graça divina, a predestinação e a miséria do homem, temas que estão presentes em sua obra.

O século XVII foi marcado por um intenso debate sobre a relação entre razão e fé. Descartes, por exemplo, defendia a necessidade de um ponto de partida indubitável para o conhecimento, enquanto Pascal argumentava que a razão tem seus limites e que a fé é necessária para compreender a totalidade da realidade.

Afinal, como dizia o filósofo: “Se Deus não existisse, seria preciso inventá-lo... para ganhar na loteria celestial!” Brincadeiras à parte, a questão da fé e da razão continua a intrigar a humanidade. Talvez a única certeza que temos é que a vida é uma grande incógnita e que cada um de nós deve encontrar sua própria resposta.

Pascal nos propõe um dilema: acreditar ou não acreditar. É como escolher entre um café bem forte e um chá calmante. Afinal, quem nunca se pegou pensando: “E se eu estiver errado?” Talvez a resposta seja mais simples do que imaginamos: talvez a fé e a razão não sejam rivais, mas sim companheiros de jornada, cada um com seu papel na busca pelo sentido da vida. Ou talvez seja tudo uma grande ilusão, e a única verdade seja que estamos todos condenados a morrer, o que é certeza. Mas, enquanto isso, vamos aproveitar a vida e discutir sobre teologia em um barzinho, não é mesmo?"

VALE A PENA.

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