O MENTALISMO
- Carlos A. Buckmann
- 27 de dez. de 2025
- 3 min de leitura

O MENTALISMO
O Universo é uma ideia
Ontem, alguém que se identificou como um “maçom Iniciante” enviou-me uma mensagem dizendo que gostou muito da minha crônica sobre o Caibalion e perguntou se eu poderia escrever sobre todos os sete Princípios.
Confesso que não tenho nem um décimo da capacidade de explicador de um Clóvis de Barros Fº, mas sou um estudioso e pesquisador da filosofia e, com base nisso, sempre estou atendendo conforme posso.
Iniciamos, então, nossa jornada pelos sete degraus da sabedoria hermética, conforme o livro citado.
O primeiro deles nos retira o chão sob os pés, pois questiona a própria solidez da matéria que acreditamos tocar.
O Primeiro Princípio: O Mentalismo - O Universo é uma Ideia
Frequentemente, ao caminhar pelas ruas apinhadas da cidade, deixo-me levar por uma percepção inquietante: tudo o que vejo, do arranha-céu de vidro ao asfalto sob meus sapatos, existiu primeiro como um sussurro na mente de alguém. Nada se manifesta no plano físico sem ter sido, antes, uma abstração, um desejo ou um projeto mental. É como se a matéria fosse apenas o pensamento que se tornou lento o suficiente para ser tocado.
Esta percepção me conduz diretamente ao primeiro grande axioma do Caibalion: "O Todo é Mente; o Universo é Mental". Segundo a tradição de Hermes Trismegisto, a realidade fundamental que sustenta o cosmos não é a substância material, mas uma consciência infinita e vivente. O "Todo", essa inteligência primordial, concebe o universo como um arquiteto concebe uma obra em sua imaginação, mantendo-nos todos dentro de sua vasta psique.
Essa ideia, que para alguns soa como misticismo puro, encontra um eco profundo na estrutura da nossa sociedade moderna. Se observarmos bem, as fronteiras nacionais, o valor do dinheiro e as leis de mercado não possuem existência física; são constructos puramente mentais, sustentados pelo consenso coletivo. No mundo dos negócios, o "branding" de uma empresa é a tentativa de ocupar um espaço na mente do consumidor, provando que o valor intangível (a ideia) é muitas vezes mais real do que o produto físico em si.
Transitando dessa esfera coletiva para a nossa vida pessoal, o princípio do mentalismo nos revela que somos, em grande parte, arquitetos do nosso próprio microcosmo. O modo como interpretamos um revés, como tragédia ou como oportunidade, altera a química do nosso corpo e a direção das nossas ações. Não reagimos ao mundo, mas à imagem mental que construímos dele.
Essa visão de que a mente precede a matéria não é exclusividade dos hermetistas.
Platão, em sua Teoria das Ideias, já nos alertava que o mundo sensível é apenas uma sombra de uma realidade inteligível superior.
Séculos depois, o físico Sir James Jeans afirmou: "O universo começa a parecer mais com um grande pensamento do que com uma grande máquina".
Até mesmo na física quântica, o papel do observador no colapso da função de onda sugere que a consciência e a matéria estão intrinsecamente ligadas.
Recordo-me de uma história contemporânea que ilustra essa potência: a criação das moedas digitais. Um indivíduo (ou grupo), sob o pseudônimo de Satoshi Nakamoto, lançou uma ideia matemática na rede. Não havia ouro, papel ou exército garantindo aquele valor. Havia apenas uma estrutura lógica, uma convicção mental compartilhada. Em poucos anos, trilhões de dólares de valor "real" foram gerados a partir do puro intelecto, alterando a economia global sem que uma única barra de metal fosse movida.
Observo com um olhar crítico a responsabilidade que este princípio nos impõe.
Se o universo é mental, então a "poluição" mais perigosa não é a dos oceanos, mas a das ideias.
Vivemos em um tempo em que somos bombardeados por pensamentos alheios, e esquecemos que nossa mente é o laboratório onde nossa realidade é destilada.
Ser mestre de si mesmo começa, inexoravelmente, pela vigilância rigorosa sobre o que permitimos que floresça em nosso jardim interno.




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