PEQUENAS CRÔNICAS PARA AS GRANDES FILOSOFIAS
- Carlos A. Buckmann
- 11 de set. de 2024
- 4 min de leitura

Platão: A República Ideal em Tempos Modernos
A República de Platão, um dos pilares da filosofia política, continua a intrigar e desafiar pensadores séculos após sua escrita. Nela, o filósofo grego esboça uma sociedade ideal, uma utopia regida pela justiça e pela sabedoria, onde cada indivíduo ocuparia o lugar que lhe é mais adequado.
Para Platão, a justiça não se limita ao indivíduo, mas se estende à coletividade. A sociedade ideal seria organizada em três classes: os filósofos-reis, os guardiões e os produtores. Os filósofos, por possuírem conhecimento e sabedoria, governariam com justiça; os guardiões, corajosos e fortes, protegeriam a cidade; e os produtores, artesãos e agricultores, sustentariam a economia.
A educação seria fundamental para moldar os cidadãos dessa república ideal. A partir da infância, as crianças seriam submetidas a um rigoroso treinamento físico e intelectual, com o objetivo de identificar seus talentos e direcioná-los para a classe social mais adequada.
A ideia de uma sociedade perfeita, onde a justiça e a harmonia reinam, continua a fascinar e a desafiar a humanidade. No entanto, a contextualização do pensamento de Platão nos dias atuais exige uma análise crítica.
A proposta de Platão de um governo liderado por filósofos, uma aristocracia baseada no mérito, contrasta com o ideal democrático moderno, que busca a igualdade política e a participação popular nas decisões.
O individualismo, valorizado nas sociedades contemporâneas, contrasta com o forte senso de comunidade e o papel submisso do indivíduo em relação ao Estado, defendidos por Platão
A utopia platônica, por mais atraente que possa ser, enfrenta o desafio de ser aplicada em um mundo marcado por desigualdades, conflitos e interesses particulares.
Apesar das diferenças entre o mundo antigo e o contemporâneo, a República de Platão continua a ser uma obra fundamental para a reflexão sobre a natureza da justiça, do poder e da sociedade ideal. As questões levantadas por Platão sobre a educação, a organização social e a natureza humana permanecem relevantes e desafiam os pensadores a buscar novas resposta
A República de Platão é um convite à reflexão sobre os fundamentos da vida em sociedade. Ao mesmo tempo em que nos apresenta um ideal a ser perseguido, nos convida a questionar as bases de nossas próprias sociedades e a buscar formas de construir um mundo mais justo e equitativo.
Como já vimos numa crônica anterior a alegoria da caverna é uma das mais famosas passagens da República, que ilustra a relação entre o mundo sensível e o mundo das ideias.
O Mundo das Ideias e a Justiça na República Ideal:
Uma das ideias mais intrigantes da filosofia platônica é a teoria das Formas, ou das Ideias. Para Platão, o mundo sensível que percebemos com nossos sentidos é apenas uma sombra imperfeita de um mundo superior, imutável e perfeito, habitado pelas Formas.
As Formas são os modelos originais de todas as coisas existentes no mundo sensível. A beleza, a justiça, o bem, o homem, o cavalo, tudo possui sua Forma correspondente no mundo das Ideias. Essas Formas são eternas, imutáveis e perfeitas, servindo como padrões para as coisas que encontramos no mundo material. (Essas ideias mais tarde foram aproveitadas por seus discípulo Aristóteles para o desenvolvimento da Metafísica).
A justiça, para Platão, não é apenas uma virtude individual, mas também um princípio fundamental da organização social. Na República, o filósofo busca definir a justiça e mostrar como ela se manifesta tanto na alma individual quanto na cidade-Estado.
A justiça, como todas as outras virtudes, é uma Forma. Ela existe independentemente de nossas percepções e representa o estado ideal de equilíbrio e harmonia. Na alma justa, as três partes – razão, coragem e apetites – funcionam em perfeita concordância, cada uma desempenhando seu papel específico. Na cidade justa, (as cidades gregas eram estados individuais) as três classes sociais – filósofos, guardiões e produtores – colaboram para o bem comum, cada uma contribuindo com suas habilidades específicas.
Para Platão, a justiça não é apenas um dever moral, mas também a condição essencial para a felicidade. A alma justa é a alma feliz, pois vive em harmonia consigo mesma. Da mesma forma, a cidade (estado) justa é a cidade feliz, pois seus cidadãos vivem em um ambiente estável e próspero.
A felicidade, no entanto, não se resume à satisfação dos prazeres sensíveis. A verdadeira felicidade está na contemplação das Formas, especialmente da Forma do Bem, que é a fonte de todo o ser e de toda a verdade. Os filósofos, por serem capazes de alcançar esse conhecimento superior, são os mais felizes de todos os homens.
A teoria das Formas e a noção de justiça platônica podem parecer abstratas e distantes da realidade contemporânea. No entanto, elas continuam a exercer uma profunda influência sobre o pensamento filosófico e político.
A ideia de um mundo ideal, perfeito e imutável, continua a inspirar artistas, cientistas e filósofos. A justiça continua sendo um dos valores mais importantes para a sociedade, e a busca por uma sociedade mais justa é um objetivo constante. A educação, para Platão, é fundamental para formar cidadãos justos e virtuosos. Essa ideia continua a ser relevante nos debates sobre o papel da educação na sociedade.
Fazendo um rápido resumo: A teoria das Formas e a noção de justiça são pilares fundamentais da filosofia platônica. Ao explorar essas ideias, Platão nos convida a refletir sobre a natureza da realidade, a importância da justiça e a busca pela felicidade. Embora a República seja um texto antigo, suas questões continuam a ser relevantes para a nossa compreensão do mundo e de nós mesmos.
Para terminar, é bom lembrar que a filosofia é uma jornada contínua, e a República de Platão é apenas um dos muitos marcos dessa jornada. Ao refletir sobre as ideias de Platão, você contribuirá para a construção de um mundo melhor.
Não sei você, mas eu acho que
VALE A PENA.
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