O PREÇO DO NADA
- Carlos A. Buckmann
- 24 de mai. de 2025
- 3 min de leitura

O PREÇO DO NADA
Costumo dizer, em meio às negociações com possíveis clientes, que meu maior concorrente não é outro consultor; é o "nada". Sim, o nada. Aquela decisão muda de não decidir, de não investir, de não agir. É curioso como, ao me procurarem, tantos empreendedores apertam os olhos ao escutar o valor da consultoria. A conta parece sempre pesar mais do que o benefício previsto. E quando me deparo com essas reações, vem-me à mente uma frase contundente de Philip Kotler: "As companhias prestam muita atenção ao custo de fazer alguma coisa. Deviam preocupar-se mais com os custos de não fazer nada."
Frequentemente me deparo com olhares desconfiados que sopesam o custo da expertise antes de reconhecerem seu valor. É um fenômeno curioso: o investimento em conhecimento é tratado como despesa e não como alicerce do crescimento.
A negligência no aprimoramento das equipes não é apenas um erro estratégico, mas uma miopia perigosa. Peter Drucker já alertava para a necessidade de constante aprendizado, afirmando que a maior ameaça às organizações é a obsolescência. Gary Becker, prêmio Nobel, consolidou a ideia de capital humano como fator essencial de produtividade. Não treinar funcionários é como manter um motor sem lubrificação: a engrenagem emperra, o desempenho declina, e os custos invisíveis se acumulam.
Pensemos, por exemplo, no treinamento de equipes. Um gestor prudente pode hesitar diante do custo de capacitar seus funcionários, mas esquece de contabilizar o que custa manter uma equipe despreparada. A negligência instrucional cobra caro: em perdas de vendas, em erros operacionais, em clientes insatisfeitos e, no final das contas, em oportunidades que escorrem por entre os dedos.
Voltando a Peter Drucker, o patriarca da administração moderna, que já alertava que “a única vantagem competitiva sustentável é a capacidade de aprender e mudar mais rápido do que os concorrentes”. É justamente isso que a consultoria oferece: aceleração no aprendizado e direção na mudança. O filósofo e economista John Stuart Mill também endossaria, com sua defesa do progresso pelo saber aplicado, que “ignorar a educação contínua de uma equipe é assinar um contrato com a mediocridade.”
Basta olhar para exemplos concretos. Empresas que abraçaram consultorias tiveram saltos significativos em eficiência e lucratividade. A Toyota, por meio do método Kaizen, elevou sua produção e qualidade, enquanto a IBM reinventou sua abordagem corporativa ao investir em transformação digital com apoio de especialistas. Mesmo pequenas empresas podem, e devem, recorrer a consultorias. Um restaurante local que otimize processos na cozinha ou um comércio que redesenhe sua estratégia de vendas podem, com orientação adequada, triplicar seus resultados.
É crucial salientar que mesmo as pequenas empresas, frequentemente assoberbadas por recursos limitados, podem e devem se valer dos benefícios da consultoria. Um olhar externo e especializado pode identificar gargalos operacionais, sugerir soluções criativas com baixo custo e orientar o empreendedor em decisões cruciais para o futuro do seu negócio. Ignorar essa possibilidade sob o pretexto de limitação orçamentária é, paradoxalmente, incorrer em um custo ainda maior: o da estagnação ou até mesmo do declínio.
No entanto, é importante salientar: nem toda ajuda se chama consultoria. Palestras motivacionais podem empolgar, mas não sustentam processos. E “coaches” que se dizem especialistas em tudo costumam não compreender profundamente nada. Consultoria séria exige bagagem, método, estudo, vivência e, sobretudo, responsabilidade com os resultados.
A diferença fundamental está na profundidade e no propósito do trabalho. O consultor resolve problemas concretos com base em dados e experiência. O palestrante inspira e informa. O coach guia o indivíduo em um processo de desenvolvimento. Escolher entre eles depende do que você busca: uma solução prática, uma dose de motivação ou um processo de crescimento pessoal e profissional. Enquanto um consultor transforma a realidade, um discurso motivacional pode evaporar como fumaça ao vento.
Por isso, ao contratar um consultor, é essencial olhar para seu histórico profissional, sua trajetória e seus cases de sucesso. Não basta um discurso eloquente; é preciso conhecimento sólido e aplicável. Pois, no fim, como bem disse Kotler, maior que o preço de uma consultoria é o custo da inércia.
“Se você acha caro pagar por um bom consultor, espere até ver a conta do amadorismo.”




Comentários