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O TRABALHO ALÉM DO SALÁRIO

  • Carlos A. Buckmann
  • 18 de ago. de 2024
  • 4 min de leitura


Nietzsche e Domenico De Masi. –

O Trabalho Além do Salário

No livro A GAIA CIÊNCIA, Nietzsche escreveu: "Buscar trabalho pelo salário – nisso quase todos os homens dos países civilizados são iguais; para eles o trabalho é um meio, não um fim em si, e por isso são pouco refinados na escolha do trabalho, desde que proporcione uma boa renda. Mas existem seres raros, que preferem morrer a trabalhar sem ter prazer no trabalho: são aqueles seletivos, difíceis de satisfazer, aos quais não serve uma boa renda, se o trabalho mesmo não for a maior de todas as rendas." - Nietzsche, em sua perspicácia habitual, crava o dedo na ferida de uma sociedade que, em busca do conforto e da segurança, transforma o trabalho em mera ferramenta para a subsistência.  

A maioria de nós, enredados na teia da modernidade, trocamos horas de nossas vidas por um valor monetário. O trabalho, nesse contexto, se torna um fardo necessário, uma obrigação a ser cumprida. A satisfação, a realização pessoal, a paixão pelo que se faz, tudo isso fica em segundo plano, subjugado pela necessidade de garantir o sustento.

Mas Nietzsche nos lembra que nem todos se conformam com essa realidade. Há aqueles que, em meio à multidão, se recusam a vender sua alma por um salário. São os artistas, os cientistas, os artesãos, todos aqueles que encontram no trabalho uma forma de expressão, uma busca incessante por algo maior do que si mesmos. Para eles, o trabalho não é apenas um meio, mas um fim em si mesmo. É a pintura que os alimenta, a pesquisa que os move, a criação que os define.

A frase de Nietzsche nos convida a refletir sobre o sentido que damos ao trabalho. Estamos vivendo para trabalhar ou trabalhando para viver? Qual a nossa relação com aquilo que fazemos? Será que estamos apenas cumprindo um papel social ou estamos verdadeiramente realizando nosso potencial?

Em um mundo cada vez mais automatizado e competitivo, a busca por um trabalho que nos traga prazer e satisfação se torna ainda mais urgente. Afinal, é no trabalho que passamos a maior parte de nossas vidas. Por que, então, não fazer dele uma experiência enriquecedora e significativa?

A jornada em busca de um trabalho que nos inspire pode ser desafiadora, mas é também extremamente gratificante. Ao encontrarmos um propósito em nossas atividades, descobrimos um novo significado para a vida e nos tornamos seres mais completos e realizados.

As palavras de Nietzsche nos lembram que a felicidade não se encontra apenas no acúmulo de bens materiais, mas na realização pessoal e na busca por um sentido para a vida. Que possamos, então, encontrar em nosso trabalho não apenas um meio de subsistência, mas uma fonte de inspiração e crescimento.

Mas quero aprofundar um pouco mais o assunto  fazendo um paralelo:

Nietzsche, De Masi e o Trabalho: Um Equilíbrio entre Produção e Criatividade.

Nietzsche, em sua profunda análise, nos convida a questionar a natureza do trabalho em nossa sociedade. A visão do filósofo alemão sobre o trabalho como um mero meio para um fim encontra um eco interessante nas ideias de Domenico De Masi sobre o ócio criativo.  

De Masi, em sua obra, defende que a sociedade contemporânea, marcada pela automatização e pela abundância, deve reavaliar a importância do trabalho. Em vez de uma vida dedicada exclusivamente à produção, o sociólogo italiano propõe um equilíbrio entre trabalho, estudo e lazer, o que ele denomina "ócio criativo".

O ócio criativo não é sinônimo de preguiça ou ociosidade. Ao contrário, ele representa a possibilidade de dedicar tempo à criação, à reflexão, ao aprendizado e ao desenvolvimento pessoal. É nesse espaço de liberdade que a verdadeira inovação e a expressão da individualidade podem florescer.

Qual a relação entre Nietzsche e De Masi? Ambos os pensadores, embora de épocas distintas, compartilham a crença de que o trabalho não deve ser o único propósito da vida humana. Nietzsche, ao valorizar a criação artística e a busca por um sentido mais profundo, antecipa as ideias de DE MASI sobre o ócio criativo.

Mas como conciliar a necessidade de trabalhar para sobreviver com a busca por um trabalho que nos traga satisfação e realização? De Masi sugere que o futuro do trabalho está justamente nessa interseção entre o necessário e o desejável. A tecnologia, ao automatizar muitas tarefas, libera tempo para que as pessoas se dediquem a atividades mais criativas e prazerosas.

No contexto atual, a pandemia acelerou essa tendência. Muitas pessoas foram forçadas a repensar sua relação com o trabalho e a buscar novas formas de conciliar vida profissional e pessoal. O home office, por exemplo, embora apresente desafios, também oferece a oportunidade de flexibilizar a jornada de trabalho e dedicar mais tempo a atividades que nos dão prazer.

Em resumo, tanto Nietzsche quanto De Masi nos convidam a transcender a visão utilitarista do trabalho e a buscar um significado mais profundo em nossas atividades. Ao equilibrarmos a necessidade de produzir com o desejo de criar, podemos construir uma vida mais plena e significativa.

E você, como concilia trabalho e lazer em sua vida? Acredita que o ócio criativo é uma possibilidade real na sociedade contemporânea?

Pensar nisso pode fazer toda a diferença para sua vida daqui em diante.

VALE A PENA.

NH, 18/08/2024.

# Fica a dica: siga meu blog.

 

 

 

 
 
 

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