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O FLORESCER DA AUTONOMIA

  • Carlos A. Buckmann
  • 17 de abr. de 2025
  • 3 min de leitura

O FLORESCER DA AUTONOMIA

            Paulo Freire, pernambucano de Recife, nascido em 1921 e falecido em 1997, foi um educador e filósofo renomado, cujo pensamento revolucionário ecoa até os dias atuais. Sua trajetória foi marcada pela defesa de uma educação libertadora, voltada para a conscientização e a autonomia dos indivíduos. Exilado durante a ditadura militar brasileira, Freire desenvolveu suas ideias em diálogo com diversas culturas, consolidando-se como uma das vozes mais influentes da pedagogia crítica mundial. Sua obra magna, "Pedagogia do Oprimido", lançou as bases para uma nova forma de entender a relação entre educador e educando, rompendo com a tradicional visão bancária da educação.

            Para adentrarmos no universo conceitual de "Pedagogia da Autonomia", é fecundo explorarmos a etimologia das palavras que compõem o título. Pedagogia deriva do grego “paidagogía”, que significa "ação de conduzir a criança". Originalmente, referia-se ao escravo que levava as crianças à escola. Com o tempo, o termo evoluiu para designar a ciência e a arte de educar. Já autonomia provém do grego “autonomia”, junção de “autós” (próprio) e “nómos” (lei, norma), significando, literalmente, a capacidade de dar leis a si mesmo, de governar-se por princípios internos.

            Em sua essência mais erudita, a autonomia transcende a mera independência ou liberdade de ação. Ela reside na capacidade intrínseca do ser de deliberar, de analisar criticamente as informações e os contextos, e de tomar decisões conscientes e responsáveis, fundamentadas em seus próprios valores e convicções. A autonomia implica um sujeito ativo, capaz de refletir sobre suas escolhas, de assumir as consequências de seus atos e de construir seu próprio caminho, sem ser passivamente moldado por forças externas. É a conquista da soberania intelectual e moral, um processo contínuo de autoconhecimento e de emancipação.

            "Pedagogia da Autonomia" emerge como um farol nesse processo de florescimento da autonomia. Freire nos ensina que a autonomia não é um dom inato, mas sim uma construção que se dá na relação dialógica entre educadores e educandos. O livro nos convida a repensar a prática pedagógica, deslocando o foco da transmissão unilateral de conteúdo para o estímulo ao pensamento crítico, à curiosidade epistemológica e ao respeito aos saberes dos alunos. A autonomia se edifica no reconhecimento da incompletude humana, na humildade intelectual de quem aprende e de quem ensina, e na valorização da experiência como ponto de partida para a construção do conhecimento.

            A obra freiriana nos mostra que a autonomia é um pilar fundamental não apenas para o desenvolvimento individual, mas também para a construção de uma sociedade mais justa e democrática. Indivíduos autônomos são capazes de questionar as estruturas de poder, de participar ativamente da vida pública e de lutar por seus direitos. No âmbito pessoal, a autonomia nos permite tomar decisões alinhadas com nossos propósitos, construir relacionamentos mais autênticos e enfrentar os desafios da vida com maior segurança e resiliência.

            No mundo profissional, a autonomia se traduz em profissionais mais criativos, proativos e engajados. A capacidade de pensar criticamente, de propor soluções inovadoras e de tomar decisões assertivas é cada vez mais valorizada no mercado de trabalho. Empresas que cultivam um ambiente de autonomia, que incentivam a participação e a responsabilidade de seus colaboradores, tendem a ser mais dinâmicas e bem-sucedidas. A filosofia pedagógica de Freire nos lembra que líderes eficazes são aqueles que inspiram a autonomia em suas equipes, que fomentam o diálogo e que reconhecem o potencial de cada indivíduo.

            A aplicação da ideia de autonomia no mundo dos negócios vai além da simples delegação de tarefas. Envolve a criação de uma cultura organizacional que valoriza a iniciativa, a experimentação e a aprendizagem contínua. Líderes que compreendem a "Pedagogia da Autonomia" não buscam controlar cada passo de seus colaboradores, mas sim oferecer as ferramentas e o suporte necessários para que eles possam desenvolver suas próprias soluções e alcançar seus objetivos de forma autônoma e responsável. Isso implica em transparência na comunicação, em feedback construtivo e na criação de espaços seguros para a expressão de ideias e para a tomada de riscos calculados.

            Donde se conclui que, "Pedagogia da Autonomia" é um convite à reflexão profunda sobre o processo educativo e sobre o papel fundamental da autonomia na formação de seres humanos plenos e engajados. As lições de Paulo Freire transcendem a sala de aula, permeando todas as esferas da nossa existência, desde as escolhas mais íntimas até a nossa atuação no mundo profissional e social.

            Depois de mergulhar nessas profundezas pedagógicas, só me resta dizer que, se a autonomia fosse um bolo, a receita de Paulo Freire seria a mais saborosa e nutritiva. Afinal, quem não gosta de um bolo que te ensina a pensar por si mesmo e ainda te deixa com um gostinho de "quero mais" liberdade?

 

 
 
 

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