O OFÍCIO DO ENCONTRO HUMANO
- Carlos A. Buckmann
- 10 de set. de 2025
- 8 min de leitura
Atualizado: 29 de set. de 2025

O OFÍCIO DO ENCONTRO HUMANO
A Arte de Atender Todos os Tipos de Clientes
Ao final de uma longa semana visitando farmácias, sentei-me em uma praça com meu caderno aberto, observando pessoas entrarem e saírem de uma loja de esquina. Vi o bem-humorado rindo com a atendente, o tímido hesitando entre os testes de glicemia, o presunçoso exigindo o farmacêutico “doutor mesmo”, o apressado batendo o pé no balcão, o desconfiado comparando preços no celular, o briguento gritando por um remédio em falta.
Ali entendi: Atender bem não é técnica isolada. É arte de adaptação constante. É filosofia em movimento. Porque cada cliente não é um perfil em um manual. É um universo com história, medos, desejos e cicatrizes. E o verdadeiro profissional não impõe um padrão de atendimento. Ele se transforma, sutilmente, para habitar, por alguns minutos, o mundo do outro.
Flexibilidade é Essencial: O Mutante como Modelo de Excelência. O maior erro do varejo farmacêutico é achar que existe um “melhor jeito” de atender. Não existe. Existe o jeito certo para aquele cliente, naquele momento.
Com o tímido, você é suave, silencioso, respeitoso. Com o apressado, é direto, ágil, eficiente. Com o briguento, é calmo, empático, solucionador. Com o presunçoso, é refinado, técnico, distinto. Com o desconfiado, é transparente, paciente, comprovável. Com o bem-humorado, é leve, sorridente, conectado.
Essa capacidade de “mudar de pele sem perder a essência” é o que Carl Jung chamava de “individuação dinâmica” a habilidade de manter o centro próprio enquanto se adapta ao outro.
No varejo, isso se chama flexibilidade emocional operacional. E é a diferença entre um atendente e um “artesão do relacionamento”. Como diz o filósofo Heráclito, “nenhum homem entra duas vezes no mesmo rio”. E nenhum cliente entra duas vezes na mesma farmácia com o mesmo estado emocional.
Quem não se adapta, não atende. Repete.
Empatia como Ferramenta: A Ciência do “Eu-Tu”. Empatia não é simpatia. Não é “ser bonzinho”. É inteligência estratégica. É a capacidade de sentir com o outro sem perder o foco no objetivo, que é, sim, vender, mas de forma ética, duradoura, sustentável.
Quando o cliente briguento grita, a empatia não significa concordar com ele. Significa dizer: “Sei que isso está te deixando frustrado. Vamos resolver juntos.” Você não está cedendo. Está validando a emoção para acalmar a razão. Como ensina Martin Buber, na filosofia do “Eu e Tu”, o encontro humano só é verdadeiro quando o outro deixa de ser objeto e se torna sujeito. E no balcão de uma farmácia, isso é tudo. Porque o cliente não quer apenas um remédio. Quer ser visto como pessoa, não como número no sistema.
A empatia é a cola dos relacionamentos. E, como demonstrou Daniel Goleman, é o pilar central da inteligência emocional, responsável por mais de 80% do sucesso em interações humanas no ambiente de trabalho.
Aprendizado Contínuo: Cada Cliente é uma Aula. Cada interação é um experimento. Um laboratório vivo. E o bom vendedor não termina o atendimento e esquece. Ele reflete: O que funcionou com o desconfiado? Por que o presunçoso aceitou o genérico hoje, se ontem rejeitou? Por que o tímido, pela primeira vez, pediu ajuda?
Esse processo de análise pós-interação é o que transforma experiência em expertise. É o que Donald Schön, teórico da prática reflexiva, chamava de “pensar na ação” e “pensar sobre a ação”. Não basta agir. É preciso aprender com cada gesto, cada palavra, cada silêncio.
E aqui entra o papel do dono e do consultor: criar uma cultura de aprendizado coletivo.
Reuniões rápidas ao final do dia: “Hoje, quem foi o cliente mais difícil? O que aprendemos com ele?”
Porque, no fim, o cliente difícil não atrapalha. Ensina.
Construa Relacionamentos: A Fidelidade como Consequência. O mercado atual é cruel com quem pensa que fidelidade se conquista com desconto. Desconto atrai. Mas não retém. Porque o concorrente ao lado sempre pode oferecer R$ 0,10 a menos. O que retém é o*vínculo humano. É o balconista que lembra do nome do filho do cliente. É a atendente que avisa: “O senhor usava aquele colírio? Chegou um lote novo com embalagem melhor.” É o vendedor que, sem pressão, pergunta: “Como está o tratamento? Está sentindo melhora?”
Conquistar é fácil. Perder é mais fácil ainda. Reconquistar? Quase impossível.
Como diz o sociólogo Zygmunt Bauman, vivemos na “modernidade líquida”, onde tudo é provisório, frágil, descartável. Mas justamente por isso, o relacionamento duradouro é o ativo mais raro, e mais valioso. E ele não se constrói em uma venda. Constrói-se em centenas de micro interações, todas feitas com intenção, presença e consistência.
Ainda há quem ache que vender em farmácia é só passar o produto no leitor óptico. Que atendimento é “bom dia, tudo bem?”. Que o cliente é um número no relatório do ERP. Mas quem pensa assim não está no mercado. Está em extinção. Porque o futuro do varejo de saúde não pertence aos que têm mais estoque, nem aos que têm menor preço, nem aos que têm o maior banner na entrada. Pertence aos que entendem que atender é, antes de tudo, humanizar o processo. Que cada cliente é um desafio único. Que a verdadeira excelência está na capacidade de se transformar sem perder a essência.
Pare de achar que gestão é só planilha. Gestão é psicologia aplicada. É filosofia em ação. É ética no balcão.
E se você, hoje, conseguiu fazer um tímido sorrir, um apressado agradecer, um briguento confiar, um presunçoso voltar, saiba: você não só vendeu. Você cuidou. E no fim do dia, é isso que cura. Não só o corpo. Mas o negócio. E a alma de quem o conduz.
tender bem não é técnica. É vocação. E vocação, quando exercida com consciência, se torna legado.
Siga em frente. O próximo cliente já está entrando. E ele merece o melhor de você. A Arte de Atender Todos os Tipos de Clientes Ao final de uma longa semana visitando farmácias, sentei-me em uma praça com meu caderno aberto, observando pessoas entrarem e saírem de uma loja de esquina. Vi o bem-humorado rindo com a atendente, o tímido hesitando entre os testes de glicemia, o presunçoso exigindo o farmacêutico “doutor mesmo”, o apressado batendo o pé no balcão, o desconfiado comparando preços no celular, o briguento gritando por um remédio em falta.
Ali entendi: Atender bem não é técnica isolada. É arte de adaptação constante. É filosofia em movimento. Porque cada cliente não é um perfil em um manual. É um universo com história, medos, desejos e cicatrizes. E o verdadeiro profissional não impõe um padrão de atendimento. Ele se transforma, sutilmente, para habitar, por alguns minutos, o mundo do outro.
Flexibilidade é Essencial: O Mutante como Modelo de Excelência. O maior erro do varejo farmacêutico é achar que existe um “melhor jeito” de atender. Não existe. Existe o jeito certo para aquele cliente, naquele momento.
Com o tímido, você é suave, silencioso, respeitoso. Com o apressado, é direto, ágil, eficiente. Com o briguento, é calmo, empático, solucionador. Com o presunçoso, é refinado, técnico, distinto. Com o desconfiado, é transparente, paciente, comprovável. Com o bem-humorado, é leve, sorridente, conectado.
Essa capacidade de “mudar de pele sem perder a essência” é o que Carl Jung chamava de “individuação dinâmica” a habilidade de manter o centro próprio enquanto se adapta ao outro.
No varejo, isso se chama flexibilidade emocional operacional. E é a diferença entre um atendente e um “artesão do relacionamento”. Como diz o filósofo Heráclito, “nenhum homem entra duas vezes no mesmo rio”. E nenhum cliente entra duas vezes na mesma farmácia com o mesmo estado emocional.
Quem não se adapta, não atende. Repete.
Empatia como Ferramenta: A Ciência do “Eu-Tu”. Empatia não é simpatia. Não é “ser bonzinho”. É inteligência estratégica. É a capacidade de sentir com o outro sem perder o foco no objetivo, que é, sim, vender, mas de forma ética, duradoura, sustentável.
Quando o cliente briguento grita, a empatia não significa concordar com ele. Significa dizer: “Sei que isso está te deixando frustrado. Vamos resolver juntos.” Você não está cedendo. Está validando a emoção para acalmar a razão. Como ensina Martin Buber, na filosofia do “Eu e Tu”, o encontro humano só é verdadeiro quando o outro deixa de ser objeto e se torna sujeito. E no balcão de uma farmácia, isso é tudo. Porque o cliente não quer apenas um remédio. Quer ser visto como pessoa, não como número no sistema.
A empatia é a cola dos relacionamentos. E, como demonstrou Daniel Goleman, é o pilar central da inteligência emocional, responsável por mais de 80% do sucesso em interações humanas no ambiente de trabalho.
Aprendizado Contínuo: Cada Cliente é uma Aula. Cada interação é um experimento. Um laboratório vivo. E o bom vendedor não termina o atendimento e esquece. Ele reflete: O que funcionou com o desconfiado? Por que o presunçoso aceitou o genérico hoje, se ontem rejeitou? Por que o tímido, pela primeira vez, pediu ajuda?
Esse processo de análise pós-interação é o que transforma experiência em expertise. É o que Donald Schön, teórico da prática reflexiva, chamava de “pensar na ação” e “pensar sobre a ação”. Não basta agir. É preciso aprender com cada gesto, cada palavra, cada silêncio.
E aqui entra o papel do dono e do consultor: criar uma cultura de aprendizado coletivo.
Reuniões rápidas ao final do dia: “Hoje, quem foi o cliente mais difícil? O que aprendemos com ele?”
Porque, no fim, o cliente difícil não atrapalha. Ensina.
Construa Relacionamentos: A Fidelidade como Consequência. O mercado atual é cruel com quem pensa que fidelidade se conquista com desconto. Desconto atrai. Mas não retém. Porque o concorrente ao lado sempre pode oferecer R$ 0,10 a menos. O que retém é o*vínculo humano. É o balconista que lembra do nome do filho do cliente. É a atendente que avisa: “O senhor usava aquele colírio? Chegou um lote novo com embalagem melhor.” É o vendedor que, sem pressão, pergunta: “Como está o tratamento? Está sentindo melhora?”
Conquistar é fácil. Perder é mais fácil ainda. Reconquistar? Quase impossível.
Como diz o sociólogo Zygmunt Bauman, vivemos na “modernidade líquida”, onde tudo é provisório, frágil, descartável. Mas justamente por isso, o relacionamento duradouro é o ativo mais raro, e mais valioso. E ele não se constrói em uma venda. Constrói-se em centenas de micro interações, todas feitas com intenção, presença e consistência.
Ainda há quem ache que vender em farmácia é só passar o produto no leitor óptico. Que atendimento é “bom dia, tudo bem?”. Que o cliente é um número no relatório do ERP. Mas quem pensa assim não está no mercado. Está em extinção. Porque o futuro do varejo de saúde não pertence aos que têm mais estoque, nem aos que têm menor preço, nem aos que têm o maior banner na entrada. Pertence aos que entendem que atender é, antes de tudo, humanizar o processo. Que cada cliente é um desafio único. Que a verdadeira excelência está na capacidade de se transformar sem perder a essência.
Pare de achar que gestão é só planilha. Gestão é psicologia aplicada. É filosofia em ação. É ética no balcão.
E se você, hoje, conseguiu fazer um tímido sorrir, um apressado agradecer, um briguento confiar, um presunçoso voltar, saiba: você não só vendeu. Você cuidou. E no fim do dia, é isso que cura. Não só o corpo. Mas o negócio. E a alma de quem o conduz.
Atender bem não é técnica. É vocação. E vocação, quando exercida com consciência, se torna legado.
Siga em frente. O próximo cliente já está entrando.
E ele merece o melhor de você.




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