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PEQUENAS CRÔNICAS SOBRE AS GRANDES FILOSOFIAS

  • Carlos A. Buckmann
  • 5 de out. de 2024
  • 5 min de leitura

 Maquiavel: Um Olhar Atemporal sobre o Poder

Nicolau Maquiavel, o florentino do século XVI, continua a intrigar e desafiar a todos nós, séculos após a publicação de sua obra mais famosa, O Príncipe.  A obra, escrita em 1513, mas publicada postumamente em 1532, é um manual de sobrevivência política que transcende o tempo e o espaço.

Maquiavel, em O Príncipe, nos apresenta um retrato cru e realista do poder. Ele separa a moralidade da política, argumentando que um príncipe deve estar disposto a fazer o que for necessário para manter o poder, mesmo que isso signifique agir de forma imoral aos olhos de muitos. Essa abordagem, conhecida como Realpolitik, continua a ser debatida e aplicada nos dias de hoje.

Ao longo dos séculos, Maquiavel foi visto como um vilão, o inventor da política maquiavélica, sinônimo de astúcia e manipulação. No entanto, uma leitura mais aprofundada de sua obra revela um pensador complexo e perspicaz, que buscava compreender as leis que regem o poder e a política.

Sua filosofia política  está fundamentada na ideia de que o poder é uma força dinâmica, sujeita a constantes mudanças. O príncipe, para ele, deve ser um líder forte e astuto, capaz de adaptar-se às circunstâncias e tomar decisões difíceis. A obra explora temas como a natureza humana, a importância da força e da fortuna, a necessidade de manter o apoio popular e a arte da guerra.

O Príncipe continua a ser uma obra relevante nos dias de hoje, pois aborda questões universais sobre o poder, a liderança e a natureza humana. Seus ensinamentos são frequentemente citados por políticos, empresários e estudiosos, que buscam entender os mecanismos que movem o mundo.

A questão da ética na política continua a ser um dos grandes desafios da humanidade. Maquiavel nos convida a refletir sobre o conflito entre o que é moralmente correto e o que é politicamente necessário. A obra nos mostra que a política é um jogo complexo, onde nem sempre é possível conciliar os dois.

Através de O Príncipe, temos um legado que transcende o tempo e o espaço. A obra continua a ser uma fonte de inspiração e debate, desafiando-nos a pensar de forma crítica sobre o poder e a política. Ao ler Maquiavel, somos convidados a refletir sobre a complexidade do mundo em que vivemos e a buscar nossas próprias respostas para as grandes questões da humanidade.

A questão da relação entre a moral e a política é um dos pilares da obra de Maquiavel e continua a ser um dos temas mais debatidos na filosofia política. O florentino nos convida a refletir sobre a tensão entre o que é moralmente correto e o que é politicamente necessário.

Maquiavel propõe uma separação entre a moralidade tradicional, que se aplica aos indivíduos, e a razão de Estado, que rege as ações dos governantes. Para ele, um príncipe deve agir com base no que é útil para o Estado, mesmo que isso signifique tomar decisões impopulares ou moralmente questionáveis.

Os Fins Justificam os Meios? Essa frase, embora nunca tenha sido escrita em O Príncipe, é frequentemente associada à obra de Maquiavel.  No entanto, essa interpretação é simplificada e pode levar a uma visão distorcida do pensamento de Maquiavel.

Ele não nega a importância da virtude, mas a concebe de forma diferente da moralidade tradicional. Para ele, a virtude política consiste na capacidade de adaptar-se às circunstâncias, tomar decisões difíceis e manter o poder.

O príncipe se encontra em um dilema constante: por um lado, deve agir com firmeza para manter a ordem e a segurança do Estado; por outro lado, deve ser amado e respeitado por seus súditos. A questão é como conciliar essas duas exigências, muitas vezes contraditórias.

Uma questão interessante é como as ideias de Maquiavel se relacionam com a democracia. Alguns argumentam que Maquiavel seria incompatível com a democracia, pois a democracia exige a participação popular e a transparência, enquanto Maquiavel parece defender um modelo de governo mais autoritário. No entanto, outros argumentam que as ideias de Maquiavel podem ser adaptadas à democracia, desde que se reconheça a complexidade da política e a necessidade de líderes fortes e capazes.

As ideias de Maquiavel continuam a ser extremamente relevantes nos dias de hoje. A política contemporânea está repleta de exemplos de líderes que se valem de estratégias maquiavélicas para alcançar seus objetivos.

A proliferação das redes sociais e a disseminação de notícias falsas tornam a manipulação da informação uma ferramenta cada vez mais poderosa na política. A figura do líder carismático, capaz de mobilizar as massas, está cada vez mais presente no cenário político global. A tendência a priorizar os interesses nacionais em detrimento de valores universais é cada vez mais evidente nas relações internacionais.

A obra de Nicolau Maquiavel, em especial O Príncipe, serviu como ponto de partida para muitos dos grandes pensadores políticos que o sucederam. Seus insights sobre o poder, a natureza humana e as relações políticas moldaram o pensamento de filósofos como Thomas Hobbes e Jean-Jacques Rousseau, que, por sua vez, influenciaram profundamente as teorias políticas que dominaram os séculos seguintes

Hobbes, que tem uma crônica própria mais adiante, um dos mais importantes filósofos políticos do século XVII, dialoga diretamente com as ideias de Maquiavel. Em Leviatã, Hobbes apresenta uma visão pessimista da natureza humana, similar à de Maquiavel, argumentando que os homens, em estado natural, são movidos por paixões e buscam o poder. Para Hobbes, o Estado forte e centralizado é a única solução para garantir a ordem social. Embora Hobbes tenha divergido de Maquiavel em alguns pontos, como a natureza do poder soberano, ambos compartilham a crença na necessidade de um poder forte para manter a ordem.

 Rousseau, que também abordaremos separadamente, por sua vez, oferece uma visão mais otimista da natureza humana do que Hobbes e Maquiavel. No entanto, ele também reconhece a importância da política para organizar a sociedade. Rousseau critica a sociedade civil e a desigualdade social, mas argumenta que o homem é, por natureza, bom e que a sociedade o corrompe. Em O Contrato Social, Rousseau busca conciliar a liberdade individual com a necessidade de uma ordem social, propondo um contrato social em que os indivíduos renunciam a parte de sua liberdade em troca da proteção do Estado.

Mas, tanto Maquiavel quanto Hobbes e Rousseau apresentam visões pessimistas sobre a natureza humana, embora com nuances diferentes. Maquiavel enfatiza a ambição e o egoísmo dos homens, enquanto Hobbes destaca o medo da morte violenta. Rousseau, por sua vez, acredita que o homem é bom por natureza, mas é corrompido pela sociedade.

Maquiavel pode ser considerado um marco na história do pensamento político. Ao romper com a tradição medieval e analisar a política de forma realista e pragmática, ele abriu caminho para novas formas de pensar sobre o poder e a sociedade. Talvez isso explique porque eu considero O Príncipe, o livro de cabeceira dos políticos da atualidade, no Brasil e no mundo. As ideias de Maquiavel continuam a ser debatidas e reinterpretadas até os dias de hoje, o que demonstra a sua importância e a sua atualidade.

A política digital transformou o jogo, mas os princípios de Maquiavel continuam valendo: a importância da imagem, a manipulação da informação e a busca incansável pelo poder.

Se Maquiavel vivesse nos dias de hoje, com certeza escreveria um novo capítulo para O Príncipe, intitulado “O Príncipe Brasileiro: Sobrevivendo à política tupiniquim”. Nele,  certamente abordaria temas como a importância do populismo, a arte da negociação com partidos menores e a necessidade de ter um bom advogado. Afinal, no Brasil, a política é um esporte radical, onde a cada curva pode surgir uma nova CPI. Mas, quem sabe, Maquiavel também daria algumas dicas sobre como manter a sanidade mental em meio a tanta turbulência política. Afinal, até mesmo o mais astuto dos príncipes precisa de um tempo para relaxar e esquecer os problemas do mundo. E, quem sabe, faria um reality show político, onde os participantes teriam que lidar com as mais diversas situações, desde a criação de Fake News até a negociação de emendas parlamentares. Seria um sucesso de audiência!

Sátiras à parte, estudar Maquiavel

VALE A PENA.

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