PEQUENAS CRÔNICAS PARA AS GRANDES FILOSOFIAS
- Carlos A. Buckmann
- 20 de set. de 2024
- 3 min de leitura

Tales de Mileto: O primeiro filósofo e sua água primordial
Em meio à névoa da antiguidade, surge a figura de Tales de Mileto, o primeiro pensador pré-socrático, um homem que ousou desafiar os mitos e buscar respostas racionais para as grandes questões da existência. Considerado o pai da filosofia ocidental, Tales inaugurou uma nova era de pensamento, na qual a razão e a observação da natureza passaram a ocupar o centro das discussões.
Sua principal tese, a de que a água seria o princípio de todas as coisas, pode parecer simples e até mesmo ingênua aos olhos modernos. No entanto, essa afirmação representava uma verdadeira revolução para a época. Ao propor um elemento primordial, Tales buscava uma explicação unificada para a diversidade do mundo natural, abandonando as narrativas míticas e estabelecendo as bases para a investigação científica.
A escolha da água como arché (princípio) não foi arbitrária. Tales observou que a água está presente em todas as formas de vida, que ela molda o relevo terrestre e que os ciclos naturais dependem dela. Essa intuição, embora não totalmente precisa pelos padrões atuais, demonstrava um olhar atento à natureza e uma tentativa de encontrar conexões entre os fenômenos naturais.
A filosofia de Tales exerceu uma profunda influência sobre os pensadores que o sucederam. Anaximandro, seu discípulo, desenvolveu a ideia de um princípio indeterminado e infinito, enquanto Anaxímenes propôs o ar como arché. Essa sucessão de teorias demonstra a vitalidade do pensamento filosófico iniciado por Tales, que inspirou gerações de filósofos a buscarem uma compreensão cada vez mais profunda da realidade.
A influência de Tales de Mileto se estende muito além da filosofia natural. Sua busca por um princípio unificador e sua valorização da razão estabeleceram os fundamentos da investigação científica e moldaram o pensamento ocidental como um todo. A ciência moderna, com suas teorias unificadas e sua busca por leis universais, é devedora da herança deixada por Tales.
Em suma, Tales de Mileto não foi apenas um filósofo, mas um revolucionário intelectual que ousou questionar os dogmas e estabelecer as bases para o pensamento racional. Sua busca pela arché, embora tenha sido superada por teorias mais complexas, representa um marco fundamental na história da filosofia e da ciência. Ao olhar para o passado, podemos perceber que as questões que Tales se propôs a responder continuam a desafiar a humanidade até os dias de hoje.
Vamos passar a observar o que o pensamento de Tales pode influenciar no passar dos séculos até ao mundo atual, na nossa realidade consumista e pouco filosófica.
A água sempre ocupou um lugar central nas mitologias e religiões de diversas culturas. Seja como fonte de vida, elemento purificador ou símbolo do caos primordial, a água moldou as crenças e práticas de inúmeras civilizações.
As grandes civilizações antigas, como a mesopotâmica, egípcia e indiana, floresceram às margens de grandes rios. A água era fundamental para a agricultura, o comércio e a vida cotidiana dessas sociedades.
Os povos indígenas de todo o mundo possuem uma profunda conexão com a natureza, e a água é frequentemente reverenciada como um elemento sagrado e vital.
O aquecimento global e as mudanças climáticas estão alterando os padrões de chuva, intensificando secas e inundações em diversas regiões do planeta.
A contaminação dos recursos hídricos por atividades industriais, de garimpos clandestinos, e atividades agrícolas, representa uma grave ameaça à saúde humana e aos ecossistemas.
A má gestão dos recursos hídricos, a urbanização desenfreada e o desperdício de água agravam a crise hídrica em muitas partes do mundo.
Então, a filosofia de Tales nos convida a refletir sobre a nossa relação com a natureza e a buscar uma compreensão mais profunda dos fenômenos naturais.
A crise hídrica nos impulsiona a repensar nossos hábitos de consumo, os modelos de produção e as políticas públicas.
A educação ambiental é fundamental para conscientizar a população sobre a importância da água e promover práticas mais sustentáveis.
Em contraste com a visão mítica da água como um recurso infinito e abundante, a escassez hídrica se tornou uma das maiores crises globais da atualidade. A demanda crescente por água, combinada com as mudanças climáticas e a poluição, coloca em risco o acesso a esse recurso essencial para milhões de pessoas.
Se Tales desenvolveu sua teoria da água como o arché, de modo rudimentar do pensamento filosófico, com certeza, diante dos dias atuais, não estava nada errado. A filosofia é isso: amor pela sabedoria. Fica o convite para você tentar.
VALE A PENA
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