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PEQUENAS CRÔNICAS PARA AS GRANDES FILOSOFIAS

  • Carlos A. Buckmann
  • 21 de set. de 2024
  • 4 min de leitura

 PITÁGORAS: Números, harmonia e a busca pela verdade eterna.

Pitágoras de Samos, figura emblemática da filosofia grega antiga, deixou um legado que transcende os séculos. Sua filosofia, centrada na ideia de que "tudo é número", continua a fascinar e a influenciar pensadores de diversas áreas do conhecimento.

A escola pitagórica, fundada por ele, era mais do que uma mera academia filosófica. Era uma comunidade secreta, onde os discípulos, conhecidos como pitagóricos, buscavam a purificação da alma através do estudo da matemática, da música e da filosofia. Para eles, os números não eram apenas símbolos, mas a própria essência da realidade. A harmonia encontrada nas relações numéricas era vista como um reflexo da ordem cósmica.

O teorema de Pitágoras, que relaciona os lados de um triângulo retângulo, é, talvez, seu legado mais conhecido. Mas a contribuição de Pitágoras vai muito além da matemática. Ele e seus seguidores acreditavam na imortalidade da alma e na transmigração, conceitos que influenciaram diversas religiões e filosofias posteriores.

A influência de Pitágoras se estende por toda a história do pensamento ocidental. Platão, por exemplo, foi profundamente influenciado pelas ideias pitagóricas, incorporando-as em sua própria filosofia. A concepção platônica das ideias como entidades perfeitas e imutáveis encontra eco na visão pitagórica dos números como princípios ordenadores do universo.

A filosofia de Pitágoras continua a ser relevante nos dias de hoje. A busca pela ordem, pela harmonia e pela compreensão profunda da realidade são questões que permeiam as diversas áreas do conhecimento, desde a ciência até a arte. A matemática, que teve em Pitágoras um de seus fundadores, continua a ser a linguagem fundamental para descrever o universo.

A ideia de que tudo é interconectado e que existe uma ordem subjacente à aparente complexidade da natureza é um tema central em muitas teorias contemporâneas, como a teoria das cordas e a física quântica. A busca pela beleza e pela harmonia, tão cara aos pitagóricos, também encontra eco nas artes e na música.

Os pré-socráticos, como Tales de Mileto, Anaximandro e Heráclito, buscaram identificar o arkhé (arché), o princípio fundamental de todas as coisas. Pitágoras, por sua vez, propôs os números como esse princípio ordenador. Enquanto os pré-socráticos buscavam um elemento material como origem de tudo (água, ar, fogo), Pitágoras postulava uma realidade mais abstrata e matemática.

Tanto Pitágoras quanto os pré-socráticos buscavam uma explicação racional para o universo, afastando-se das mitologias tradicionais. Ele introduziu uma dimensão matemática e numérica à filosofia, que era ausente nos pré-socráticos.

Ao compararmos a filosofia de Pitágoras com as de outros pensadores, percebemos que ela não é uma ilha isolada, mas sim parte de um mosaico filosófico em constante evolução. As ideias de Pitágoras foram absorvidas, desenvolvidas e criticadas por filósofos posteriores, dando origem a novas correntes de pensamento.

A filosofia de Pitágoras, com sua elegante e audaciosa tese de que "tudo é número", por séculos serviu como farol para muitos pensadores. No entanto, como qualquer grande ideia, também atraiu críticas contundentes. Dentre os mais célebres detratores, destacam-se Descartes e Hume.

O pai da filosofia moderna, René Descartes, embora reconhecesse a importância da matemática, não se deixava levar por abstrações excessivas. Para ele, a certeza absoluta só era alcançada através do pensamento racional e da dúvida metódica. A visão pitagórica de que os números eram a chave para compreender o universo, embora atraente, soava um tanto poética demais para o rigor cartesiano. Descartes buscava um fundamento mais sólido para o conhecimento, um ponto de partida indubitável que pudesse servir como base para toda a filosofia.

Por sua vez, David Hume, o filósofo escocês, era um empirista convicto e não poupou críticas às teorias de Pitágoras. Para ele, todo o conhecimento se originava da experiência sensível. A ideia de que os números, entidades abstratas e universais, pudessem ser a base de toda a realidade, era incompatível com sua filosofia. Hume argumentava que os números eram apenas construções mentais, fruto de nossas experiências com quantidades discretas.

Apesar das críticas de Descartes e Hume, a filosofia pitagórica continua a ecoar nos corredores da ciência moderna. A física, a matemática e a cosmologia, por exemplo, buscam incessantemente por padrões e regularidades na natureza, uma busca que tem suas raízes na crença pitagórica de que o universo é governado por leis numéricas. No entanto, a ciência moderna também nos ensinou que a realidade é muito mais complexa e cheia de nuances do que os antigos pitagóricos imaginavam.

A filosofia de Pitágoras, como um vinho envelhecido, continua a ser degustada e debatida por filósofos e cientistas. Seus ensinamentos, embora nem sempre corretos, nos inspiram a buscar a ordem e a harmonia em um universo que, por vezes, parece caótico e incompreensível.

Podemos dizer que Pitágoras foi o primeiro "data scientist" (cientista de dados, programador) da história, buscando encontrar os "big data" do universo. Se ele estivesse vivo hoje, provavelmente estaria trabalhando em alguma grande empresa de tecnologia, analisando terabytes de dados e tentando encontrar padrões que pudessem revolucionar o mundo. E quem sabe, talvez ele descobrisse que, afinal, tudo mesmo é número... ou pelo menos um algoritmo muito complexo, que com certeza,

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