O SEGREDO DA EXISTÊNCIA
- Carlos A. Buckmann
- 31 de mai. de 2025
- 3 min de leitura

O SEGREDO DA EXISTÊNCIA
Desde minha juventude, fui tomado por uma admiração profunda pela obra de Fiódor Dostoiévski. Seus romances, densos e psicológicos, revelam as profundezas da alma humana com uma precisão quase cirúrgica. "Crime e Castigo", com sua análise da culpa e do arrependimento; "O Idiota", que expõe a fragilidade da bondade em um mundo cínico; "Os Demônios", uma crítica feroz ao niilismo e às ideologias extremas; "Os Irmãos Karamázov", sua obra-prima, que explora a fé, a razão e o livre-arbítrio; “Uma Anedota Infame,” Publicada em 1862 - essa novela satírica expõe a hipocrisia da elite russa; “O Jogador” – Escrito em 1867, esse romance reflete a própria experiência de Dostoiévski com o vício em jogos de azar; “ Noites Brancas” – Publicado em 1848, é uma das obras mais românticas escrita por ele; “Notas do Subsolo” – De 1864, essa novela é considerada uma das precursoras do existencialismo e, “Memórias da Casa dos Mortos” – Publicado em 1862, é baseado na experiência real de Dostoiévski na prisão siberiana.
Cada um desses livros moldou minha visão de mundo, oferecendo-me não apenas histórias, mas reflexões que ecoam em minha própria existência, o que me faz lembrar do que Nietzsche escreveu sobre ele: "Dostoiévski é o único psicólogo com quem tenho algo a aprender"
Dostoiévski, nascido em 1821, viveu uma vida marcada por tragédias e reviravoltas. Condenado à morte por suas associações políticas, foi salvo no último instante e enviado à Sibéria, onde experimentou a miséria e a brutalidade humana em sua forma mais crua. Foi nesse contexto que sua visão de mundo se consolidou, e sua literatura passou a refletir a luta entre o bem e o mal, a fé e a dúvida, a liberdade e a servidão.
Relendo OS IRMÃOS KARAMÁZOV destaquei essa frase: "O segredo da existência humana reside não só em viver, mas também em saber para que se vive". Ela surge no contexto de uma discussão filosófica sobre o propósito da vida, um tema recorrente na obra do autor. Dostoiévski não se contentava com a mera sobrevivência; para ele, a vida só adquiria sentido quando guiada por um propósito maior, seja ele espiritual, moral ou intelectual.
Essa reflexão transcende o indivíduo e adentra o universo das relações humanas e da gestão empresarial. No âmbito pessoal, a busca por um propósito é o que distingue uma existência plena de uma mera sucessão de dias. No campo profissional, essa ideia se manifesta na necessidade de alinhar trabalho e significado. Empresas que prosperam são aquelas que não apenas geram lucro, mas também oferecem um propósito claro a seus colaboradores. O líder que compreende essa verdade não apenas administra, mas inspira.
Também outros pensadores seguiram essa linha de raciocínio. Viktor Frankl, psiquiatra austríaco, desenvolveu a logoterapia, baseada na ideia de que o sentido da vida é essencial para a saúde mental. Nietzsche, por sua vez, afirmou que "quem tem um porquê para viver pode suportar quase qualquer como". Simon Sinek, em tempos modernos, reforça essa ideia ao defender que empresas devem começar pelo "porquê", pois é isso que motiva e engaja pessoas.
Exemplos históricos ilustram essa verdade. Steve Jobs, ao fundar a Apple, não buscava apenas vender computadores, mas transformar a relação entre humanos e tecnologia. Nelson Mandela, ao lutar contra o apartheid, não apenas sobreviveu às décadas de prisão, mas manteve-se firme porque sabia para que vivia. Em ambos os casos, o propósito foi o combustível que permitiu superar barreiras aparentemente intransponíveis.
Um amigo, ao refletir sobre essa frase de Dostoiévski, concluiu: "O segredo da existência humana é saber para que se vive... e, se possível, viver sem precisar de reuniões intermináveis e planilhas de Excel!" Ah, se Dostoiévski tivesse conhecido o mundo corporativo moderno, talvez tivesse escrito um capítulo extra sobre isso.
Que possamos, como ele, buscar não apenas viver, mas encontrar um propósito que nos faça transcender a mera existência.




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