O Fruto Proibido da Sabedoria e o Poder da Transformação
- Carlos A. Buckmann
- 1 de set. de 2024
- 3 min de leitura

O Fruto Proibido da Sabedoria e o Poder da Transformação
A maçã, símbolo da tentação e do conhecimento, sempre me fascinou. Não pela culpa que evoca em alguns, o que não é o meu caso, mas pela insaciável curiosidade que desperta. Assim como Eva e Adão, na ficção bíblica, fui seduzido pelo sabor proibido do saber, e desde então, não consigo mais me afastar da árvore do conhecimento.
A leitura, para mim, é um vício delicioso. Mergulhar em um livro é como viajar para outros mundos, conhecer novas pessoas e novas perspectivas. A filosofia, com suas questões existenciais, me guia em uma jornada introspectiva. Os livros de ciência alimentam minha mente com novos conhecimentos e desvendam os mistérios do universo.
A cada página virada, um novo quebra-cabeça se forma em minha mente. As ideias de Foucault sobre o poder, as reflexões de Comte-Sponville sobre a felicidade, as teorias de Lacan sobre o inconsciente... Cada autor me oferece uma nova lente para enxergar o mundo. E é nesse constante processo de construção e desconstrução que encontro a verdadeira liberdade.
Mas a busca pelo conhecimento também me ensinou a desconfiar das falsas promessas. A cultura da autoajuda, com suas receitas prontas para a felicidade, me mostra uma armadilha. A aparição de incontáveis “coaches” (cocheiros, na tradução mais assertiva, a guiar incautos e incultos), mostra como se tornou fonte de faturamento fácil para esses habilidosos enganadores. O aumento de “pastores” na proliferação de igrejas neopentecostais, que misturam Cristo com bandeiras de Israel, num desconhecimento fanático da história das religiões, me incomoda sobremaneira. A verdade é que o conhecimento profundo exige tempo, dedicação e esforço. É preciso ir além das frases motivacionais, do falso conhecimento e dos dogmas religiosos, e mergulhar nas complexidades da vida.
O vício pelo saber é um motor que me impulsiona a ir sempre mais além. A cada nova descoberta, a sensação é de que estou mais próximo de mim mesmo e do mundo que me cerca. Mas a responsabilidade que acompanha esse conhecimento é grande. Afinal, o saber pode ser usado tanto para construir quanto para destruir.
Gosto de lembrar o que Nietzsche escreveu em A GAIA CIÊNCIA, SEÇÃO 324: - “A Vida como Meio de Conhecimento – com esse princípio no coração, pode-se não apenas viver valentemente, mas até viver e rir alegremente”.
Foucault nos ensina, baseado em Francis Bacon, que o conhecimento não é neutro, mas está intrinsecamente ligado às relações de poder. Quem detém o conhecimento, detém o poder de moldar a realidade. A história está repleta de exemplos que demonstram como o conhecimento foi utilizado para dominar e oprimir. No entanto, a filosofia, ao questionar as verdades estabelecidas e nos convidar a pensar de forma crítica, pode ser uma ferramenta poderosa para desafiar as estruturas de poder.
A educação é fundamental para democratizar o conhecimento e empoderar as pessoas. Ao oferecer acesso à educação de qualidade, podemos construir uma sociedade mais justa e equitativa, onde todos tenham a oportunidade de desenvolver seu potencial.
A filosofia nos ensina que o conhecimento não é apenas um acúmulo de informações, mas uma ferramenta para a libertação. Ao compreender as complexas relações entre conhecimento e poder, podemos utilizar o saber para desafiar as injustiças e construir um mundo mais justo e humano. Afinal, só através do conhecimento podemos transformar a realidade e construir um futuro melhor para todos.
A busca pelo conhecimento é uma jornada contínua e enriquecedora. Ao saborear cada nova descoberta, estamos não apenas expandindo nossos horizontes, mas também contribuindo para a construção de um mundo mais justo e equitativo. Afinal, como disse Francis Bacon, "o conhecimento é poder". E é com esse poder em mãos que podemos transformar o mundo.
Experimente o sabor do fruto do saber.
Aviso: É VICIANTE.
Mas,
VALE A PENA
NH, 01/09/2024
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