OS DESEMPREGÁVEIS
- Carlos A. Buckmann
- 18 de dez. de 2018
- 3 min de leitura
(Pessoas que você não consegue demitir)

Quem Já trabalhou ou trabalha em uma grande empresa, principalmente nas multinacionais, conhece a expressão: “você é apenas um número”, ou seja, seu emprego depende de seus resultados. Desses resultados depende também seu avanço na carreira dentro da empresa, a chamada meritocracia.
Se saímos das grandes empresas e focamos na grande maioria do nosso mercado, o que predomina são os pequenos e micros negócios, as Ltda(s)., as empresas familiares e os empreendimentos individuais. – Aí, a meritocracia dificilmente funciona (o que é muito errado), mas deveria funcionar, pois não importa o tamanho da empresa, a GESTÃO DE PESSOAL é um dos mais, se não o mais, importante controle do negócio.
As empresas são feitas com pessoas e, infelizmente a raça humana é a mais difícil de ser administrada. Por isso, cuidado com quem você contrata para sua equipe.
No livro “O MBA DA VIDA REAL”, de Jack e Suzy Welch, que eu recomendo que todo empresário deveria ler, no capítulo “Montando uma Equipe Campeã” (pg. 149), faz o seguinte alerta: “...saiba que a negatividade de uma só pessoa pode contagiar toda a organização...” – E sendo isso verdade para qualquer tamanho de empresa, é muito mais grave para pequenas e micro empresas, que como já disse, compõem a grande maioria de nosso mercado.
Alguns exemplos que confirmam minha tese:
Um pequeno empresário, cliente meu, comprou um negócio familiar de um parente próximo. Na sua equipe, que veio junto com todo ativo e passivo, por uma daquelas coincidências que só acontecem em cidades pequenas, a principal funcionária era sua sogra, que com o passar do tempo, mandava na loja mais de que ele próprio, e era o exemplo negativo para o resto da equipe. Você já tentou administrar sua sogra em casa? E no seu negócio, como é que fica? – Vale aqui o velho chavão: Nunca contrate quem você não pode despedir. – Por mais que você ame sua família, mantenha-a fora do seu negócio. – A exceção vale somente para pessoas altamente qualificadas e cientes de que família é família, negócios são negócios.
Outro empresário tinha como gerente de equipe um funcionário com mais de quarenta anos de casa, já aposentado e totalmente desmotivado. Por mais que esse empresário criasse planos e campanhas de crescimento, nada se desenvolvia porque esbarrava na acomodação do seu gerente. Minha sugestão foi: “Não o trate com ingratidão, pois ele durante muito tempo foi muito importante para a empresa. Chame-o para uma conversa franca, negocie sua saída de forma honrosa e gratificante”. – Saiu caro? Com certeza. Tanto emocional quanto financeiramente. Mas era mais caro ainda mantê-lo na gerência. O resultado foi que em poucos meses a empresa pode desenvolver seus planos de crescimento.
Outro empresário nomeou como gerente e sub gerente, duas pessoas de sua extrema confiança, pois estavam há muitos anos com ele. A pessoa escolhida para gerente, chorou ao ser nomeado, e confessou não ter preparo para o cargo (uma questão de índole e personalidade, pois não sabe comandar), mas mesmo assim foi colocado no posto. A pessoa escolhida para subgerente, de trato pessoal tremendamente difícil, irritadiça e antissocial, mas foi escolhida por ser ótima vendedora. – Resultado: nunca conseguiu manter uma equipe. O turnover é monstruoso e ele não aceita se livrar de nenhum dos dois. – Eu desisti.
Por fim, lembrei de uma situação vivida quando fazia o treinamento para implantação do PGC (Programa de Gestão Centralizada), desenvolvido pela FEBRAFAR. – O coach Gilberto de Souza falava justo desse assunto, quando uma colega de curso citou o exemplo de que tinha em sua loja, um funcionário antigo e acomodado, que não aceitava nenhuma das mudanças que precisavam ser implantadas, mas ela gostava dele e não queria, ou podia, demiti-lo. Lembro da resposta do Gilberto: “Gosta tanto dele? ...Leva prá ti!” – Ou seja, tira do teu negócio. – Duro? Não. Apenas realista.
Concluo com mais uma frase do livro acima mencionado, no mesmo capítulo: -“Nos negócios de hoje, o campo de jogo não é equilibrado. Ele é mais favorável para as equipes que têm as pessoas mais inteligentes” (Jack e Suzy Welch)
No mais, bons negócios prá todos nós.
Beto Buckmann




Comentários