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O "SE" DA TRANSCENDÊNCIA

  • Carlos A. Buckmann
  • 4 de fev.
  • 3 min de leitura

O "SE" DA TRANSCENDÊNCIA

            Até aqui nos ocupamos com o que o tempo nos tira: a juventude, os momentos, a vida física.

            Hoje o tema nos convida a observar o que conseguimos projetar para além de nós mesmos.

            Afinal, se somos seres finitos, a nossa sede de infinito é o que nos torna extraordinários.

            A vida cotidiana tende a nos enclausurar no imediato: boletos, horários, demandas. No entanto, o "SE" da transcendência nos lança um desafio de elevação:

            "E 'SE' a nossa existência não terminar nos limites da nossa pele, mas continuar naquilo que fomos capazes de amar e criar?".

            Transcendência não precisa ser um conceito puramente religioso; é o ato de ir além, de atravessar a fronteira do próprio ego para tocar algo maior. Acredito que a transcendência é a nossa resposta ao silêncio do universo, baseando-me em autores que viram no humano uma ponte para o eterno:

            Immanuel Kant, ao final de sua “Crítica da Razão Prática”, falava de duas coisas que enchiam sua alma de admiração: "o céu estrelado acima de mim e a lei moral dentro de mim". O seu "SE" é o da conexão: "E 'SE' a nossa capacidade de agir com justiça e beleza fosse a prova de que pertencemos a uma ordem que ultrapassa o tempo biológico?".

            Viktor Frankl, que já citamos várias vezes em nossa trilha, defendia que o homem é um ser que busca sentido, e esse sentido sempre está "fora" dele, em uma causa a servir ou em outra pessoa a amar. O seu "SE" é o da “autotranscendência”: "E 'SE' quanto mais eu me esqueço de mim mesmo em prol de algo, mais humano e pleno eu me torno?".

            Transcender é o ato de deixar de ser "eu" para se tornar "nós". É a percepção de que somos parte de um fluxo maior que começou muito antes de nós e continuará muito depois. O "SE" da transcendência nos pergunta se estamos apenas ocupando espaço no tempo ou se estamos ajudando a tecer a tapeçaria da humanidade.

            O"SE" da transcendência pode mudar a nossa percepção da morte.

            Vamos recordar o projeto das Sondas Voyager, lançadas ao espaço em 1977. Dentro delas, há o "Disco de Ouro", contendo sons, imagens e músicas da Terra.

            O "SE" que moveu os cientistas foi o da mensagem na garrafa cósmica:

            "E 'SE' a nossa civilização desaparecer, mas a nossa música, Bach, Mozart, o blues, continuar viajando pelo vácuo por bilhões de anos?".

            Ao enviarem aquele disco, eles não estavam apenas fazendo ciência; estavam exercendo a transcendência. Eles provaram que o ser humano é capaz de projetar sua beleza e sua inteligência para além de sua própria sobrevivência planetária.

            Deixando aqui mais uma provocação: - Em nosso tempo de futilidades virais e egocentrismo exacerbado, corremos o risco de encolher a nossa alma. Quando vivemos apenas para o prazer imediato, tornamo-nos prisioneiros de um tempo que urge e devora. A transcendência exige que levantemos os olhos das telas e olhemos para o horizonte. Ela nos lembra que somos o universo tentando compreender a si mesmo.

            A dialética da transcendência nos ensina que o finito e o infinito convivem em cada um de nossos atos generosos. O "SE" do além nos dá a paz de saber que não somos apenas um acidente biológico, mas um elo consciente na corrente da vida.

            A nossa maior obra de arte não é o que o tempo pode destruir, mas o significado que imprimimos na vida de quem tocamos.

            A transcendência é o salto que damos do "eu sou" para o "eu pertenço".

            Se soubermos viver com essa consciência, o fim desse capítulo não é um encerramento, mas o prelúdio para o ato final.            

 
 
 

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