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O INSTANTE IRREVOGÁVEL

  • Carlos A. Buckmann
  • 2 de jun. de 2025
  • 4 min de leitura

O INSTANTE IRREVOGÁVEL.

            Há um erro que se repete como um sussurro do tempo: acreditar que o presente é uma mera extensão do passado, um rio que corre inexorável sem desvios ou escolhas. Enganamo-nos ao tentar reviver o que já se esvaiu, como se pudéssemos recuperar, intacta, uma realidade que nos escorregou pelos dedos. Esquecemos que aquilo que foi não pode ser transplantado sem deformações, pois o solo da existência muda, e os contextos se esfacelam, dissolvendo-se na efemeridade daquilo que já não é.

            Simone de Beauvoir nos alerta: “O presente não é um passado em potência, ele é o momento da escolha e da ação.” Eis a revelação contundente de que a nostalgia pode ser um cárcere. O instante presente não é um resquício do que já aconteceu; é um território autônomo, um campo aberto para a deliberação e a criação. O erro não reside apenas em tentar reeditar o passado, mas em ignorar que cada dia nos chega como um pergaminho em branco, esperando as marcas de nossas decisões.

            Nietzsche, por sua vez, nos provoca com seu eterno retorno: “O homem mais forte é aquele que quer o eterno retorno de todas as coisas.” Mas será possível desejar que tudo se repita, sem que nos afoguemos na areia movediça daquilo que não funcionou? Os negócios, a sociedade, os projetos pessoais; tantas vezes tentamos ressuscitar fórmulas vencidas, acreditando que, desta vez, o desfecho será diferente. Entretanto, o erro persiste quando nos esquecemos de que o contexto muda, e que o êxito de outrora pode ser a ruína de hoje.

            Schopenhauer, por seu pessimismo lúcido, nos diz: “O destino embaralha as cartas, e nós jogamos.” Se jogamos, que seja com consciência plena de que a estratégia passada pode não servir à partida presente. Uma sociedade que avança não pode se apegar aos moldes obsoletos; um negócio inovador não pode se restringir às fórmulas do sucesso de ontem; uma vida plena exige não apenas reflexão sobre o que foi, mas audácia sobre o que pode ser.

            E qual seria, então, a solução para os dilemas das realizações humanas? Talvez resida na coragem de perceber que o tempo não se curva ao nosso apego. A vida exige ousadia e discernimento: uma sociedade que progride revisita o passado para aprender, mas não para repetir; um negócio próspero se reinventa constantemente; um indivíduo verdadeiramente livre não teme o novo, porque sabe que o instante presente é um campo de infinitas possibilidades.

            Para garantir que nossas ações no presente sejam eficazes e alinhadas com a realidade do momento, algumas práticas podem ser fundamentais. - Cultivar a consciência plena:  Estar presente de verdade, sem permitir que as sombras do passado dominem nossas escolhas. Práticas como meditação e mindfulness ajudam a desenvolver essa percepção. Aprender com o passado sem se prender a ele:  O que já aconteceu pode ser uma lição, não um roteiro fixo. Revisite experiências para extrair ensinamentos, mas sem a ilusão de que repetir os mesmos passos trará resultados idênticos. Desenvolver a capacidade de adaptação:  Epicteto já aconselhava: não desperdice energia tentando mudar o inalterável. Se quisermos agir com eficácia, precisamos distinguir entre aquilo que podemos influenciar e o que está além do nosso alcance. Ter metas claras e princípios sólidos ajuda a evitar que fiquemos à deriva. Valorizar o agora como única certeza: Como dizia Gandhi, “o futuro depende do que fazemos no presente.” O tempo futuro será consequência das nossas ações de hoje, então tomar decisões corajosas agora é o primeiro passo para um amanhã significativo.

            A adaptação no ambiente de trabalho é essencial para prosperar em um mundo em constante transformação.           Me atrevo a sugerir alguns exemplos práticos de adaptação que podem ser observados no dia a dia profissional:

            - Aceitação de novas tecnologias: Profissionais que se familiarizam rapidamente com novas ferramentas digitais, como softwares de gestão, inteligência artificial e automação de processos, tendem a se destacar.       - Flexibilidade diante de mudanças organizacionais: Empresas frequentemente reestruturam equipes e redefinem objetivos. Quem se adapta com prontidão, aceitando novas funções e responsabilidades, demonstra resiliência e capacidade de crescimento.

            - Desenvolvimento de novas habilidades: O aprendizado contínuo é uma das marcas da adaptação. Profissionais que buscam cursos, treinamentos e aprimoramento técnico conseguem se manter relevantes mesmo em cenários competitivos.

            - Gestão emocional em ambientes de alta pressão:  Em contextos desafiadores, como prazos apertados e demandas urgentes, profissionais que conseguem manter a calma, reorganizar prioridades e tomar decisões rápidas demonstram habilidade de adaptação.

            -  Mudança de mindset em relação à liderança: Líderes que deixam de lado modelos hierárquicos rígidos e adotam estilos mais colaborativos e empáticos conseguem engajar melhor suas equipes, favorecendo um ambiente de inovação e crescimento.

            - Capacidade de lidar com diversidade e inclusão: Quem valoriza a pluralidade de ideias, culturas e experiências enriquece o ambiente corporativo e promove um espaço de trabalho mais produtivo e respeitoso.

            Adaptar-se não significa apenas sobreviver às mudanças, mas sim aproveitá-las como oportunidades de evolução. Afinal, como Darwin já nos alertava, “não é o mais forte que sobrevive, nem o mais inteligente, mas o que melhor se adapta às mudanças.”

            E, como dizia Sartre: “O homem está condenado a ser livre.” E já que estamos condenados, que seja com entusiasmo! Afinal, se o presente é o momento da escolha, que eu escolha, ao menos, um café bem quente para acompanhar minhas reflexões, porque de todas as fórmulas eternas, essa sempre deu certo.

 

 

 

 
 
 

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