O REI NA BARRIGA
- Carlos A. Buckmann
- 5 de ago. de 2020
- 3 min de leitura

As pessoas que me conhecem e privam de minha intimidade, sabem do meu costume de sempre ter comigo, na mochila de trabalho ou mesmo nas mãos, um ou dois livros, em que aproveito cada tempo livre para uma oportunidade de leitura. Podem chamar de mania, cacoete, ou qualquer nome que queiram dar.
Num certo fim de tarde, voltando do trabalho para casa, entrei num taxi tendo nas mãos o ‘TRATADO DA TOLERÂNCIA”, de François-Marie Arouet (Voltaire). O taxista, puxando conversa, me perguntou que livro eu tinha nas mãos. Quando lhe mostrei a capa do livro, com título e autor, ele inocentemente me perguntou se Voltaire seria “Voltaire Pires”, que para ele era o nome de uma rua de Porto Alegre. Como também é meu costume gostar de conversar, pacientemente lhe falei sobre o livro e seu autor, incluindo a frase que a lenda atribui a Voltaire: “Não concordo com o que você diz, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-lo”.
Tudo isso que escrevi acima, vem de encontro a diversos fatos que tenho presenciado no desenrolar de meus contatos com lojistas de nosso quadro associativo de modo particular, mas também de grande parte de empresários individuais, onde, por terem criado suas pequenas empresas com árduo trabalho, reconheço isso, se prendem a “miséria” de que sabem tudo e que, na sua área de atuação, na sua região, “os clientes são diferentes”. E por mais que você diga e mostre até pelo velho chavão que “os problemas são os mesmos, apenas mudam de endereço”, eles se agarram na teimosia, como diz o psiquiatra LUIZ ALBERTO HETEN (A Grande Obra – Editora Figurati – pag. 50): “A gama de posicionamentos que vai desde a dificuldade de aceitar ideia contrária à sua até a defesa irredutível, inegociável e agressiva de um ponto de vista, expressa a rigidez conceitual por trás da teimosia, desculpa muitas vezes utilizada para camuflar o orgulho”. – É isso aí: ORGULHO. O velho conhecido sujeito que tem O REI NA BARRIGA.
Nós gaúchos temos um dito popular, que entendo NÃO politicamente correto e até xenofóbico: “O cara tem um argentino por dentro”, salientando o jeito orgulhoso de ser de nossos “Hermanos”. Mas, dito de qualquer dos modos, significa que a pessoa tem um orgulho idiota de achar que sabe tudo. Por certo, nunca leu Platão, para entender a humildade de Sócrates: “Só sei que nada sei”, apregoava o filósofo.
Aprender a cada dia, todas as horas, ter a gentileza e até a humildade de ouvir outras pessoas, não importa se mais velhas ou mais jovens, é uma obrigação que temos, pois só assim estamos nos aperfeiçoando e buscando uma vida melhor. Quem é carioca ou frequentou as ruas do Rio de Janeiro, por certo conheceu ou pelo menos ouviu falar no PROFETA GENTILEZA, andarilho que pintou as pilastras do Viaduto do Gasômetro carioca com obras de arte retratando sua filosofia: “GENTILEZA GERA GENTILEZA”. De barba branca, vestindo uma túnica surrada, andava pela cidade distribuindo amor, flores e sabedoria. Quem teve contato com ele, por certo aprendeu muito.
O empresário que sente que tem problemas para desenvolver seus negócios e não sabe quais são e, pior, acha que está sempre certo, com certeza, o problema é ele.
Voltando ao taxista do início deste texto, no final da corrida, enquanto eu pagava ele retirou da porta de seu lado e me mostrou com orgulho, dois livros que estava lendo a cada momento de folga em que não estava dirigindo. Me agradeceu pelo “papo” durante a corrida e prometeu que iria comprar o TRATADO DA TOLERÂNCIA, pois, nas palavras dele, “é preciso aprender a cada dia, pois só assim a gente pode fazer o mundo melhor”.
Pense nisso
e bons negócios prá nós,




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