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OS NÚMEROS E AS PREVISÕES

  • Carlos A. Buckmann
  • 8 de jan.
  • 4 min de leitura

OS NÚMEROS E AS PREVISÕES

O Panorama do Varejo Farmacêutico Brasileiro – MAT Novembro 2025

            O varejo farmacêutico brasileiro alcançou, no MAT novembro de 2025, um faturamento anual de R$ 243,33 bilhões, distribuído em 94.369 farmácias ativas.

            Esse resultado confirma a robustez e resiliência do setor, mesmo em um ambiente de pressão de preços, ajustes no mix e fechamento seletivo de lojas.

            É necessário lembrar que o mercado está segmentado em cinco grandes grupos:

Independentes: com 48.899 lojas (51,8% do total) e um faturamento: R$ 39,53 bilhões, representam a participação de 16,2% do faturamento nacional

FEBRAFAR (associativismo): Atualmente contando com 17.907 lojas (19%), atinge o faturamento de R$ 41,10 bilhões, representando uma participação: 16,9% do mercado.

Associações e Franquias: Este grupo conta com 11.081 lojas (11,7%) obteve um faturamento: R$ 19,44 bilhões, o que representou a participação de 8,0%.

ABRAFARMA (grandes redes): atingiram no atual MAT 11.623 lojas, que faturaram um total de R$ 118,11 bilhões, obtendo a participação de 48,5% do mercado.

Outras Redes Corporativas: com apenas 4.859 lojas, (5%) atingiram um faturamento: R$ 25,15 bilhões, representando uma participação: 10,3%.

            O que nos leva à seguinte conclusão:

            Apesar da concentração crescente nas grandes redes, o mercado ainda é majoritariamente independente e associativista, tanto em número de lojas quanto em faturamento.

            Entre 2021 e 2025, o faturamento total cresceu de R$ 152,65 bilhões para R$ 243,33 bilhões, um crescimento acumulado expressivo. O número de lojas passou de 86.696 para 94.369, com expansão líquida positiva, porém desacelerando.

            O salto de R$ 152,65 bilhões para os atuais R$ 243,33 bilhões é a prova material de uma resiliência quase metafísica. No entanto, o dado mais profundo não é a expansão da massa monetária, mas a desaceleração da expansão física.

            Isso demonstra que o crescimento recente é cada vez mais impulsionado por preço médio e mix, e menos por expansão física agressiva.

            Estamos saindo da era da extensão (o ocupar espaços) para a era da intensidade (o gerir essências).  

            Mas é preciso detalhar a dinâmica competitiva, que funcionou assim:

Independentes reduziram participação de 57,9% (2021) para 51,8% (2025).

FEBRAFAR cresceu de 10,4% para 12,3%, reforçando o poder do modelo associativista.

ABRAFARMA ampliou participação de 15,6% para 19,0%, sustentada por escala, marca e eficiência operacional.

Associações e Franquias mantêm trajetória estável, com leve ganho estrutural.

            O que demonstra que o associativismo organizado e as grandes redes são os principais vetores de ganho de participação.

            Observo a dialética entre o individual e o coletivo. As farmácias independentes, que outrora dominavam a paisagem com 57,9% do terreno, agora sustentam 51,8%. Elas são a resistência do "eu" comercial frente à sistematização do "nós".

            E como foi o crescimento por tipo de produto?

            No comparativo MAT 11/2025 x MAT 11/2024:

Não Medicamentos continuam sendo o principal motor de crescimento em valor.

Medicamentos de Marca (Trade) mantêm relevância, porém com margens pressionadas.

Genéricos seguem crescendo em volume, mas com impacto menor em faturamento.

Produtos Propagados apresentam crescimento mais moderado.

            Isso implica que o resultado financeiro das redes está cada vez mais ligado à gestão de mix, categorias de autocuidado, higiene, beleza e serviços, e não apenas medicamentos.

            Na dinâmica 2025 x 2024 – O que explica o crescimento:

           No Brasil como um todo: a) Crescimento sustentado principalmente por preço médio e mix; b) Volume teve crescimento modesto; c) Abertura líquida de lojas foi positiva, porém menor que em ciclos anteriores.

            Ao notarmos que os "Não Medicamentos" são o motor do crescimento, percebemos que o estabelecimento deixou de ser o local da cura (o restabelecimento da saúde) para se tornar o templo da manutenção do ser (higiene, beleza e autocuidado). O lucro não reside mais apenas no princípio ativo que combate a patologia, mas na gestão estratégica das categorias que celebram a existência cotidiana.

            Mas como foi por segmento:

ABRAFARMA cresce acima da média em preço e mix

FEBRAFAR e Associações apresentam crescimento equilibrado

Independentes sofrem mais com fechamento de lojas e pressão competitiva.

            Vamos então analisar a abertura e fechamento de lojas (2024–2025): Lojas em nov/24: 93.742; Lojas em nov/25: 94.369; um saldo positivo: +627 lojas

            Apesar do saldo positivo, observa-se: a) Alta rotatividade; b) Fechamento relevante entre independentes; c) Crescimento mais seletivo e estratégico.

            O que nos leva a uma Visão Histórica 2021–2025.   No acumulado de quatro anos o crescimento do mercado acima de 77%, sendo que a FEBRAFAR e ABRAFARMA são os segmentos que mais expandiram faturamento e as independentes crescem, mas abaixo da média do mercado.

        Diante do que expusemos até aqui, o varejo farmacêutico brasileiro entrou definitivamente em uma fase de profissionalização, escala, gestão por indicadores e disciplina comercial.

            É preciso lançar um olhar crítico sobre este cenário de pujança. Se o mercado é hoje um sistema de alta complexidade, governado por variáveis que escapam ao senso comum, como pode o proprietário médio esperar prosperar apenas com o esforço hercúleo do trabalho manual? A profissionalização exige mais do que resiliência; exige técnica.

            Neste labirinto de números e previsões, a busca por uma consultoria especializada não é um luxo, mas uma necessidade ontológica de sobrevivência.

            Ignorar a ajuda técnica em um mercado que fatura R$ 243 bilhões é condenar-se à obsolescência programada.

            Para permanecer e crescer, é preciso que a gestão deixe de ser um exercício de sorte para se tornar uma ciência de precisão.

            O futuro do varejo farmacêutico pertence àqueles que compreendem que, entre o balcão e o lucro, existe uma inteligência estratégica que precisa ser acessada.

            Não tente decifrar o enigma sozinho; o mercado, como a própria vida, não perdoa os que se recusam a evoluir.

 

 
 
 

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