PEQUENAS CRÔNICAS SOBRE AS GRANDES FILOSOFIAS
- Carlos A. Buckmann
- 2 de out. de 2024
- 5 min de leitura

Tomás de Aquino e a síntese da fé e da razão.
O Doutor Angélico e a Escolástica.
Se Agostinho de Hipona foi o grande pensador que conciliou a fé cristã com a filosofia platônica, dando origem à filosofia patrística, Tomás de Aquino, o "Doutor Angélico", foi quem, séculos mais tarde, realizou uma síntese ainda mais ambiciosa: a união entre a fé cristã e a filosofia aristotélica. Essa síntese, conhecida como escolástica, dominou o pensamento medieval e deixou um legado profundo para a filosofia ocidental.
Tomás de Aquino nasceu em 1225, na Itália, e ingressou na Ordem dos Dominicanos. Sua obra mais famosa é a Suma Teológica, um compêndio de teologia que buscava demonstrar a racionalidade da fé cristã. Nessa obra, ele desenvolveu as famosas "Cinco Vias", argumentos filosóficos para provar a existência de Deus. Essas vias, baseadas na observação do mundo natural, buscavam demonstrar que a existência de um ser supremo, inteligente e criador, é a explicação mais racional para a ordem e a complexidade do universo.
Sua filosofia se caracteriza pela tentativa de conciliar a fé e a razão, ou seja, a revelação divina e a investigação filosófica. Para ele, a fé e a razão não se opõem, mas se complementam. A fé nos revela verdades que a razão não pode alcançar, como a existência de Deus e a imortalidade da alma, enquanto a razão nos permite compreender melhor a ordem da criação e as verdades reveladas. O que parra esse escriba estudioso (eu) me parece uma afirmação no mínimo contraditória, para não dizer “no Sense”. Mas Não estou aqui para criticar o filósofo, mas sim para explicar o que ele pensava, acreditando ou não.
Essa síntese entre fé e razão teve um impacto profundo no pensamento medieval. A escolástica dominou as universidades europeias por séculos, e os filósofos escolásticos dedicaram-se a comentar e desenvolver as ideias de Aristóteles (vide minhas crônicas a respeito do filósofo matemático) e de Tomás de Aquino. A escolástica também teve um papel importante na sistematização do pensamento cristão e na defesa da Igreja contra as heresias.
A filosofia de Tomás de Aquino teve diversas consequências para o pensamento medieval: - Ao defender a compatibilidade entre fé e razão, Tomás de Aquino contribuiu para a valorização da razão como instrumento para conhecer a verdade. - A escolástica impulsionou o desenvolvimento da teologia como disciplina acadêmica, com a sistematização dos dogmas cristãos e a elaboração de argumentos filosóficos em defesa da fé. - As ideias de Tomás de Aquino influenciaram profundamente a filosofia medieval e posterior, especialmente na metafísica, na ética e na teoria do conhecimento. - A escolástica foi fundamental para a formação das universidades medievais, que se tornaram os principais centros de ensino e pesquisa da época.
A obra de Tomás de Aquino continua a ser estudada e debatida até os dias de hoje. Sua síntese entre fé e razão exerceu uma profunda influência sobre o pensamento ocidental e continua a ser relevante para a reflexão sobre questões fundamentais da existência humana, como a natureza de Deus, a relação entre o corpo e a alma e o significado da vida.
Tomás de Aquino, em sua Suma Teológica, propôs cinco argumentos, conhecidos como "Cinco Vias", para demonstrar racionalmente a existência de Deus. Essas vias não são provas no sentido matemático, mas sim indicações racionais que, a partir da observação da realidade, levam à conclusão da existência de um Ser Supremo.
As Cinco Vias:
1. Do Movimento: Tudo o que se move é movido por outro. Se tudo o que se move é movido por outro, então deve existir um primeiro motor imóvel, que pôs tudo em movimento e não foi movido por nada. Esse primeiro motor imóvel é Deus.
2. Da Causa Eficiente: Toda causa tem uma causa. Se seguirmos a cadeia de causas, chegaremos a uma primeira causa não causada, que é a causa de todas as outras causas. Essa primeira causa é Deus.
3. Do Contingente e do Necessário: Existem coisas que podem existir ou não existir (contingentes). Se tudo fosse contingente, em algum momento tudo deixaria de existir. Portanto, deve existir ao menos um ser necessário, que não depende de nada para existir. Esse ser necessário é Deus.
4. Dos Graus de Perfeição: As coisas possuem diferentes graus de perfeição. Se existem graus de perfeição, deve existir um ser que seja a perfeição máxima, a fonte de toda perfeição. Esse ser perfeito é Deus.
5. Do Governo do Mundo: As coisas da natureza agem de forma ordenada e com um fim. Essa ordem e finalidade indicam a existência de um ser inteligente que governa e dirige todas as coisas. Esse ser inteligente é Deus.
Claro que as Cinco Vias não são provas isoladas, mas se complementam. Cada uma delas aponta para um aspecto diferente da realidade que, quando considerado em conjunto, leva à conclusão da existência de Deus. Elas mostram que a ordem, a complexidade e a finalidade do universo não podem ser explicadas apenas pelas leis da natureza, mas exigem a existência de um Ser superior que as criou e as sustenta.
As Cinco Vias de Tomás de Aquino, apesar de sua influência e importância na história da filosofia, não ficaram imunes às críticas. Ao longo dos séculos, diversos pensadores e filósofos questionaram a validade e a suficiência desses argumentos para provar a existência de Deus.
Alguns críticos argumentam que as Cinco Vias cometem a falácia da composição, ou seja, atribuem propriedades a um todo que não são necessariamente verdadeiras para cada uma de suas partes. Por exemplo, o argumento do movimento parte da premissa de que tudo o que se move é movido por outro, mas nem todos os movimentos exigem um primeiro motor.
Outra crítica comum é que as Cinco Vias caem no problema do infinito regresso. Se tudo que se move é movido por outro, então o primeiro motor também teria que ser movido por algo, e assim por diante, ad infinitum.
Os críticos argumentam que o conceito de Deus utilizado por Tomás de Aquino é limitado e antropomórfico, ou seja, atribui a Deus características humanas.
Algumas críticas questionam a base empírica das Cinco Vias, argumentando que a observação do mundo natural não é suficiente para provar a existência de um ser transcendente como Deus.
Com o avanço da ciência, algumas críticas apontam para a incompatibilidade entre as Cinco Vias e as explicações científicas para a origem e a ordem do universo.
Então Imagine um banquete celestial onde os maiores detetives da história se reúnem para desvendar o maior mistério de todos os tempos: a origem do universo. Sherlock Holmes, com sua lupa e sua mente analítica, examina as evidências do cosmos. Auguste Dupin, o mestre da dedução, busca as pistas escondidas na ordem da natureza. E Tomás de Aquino, o detetive divino, apresenta suas Cinco Vias, as provas irrefutáveis da existência do Maior Detetive de todos, Deus.
Durante o banquete, a discussão se acalora. Holmes questiona se a ordem do universo não poderia ser apenas uma grande coincidência cósmica. Dupin argumenta que a complexidade da vida sugere um design inteligente. E Aquino, com um sorriso enigmático, responde: “Senhores, a ciência pode explicar como as coisas funcionam, mas a filosofia nos ajuda a entender o porquê. E a resposta para o porquê é, sem dúvida, o Criador.
No final da noite, os detetives celebram a diversidade de suas teorias, reconhecendo que cada uma delas contribui para a compreensão da grande obra-prima da criação. E assim, Tomás de Aquino convenceu a todos, exceto o cético mais obstinado, que insistia em acreditar que o universo havia surgido de uma explosão cósmica em uma panela de macarrão. Mas, como dizia o filósofo, “cada um tem direito à sua própria loucura."
Acredite você, ou não, na existência de Deus, estudar essas filosofias, com certeza,
VALE A PENA.
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